"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Velha Rude Cruz

Jardins Bíblicos em Jerusalém
Réplica da cruz (toro que está no chão,
igual ao que Cristo carregou)





"Tomaram eles, pois, a Jesus; e Ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico."
João 19:17










Lugar da Caveira
sobre o qual Jesus foi crucificado
 







"E levaram a Jesus para o Gólgota, que quer dizer Lugar da Caveira... Então o crucificaram..."
Marcos 15: 22,24a










Em homenagem ao Senhor da minha salvação, recordo a Sua morte com um dos meus hinos favoritos - o nº 1 do meu Top - através da voz da Sampaguita, que considero ser uma das melhores intérpretes de hinos e para quem este também é favorito.



RUDE CRUZ

Rude cruz se erigiu, dela o dia fugiu,
como emblema de vergonha e pavor.
Mas eu amo essa cruz, porque nela Jesus,
deu a vida por mim, pecador.

Sim, eu amo a mensagem da cruz;
‘té morrer eu a vou proclamar.
Levarei eu também minha cruz
‘té por uma coroa a trocar.

Desde a glória do céu, o Cordeiro de Deus
ao Calvário humilhante baixou;
e essa cruz tem p’ra mim atractivos sem fim,
porque nela Ele me resgatou.

Nessa cruz padeceu e por mim lá morreu,
meu Jesus para dar-me o perdão;
e eu me alegro na cruz, dela vem graça e luz
para minha santificação

Eu aqui, com Jesus, a vergonha da cruz
quero sempre levar e sofrer;
Ele vem me buscar e, com Ele no lar,
uma parte da glória hei-de ter.

Cantor Cristão (nº 20 adenda)

“Para o conhecer e o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com Ele na sua morte; para de algum modo alcançar a ressurreição dentre os mortos” – Filipenses 3: 10-11

sábado, 16 de abril de 2011

Ser Mãe

Hoje, quando forem 21:10H, a minha filha faz 34 anos.
Perfeito, depois do príncipe, a princesa. Linda, tudo no lugar, tudo certo.
E eu que, depois do primeiro filho, pensava não poder amar outro ser com a mesma intensidade..., enganei-me.
Coração de mãe não tem limites!

Depois, também descobri que os filhos são diferentes uns dos outros, não só em género, mas em personalidade.
Não faz mal, a gente aprende.
O mais importante é que os filhos são um bem inestimável. Não pode ser mais sustentada a expressão do salmista Salomão:

“Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.” – Salmo 127: 3

Grande Bênção essa que confere Herança e Galardão aos pais. Vamos reflectir:

1º - A Bênção só existe, quando Cristo está presente no lar porque, ela, não se resume a coisa boa. Muitas vezes, é quando os filhos nos dão problemas que mais sentimos a bênção, revelada na paciência, na sabedoria e na dependência de Deus.

2º - A Herança exige responsabilidade na administração. Os filhos necessitam de incentivo, correcção e bons exemplos. Para fazermos isso da maneira mais plena possível, temos que observar a Palavra de Deus como um livro de instruções.

3º - O Galardão é uma recompensa. Ora, se os filhos assim são chamados pelo Senhor, nós somos responsáveis perante Ele das vidas que geramos. Caso contrário, o fruto não será recompensa, mas fardo.

Eu, mãe, sei que, no bem ou no mal, o meu amor está sempre presente e a protecção de Deus também.
E não é que os meus filhos são filhos do Pai Eterno?! Maravilhoso, hein?

“O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.” – Provérbios 20: 7









Feliz aniversário filha!

sábado, 9 de abril de 2011

O Teste

Quem já teve experiência de liderança em acampamentos, retiros e eventos especiais das igrejas, sabe que muitos dos participantes são emocionalmente impelidos a manifestar a decisão de receber a graça da salvação em Cristo. Até se dá o caso de algumas pessoas manifestarem essa vontade mais que uma vez, em diferentes anos ou ocasiões, tal é o impacto emocional da ideia de salvação associado à falta de convicção espiritual.

Ora, pensando bem, a manifestação pública é o lado fácil das “decisões”, porque a Salvação tem muito que se lhe diga e o mais difícil está para vir. Na verdade, sendo gratuita, a Salvação não é barata… e, ao invés de se levar Cristo a reboque como guarda-costas, é preciso segui-Lo e imitá-Lo.

Na Bíblia (Lucas 18: 18-23 – Mateus 19: 16-22 – Marcos 10: 17-22), temos o relato de um jovem rico e de boa posição social que se apresentou perante Jesus interessado em receber a vida eterna (salvação).
À partida, parecia estar ali uma pessoa disponível para acatar tudo que Jesus lhe dissesse, no entanto, o Mestre não se deixou levar pelo entusiasmo do jovem e colocou-o perante um teste de firmeza:

Questão – Conheces Deus? (Talvez Jesus quisesse que ele especificasse se O chamara de “Bom Mestre” por reconhecer a Sua divindade ou talvez estivesse a confrontá-lo com o foco que tinha em si próprio).
Não respondido. O rapaz estava indeciso.

Questão – Guardas os mandamentos? (Jesus referiu alguns, deixando de fora os de relacionamento directo com Deus).
Resposta positiva. Não matava, não adulterava, não roubava, não levantava falso testemunho e honrava o pai e a mãe.

Questão – És capaz de vender os teus bens, dar o lucro aos pobres e seguir-Me? (Esta pergunta valia maior pontuação, por ser decisiva para o resultado final).
Renúncia. Foi-se embora. Definitivamente, não estava interessado numa vida que o obrigava a largar todos os bens terrenos e a ter um único Senhor. Jesus tinha ido longe de mais com as exigências.
Realmente aquele jovem tinha algumas coisas correctas na sua vida:
Objectivo – queria ter a vida eterna.
Atitude – procurou resposta para o seu problema.
Discernimento – recorreu à pessoa certa.
Conhecimento das Escrituras – era religioso e procurava cumprir com os mandamentos.
Mas isto era insuficiente, ele não tinha a garantia da vida eterna e não queria abdicar dos bens do mundo.

Eu não disse que seguir a Cristo tem custos que podem ser elevados?!
Quantos não têm recusado segui-Lo porque querem ser eternos, mas não aderem à eternidade?
Quantos vão à igreja e sabem as verdades bíblicas, mas não as praticam?
É por isso que muitos vão tomando decisões públicas, mas no seu coração não aceitam o Senhor eterno, O verdadeiro garante da eternidade da nossa alma.


“Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.” Marcos 8: 35

sábado, 2 de abril de 2011

A Arca de Noé

Há histórias bíblicas que são clássicos das classes infantis da Escola Bíblica Dominical. Quem por lá passou sabe muito bem do que estou a falar.
Uma das mais apreciadas pelas crianças é A Arca de Noé. Aquele verdadeiro zoológico flutuante tornou-se um grande atractivo, à volta do qual se podem fazer inúmeras actividades.

Isto passa-se com as crianças, mas o desejável é que, conforme se vai avançando na idade e na compreensão, essas histórias vão sendo aprofundadas e alargadas ao contexto.


Pergunto, neste relato do Velho Testamento, qual é o atractivo para cada um de nós?
Antes de revelar o meu, vou realçar alguns aspectos acerca daquilo que podemos aprender nesta passagem.



Génesis 6: 7-8 – Deus amaldiçoou a terra e decidiu destrui-la, por causa da maldade e corrupção dos homens, mas, a Noé, decidiu poupar, porque era um homem justo e perfeito.
A nossa conduta deve ser conforme o coração de Deus, de modo a ser-Lhe agradável.

Génesis 6: 13-14 – Deus informou Noé dos seus propósitos e mandou-o fazer a arca. Noé não duvidou, nem questionou Deus.
Por absurdas que nos pareçam as formas usadas por Deus para poupar a nossa vida, devemos ouvi-Lo, ser humildes e obedientes. Há oportunidades que são únicas.

Génesis 6: 15-22 – Deus forneceu o projecto completo para a feitura da arca e deu directrizes de sobrevivência. Noé dedicou-se ao trabalho.
Muitas vezes as construções da nossa vida não dão certo porque utilizamos os nossos projectos e temos pressa nas conclusões, em vez de acreditarmos na sapiência de Deus e fazermos como Ele diz.

Génesis 6: 18 – Deus disse a Noé que devia entrar para a arca acompanhado pelo seu núcleo familiar.
Deus não criou o homem para estar só, por isso, não devemos subestimar o valor dos outros, mas aprender que precisamos uns dos outros.

Génesis 7: 2-3 – Deus ordenou a Noé que levasse para a arca pares de todos os animais.
Por segurança, não devemos descurar as outras espécies, apesar das nossas diferenças, a sobrevivência dos homens também depende dos outros animais.

Génesis 7: 6 – Noé era um homem de idade avançada, mas não se queixou por ter de fazer uma obra tão gigantesca e minuciosa.
Mesmo depois de velhos, Deus pode chamar-nos a fazer alguma coisa realmente grande, por isso não devemos sentir-nos incapazes, nem descuidar as nossas responsabilidades.

Génesis 7: 17-24 – Tudo estava como Deus mandou quando se deu o dilúvio (durante 40 dias), mas o panorama fora da arca foi assustador. Porém, não consta que Noé tivesse ficado com medo ou nervoso.
Quando aprendemos a confiar em Deus, não há nada que nos retire a paz interior.

Génesis 8: 1-19 – Passados cento e cinquenta dias, as águas começaram a diminuir. E, quando a terra já estava seca, Deus mandou Noé, a família e os animais saírem da arca.
Por vezes, durante a tormenta, agarramo-nos muito a Deus, mas quando a bonança chega, ficamos inquietos e queremos resolver tudo sozinhos. Na verdade, só os que esperam no Senhor recebem grandes resultados.

Génesis 8: 20-22 – Noé, após a protecção e libertação dada por Deus, alegrou-se e o seu primeiro pensamento foi agradecer e louvar ao Senhor.
Nos bons e nos maus momentos, Deus está a suportar as nossas emoções e a defender a nossa integridade. Por isso, devemos ser gratos e festejar a vitória sem ignorar o seu Autor.

Génesis 9: 1-7 – Deus estabeleceu novos princípios para manutenção da vida sobre a terra e forneceu-os a Noé.
Não podemos cruzar os braços. Deus só faz o que não é possível ao homem fazer.

Génesis 9: 8-17 – Deus estabeleceu uma aliança com a humanidade, na pessoa de Noé, prometendo nunca mais vir um dilúvio sobre a terra. O seu sinal é o “arco da aliança”.
Quando estamos com Deus, há sempre um arco-íris de esperança que nos desafia à confiança. Ter a bênção de Deus, é uma garantia de sucesso!

Ficamos por aqui, chegámos ao meu atractivo neste relato bíblico – o arco da aliança, conhecido como arco-íris.
O arco-íris é das coisas mais lindas e contemplativas que existem! É como se Deus chegasse, pintasse o céu e deixasse escrito: “Sabe que Eu sou Deus e cumpro as minhas promessas!”.
Para mim, é uma das manifestações mais evidentes da nossa relação com Deus.


Quando o arco aparece no céu, fico a contemplá-lo…, e usufruo duma grande sensação de segurança.
Deus é fiel!

“O arco estará nas nuvens; vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres viventes de toda a carne que há sobre a terra.” – Génesis 9:16

sábado, 26 de março de 2011

Pegadas na Areia


“Em toda a angústia deles foi Ele angustiado, e o Anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor, e pela sua compaixão Ele os remiu, os tomou e os carregou todos os dias do passado.”
Isaías 63: 9

Há uma forte probabilidade da maioria dos portugueses adultos já terem lido, pelo menos uma vez, o poema (escrito em 1964) que se vulgarizou como “Pegadas na Areia”.
Quem acredita em Deus, e quem não acredita, tem-no utilizado em mensagens de conforto porque, na verdade, ninguém fica indiferente à profundidade dessa obra traduzida em diversas línguas e comercializada das mais diversas formas.
Porém, ainda poucos conhecem a sua origem.
Margaret Fishback Powers

Em 1993 a autora publicou um livro onde conta a história que deu origem ao poema. Em 2009, saiu a versão portuguesa.
Com a sua leitura, constatei que se trata de uma grande e inspiradora experiência de fé..., quase uma aventura. Mas, já que o livro é auto-biográfico, não quero exceder-me em revelações, somente dizer que vale a pena ser lido e sugerir que o dêem de oferta a amigos descrentes.







Título: Pegadas na Areia
Autora: Margaret Fishback Powers
Editora: Estrela Polar
Venda: Grandes superfícies e livrarias




Uma noite tive um sonho.
Estava a passear na praia com o meu Senhor.
Pelo céu escuro, passavam cenas da minha vida.
Por cada cena, percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia,
um que me pertencia
e outro ao meu Senhor.

Quando a última cena da minha vida passou perante mim
olhei para trás, para as pegadas na areia.
Havia apenas um par de pegadas.
Apercebi-me de que eram os momentos mais difíceis
e tristes da minha vida.
Isso sempre me incomodou
e interroguei o Senhor
sobre o meu dilema.

"Senhor, quando decidi seguir-Te, disseste-me
que caminharias ao meu lado
e falarias comigo durante todo o caminho.
Mas apercebo-me de que,
durante os momentos mais atormentados da minha vida,
há apenas um par de pegadas.
Não percebo por que razão, quando mais precisei de Ti,
Tu me deixastes."

Ele segredou: "Meu precioso filho,
Eu amo-te e nunca te deixarei
nas horas de provação e de sofrimento. Nunca.
Quando vistes na areia apenas um par de pegadas,
foi porque Eu te carreguei no colo."

segunda-feira, 21 de março de 2011

Tempo de Poesia


Hoje celebra-se o Dia Mundial da Poesia, proclamado pela UNESCO em 1999.

A poesia pertence a um género literário que explora a musicalidade das palavras e faz, através das suas imagens, sugerir emoções, despertar sentimentos e produzir contemplação.
O texto não é, necessariamente, escrito em verso, mas, quando se trata da letra para um hino, a poesia é rimada e acompanhada por uma composição musical.

A Bíblia tem uma vasta obra poética. Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares formam a divisão dos livros poéticos das Escrituras. Aliás, basta ficarmos atentos ao ritmo e harmonia desses textos, para adivinharmos o seu estilo. No caso concreto dos Salmos, sabemos que muitos foram musicados e cantados.


O Salmo 121, uma das mais belas declarações de confiança em Deus, é um dos meus favoritos, pela estética, pela mensagem e pela sabedoria com que as verdades espirituais são retratadas, é o poema que escolhi para comemorar este dia.
Caracterizado como "cântico de romagem", destinado a música vocal, era cantado pelos peregrinos quando iam às festas em Jerusalém.
Aqui fica uma versão de língua portuguesa, que conheço desde a infância e que trauteio com frequência.

SALMO 121

Para os montes olharei, donde me vem salvação?
Meu socorro vem de Deus, o Senhor da criação.

Pelo meio dos perigos, não te deixará cair;
quem a Israel guardava, não dormiu, nem vai dormir.

O Senhor é quem te guarda; sombra à tua destra está,
nem de dia, nem de noite, sol ou lua ofenderá.

O Senhor é quem te guarda; guardará de todo o mal,
tua entrada e saída, desde agora e até final.

Autor – não identificado, in Bíblia Sagrada
Versão Portuguesa – autor/compositor brasileiro (desconheço a identidade), in A Voz Missionária

sexta-feira, 11 de março de 2011

Jesus - Eu Sou

Em todo o evangelho de João a principal figura é Jesus e a ênfase especial é a sua divindade e aquilo que representa para nós.

Afinal, quem é esse Jesus que, ao lermos este evangelho, somos impelidos a adorar?

Pelas suas próprias palavras, Jesus fez uma série de afirmações directas (7), utilizando imagens simbólicas que favorecem a nossa compreensão.





        EU SOU...





O Pão da vida (6: 35) – sacia a fome espiritual dos que vão até Ele;

A Luz do mundo (8: 12) – põe as trevas fora da vida de quem o segue;

A Porta (10: 7, 9) – garante o acesso ao Pai;

O Bom Pastor (10: 11, 14) – dá a vida por nós e conhece-nos de forma pessoal;

A Ressurreição e a Vida (11: 25) – transforma a realidade da morte para os que crêem;

O Caminho, a Verdade e a Vida (14: 6) – é o único veículo libertador para uma vida com Deus;

A Videira verdadeira (15: 1, 5) – pertencendo ao Corpo de Cristo podemos produzir muito fruto que glorifique a Deus.

Ainda, neste mesmo evangelho, Jesus deixa-se reconhecer e confirma ser:

O Messias (4: 25, 26) – o Cristo, o Rei ungido que oferece salvação e liberdade;

O Filho do Homem (8: 28) – o cumprimento das profecias messiânicas do V.T. ao ser homem;

O Filho de Deus (10: 36) – a expressão pessoal de Deus, manifestada em forma humana;

Mestre e Senhor (13: 13) – o exemplo físico e divino de serviço e humildade.

Em todos estes atributos, encontramos a expressão EU SOU, mas quanto a mim, esta denominação toma mais relevância quando é apresentada isoladamente (8: 24, 28, 58), pois é a confirmação cabal de que Jesus é Deus com o Pai (10: 30; 12: 45; 14: 9).
Aliás, o evangelho de João começa por reconhecer isso mesmo, quando afirma que, mesmo antes de haver tempo, Jesus existia na essência de Deus.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o VERBO era Deus.” – João 1: 1

“Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que EU SOU, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.”
João 8: 28

“Verbo” e “Eu Sou”, a confirmação plena de que estamos a falar do Deus eterno, eu gosto muito disso!

sábado, 5 de março de 2011

Crentes e Participantes

Volto ao último tema porque, enquanto escrevia, esteve muito presente em mim a ideia do corpo de Cristo.

“Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função; assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.” – Romanos 12: 4-5
Quando nos convertemos, passamos a fazer parte do corpo de Cristo e somos coagidos ao dever de praticar a fé. Porém, muitos crentes têm a ideia de que não é importante a sua participação activa na comunidade religiosa e no mundo, quer dizer, basta ir aos cultos (ou talvez não) e a prática da fé está cumprida.
Por isso, a figura do corpo é muito eficaz para explicar a Igreja. O corpo é constituído por diversas partes e órgãos responsáveis por uma ou mais funções, porque nele nada está ao acaso, nem a mais pequena célula. Da mesma forma, também o grupo de crentes é composto de muitas e diferentes vocações, capacidades, formação, dons e maturidade espiritual. Logo, devem complementar-se, tornando a Igreja viva e actuante.

Não pretendo fazer uma exposição exaustiva sobre o assunto, mas convém deixar claro que todos os crentes são importantes porque, a cabeça é Cristo, a quem pertence o comando, mas ao corpo compete obedecer e agir.

“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é que opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso.”
I Coríntios 12: 4-7

Há uns anos atrás durante um retiro da União Bíblica e no decorrer de um estudo sobre dons, uma senhora, com  perto de setenta anos, interrompeu o palestrante e disse convicta: “Eu sei qual é o meu dom. Eu faço a limpeza da minha igreja!”
Virei a cabeça na sua direcção e fiquei com as lágrimas nos olhos, não porque ache que, em si, fazer a limpeza seja um dom, mas porque servir é um dom e porque aquela mulher simples expressou uma enorme gratidão a Deus nas suas palavras.
Depois, sorri e fiquei a imaginar como aquela Casa de Oração devia cheirar a limpeza e reflectir o toque que só a sensibilidade das mulheres permite.

Trabalho que não agrada; trabalho não valorizado; trabalho que não é realizado à vista dos outros…, mas, seja qual for o serviço, mesmo o mais modesto, quando é feito com alegria e humildade, agrada a Deus.

Grande lição, nunca mais esqueci!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Não, Porquê?

Imagine alguém que aceita participar numa corrida, equipa-se, vai até à pista e pisa a linha de partida, mas, quando é dado o sinal para iniciar a prova, recusa-se a prosseguir. Isto faz sentido?
As desculpas podem ser muitas e, invariavelmente, passam por alegadas incapacidades, mas a verdade principal é a falta de vontade e o medo.

Há crentes assim. Pessoas que, depois da conversão, se preparam biblicamente e reconhecem as necessidades da obra, mas quando Deus as chama ao trabalho, ficam com medo, recusam e dão desculpas inusitadas.
Acontece que Deus, desde sempre, tem usado para a sua obra pessoas com os mais diversos problemas. Vejamos alguns exemplos:

David cometeu adultério (II Sam. 11:2-4), no entanto o Senhor o perdoou e inspirou, tendo escrito os mais belos hinos e orações das Escrituras Sagradas.

Timóteo sofria do estômago, talvez tivesse uma úlcera (I Tim. 5:23), mas isso não o impossibilitou de realizar uma obra evangelística e fazer viagens missionárias.

Abraão era muito velho (Gén. 17:17), mas, mandado por Deus, saiu da sua terra sem saber para onde ia, foi constituído como pai de numerosas nações e teve um filho.

Moisés tinha bariglossia o que lhe dificultava a fala (Ex.4:10), mas Deus o escolheu para dirigir e libertar o povo de Israel.

Pedro foi medroso e impulsivo (Mat. 26:69-74 e João 18:10), mas, quando foi revestido pelo poder do Espírito Santo, tornou-se um dos grandes iniciadores da igreja e divulgador do evangelho.

Jonas era rebelde (Jonas 1:1-3), entretanto, acabou por pregar a Palavra de Deus de forma tão poderosa que toda a cidade de Ninive se converteu ao Todo-Poderoso.

Léia era uma mulher sem atractivos físicos e solteirona (Gén. 29:17, 23-26), mas isso não foi impeditivo de Deus a honrar, sendo mãe dos fundadores de seis das tribos de Israel, incluindo a de Levi, tribo sacerdotal, e a de Judá, que gerou Cristo.

Gideão era pobre e tinha o complexo de inferioridade (Jz. 6:15), no entanto, não duvidou do poder de Deus e tornou-se um grande líder, libertador e guerreiro.

Paulo era perseguidor da igreja e tinha problemas de visão (Actos 8:3 e Gál. 4:13-15), mas isso não obstou a que fosse o grande missionário da igreja primitiva, escrevesse várias cartas para as comunidades que visitou e fosse preso por amor ao evangelho.

Sansão foi mulherengo (Jz. 14:1-2, 16:1 e 4), mas Deus dotou-o de força física para livrar Israel do poder dos filisteus.

Samuel era ainda criança (I Sam. 2:18, 3:4), Deus falou-lhe e ele, além do grande discernimento espiritual, teve uma vida de fidelidade e serviço ao Senhor e veio a ser o primeiro profeta de Israel.

Zaqueu era baixote o indesejado (Luc. 19:3 / 7), mas quando se converteu, passou a ser justo e não só decidiu contribuir para os pobres, como restituir quatro vezes mais àqueles que tinha espoliado.

Raabe era prostituta (Josué 2:1), ainda assim, foi justificada por Deus quando escondeu dois espiões da nação de Israel e figura na genealogia de Jesus.

João Batista era extravagante (Mat.3:4), mas foi o escolhido por Deus para preparar o caminho para o ministério do Senhor Jesus.

Nesta amostragem vimos pessoas diferentes umas das outras, usadas por Deus para tarefas igualmente diferentes.

Sabe que não há duas pessoas iguais? Isso pode provar-se pelo ADN, pelas impressões digitais, mas também pela aparência, o carácter, as vivências, as patologias e as capacidades. Deus fez-nos absolutamente únicos e especiais!
Se todos os crentes desempenhassem uma tarefa na obra de Deus e, independentemente das diferenças e limitações, usassem os seus dons, certamente as igrejas funcionavam mais eficazmente. Se Deus quer usar-nos, não, porquê?

“Tu a quem tomei das extremidades da terra e chamei dos seus cantos mais remotos e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e nunca te rejeitei, não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” - Isaías 41: 9-10

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Como Consertar o Mundo

Durante algum tempo, circulou na internet uma fábula, sem identificação do autor, que achei conter uma moral que todos devíamos adoptar.
A história é assim:

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e, querendo encontrar uma solução para os minorar, passava muito tempo no seu gabinete a  estudar o assunto.
Certo dia, o seu filho de sete anos, entrou no gabinete e o cientista, para o entreter, pegou num velho planisfério, cortou-o em muitos pedaços (tipo puzzle) e depois deu-o ao menino, junto com um rolo de fita-cola, para que ele reconstruísse o mapa.
Esta era uma forma de entreter a criança e poder continuar os seus estudos.
Uma hora depois, o menino gritou alegremente:
- Pai, já acabei!
E, para espanto do cientista, o mapa estava ordenado correctamente...
- Muito bem, mas como é que tu conseguiste?
- Foi fácil, eu não sabia como era o mundo, mas quando tu estavas a cortar o papel, eu vi que do outro lado estava a figura de um homem. Como tentei reconstruir o mundo e não consegui, lembrei-me do homem, que sei muito bem como é, e comecei a formá-lo de novo. Quando consegui consertar o homem e colar os pedaços, virei o papel e vi que o mundo estava perfeito.



Partindo do princípio de que isto podia muito bem acontecer, temos de reconhecer que as crianças são exímias a dar lições de vida, mesmo quando isso é fruto da sua inocência e simplicidade.
Moral da história: para minorar os problemas do mundo, tem que começar por se renovar o homem.




Faz lembrar o episódio de Nicodemos (João 3: 1-7), quando Jesus lhe disse: “Necessário vos é nascer de novo!. É a demonstração de que o mais importante é restaurar o homem.
Depois, as palavras do Mestre no Sermão da Montanha (Mateus 5: 14-16) quando disse: “Vós sois a luz do mundo!”. Ao contrário do que muitas vezes pretendemos, não é o mundo que tem de nos dar ferramentas de reparação, somos nós que temos de ser obreiros da correcção do mundo.
Logo, começa em cada um de nós, não nos moldarmos àquilo que o mundo é, apresenta e dá, mas renovarmo-nos e melhorarmos o nosso entendimento sobre o que Deus quer que sejamos e façamos, tal como dizem as Escrituras:

“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12: 2

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Namorar

DEDUÇÕES


Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

(Vladimir Maiakóvski)


Podemos dizer que o termo “namorar” pertence aos tempos modernos. O conceito também. Em Portugal, até a comemoração do Dia dos Namorados é recente.
Na Bíblia, por exemplo, não encontramos a palavra namorar ou outra dela derivada. Não faz mal, o termo existe e a prática também. Falemos disso…

Ora, digo eu que, independentemente da terminologia, qualquer relacionamento romântico requer prudência, respeito, fidelidade e lealdade. Não obsta que possa haver uma ruptura, já que se trata de uma fase de conhecimento para (ou não) consolidação da afectividade, mas tem de ser, sempre, um assunto levado a sério.

Nos tempos bíblicos e segundo o costume da época, a maioria dos casamentos eram arranjados pelos pais. Não havia um período de contacto durante o estado anterior ao casamento; mas, havia compromisso.
Aliás, o namoro não existiu até o início do século XX, quando, apesar de já ser de escolha e/ou consentimento das partes, era muito protegido e vigiado pela família. Eram os célebres namoros da janela para a rua; posteriormente, em casa com alguém da família por perto, em espaço e tempo limitados. Dizia-se então que “A” estava prometida(o) a “B”… O assunto era levado a sério!
Claro que desde sempre houve comportamentos desviantes do padrão. A diferença é que, nos nossos dias, o desvio dá-se quando os jovens querem ter um relacionamento de construção e compromisso, sem leviandade. Talvez por isso, até as palavras “namoro” e “compromisso” começam a estar fora de moda; agora os jovens “ficam” ou “estão”, é uma aventura, é passageiro, é descartável e, independentemente do tempo que a relação dura, permitem-se as mais levianas liberdades. Perdeu-se o encanto e o respeito. Perdeu-se até a ideia de projecção para o futuro.
Obviamente que valem as excepções, mas infelizmente só são notadas como confirmação da regra.

Verdadeiramente, acho que este é um daqueles casos em que a virtude está no meio. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Ou seja, acho desejável que a escolha seja pessoal e sem interesse material, mas a prática requer seriedade e compromisso.
Quanto à palavra, até que não está mal; ela encerra uma outra que deve ser a essência dum bom relacionamento - n”AMOR”ar.
E, que tal incluir Deus na escolha e na relação?

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” - I Coríntios 13: 4-7

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Dois é Melhor que Um





Suave Caminho






Assim. Ambos assim no mesmo passo
iremos percorrendo a mesma estrada.
Tu no meu braço trémula, amparada;
eu amparado no teu lindo braço.

Ligados nesse arrimo embora escasso,
venceremos as urzes da jornada...
e tu te sentirás menos cansada
e eu menos sentirei o meu cansaço.

E assim ligados pelos bens supremos
que para mim o teu carinho trouxe,
placidamente pela vida iremos.

Calcando mágoas, arrastando espinhos,
como se a subida desta vida fosse
o mais suave de todos os caminhos.

Mário Pederneiras (1867 - 1915)
Colectânea Poética - Sonetos Pouso Alegre


Conforme dizem as Escrituras:

"Melhor é serem dois do que um, porque têm
melhor paga do seu trabalho.
Pois se caírem, um levantará o seu companheiro; mas ai do que estiver só, pois,
caindo, não haverá outro que o levante.
Também, se dois dormirem juntos, eles se aquecerão;
mas um só como se aquecerá?
E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras
não se quebra tão depressa." - Eclesiastes 4: 9-12

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mais que Vencedores

NICHOLAS JAMES VUJICIC é um jovem de 28 anos, nascido em Melbourne, na Austrália, a 4 de Dezembro de 1982. Ele foi o primogénito de um pastor evangélico (actualmennte com mais 2 filhos) e é portador duma doença rara, a tetra-amelia. Ou seja, não tem braços (desde a altura dos ombros), nem pernas (tem dois pequenos pés, com dois dedos no esquerdo).

Aos 8 anos pensou matar-se;
Aos 15, dedicou a sua vida a Cristo e entendeu que tinha como missão ajudar outras pessoas e falar do poder de Deus;
Aos 17 começou a dar mensagens no seu grupo de oração e fundou a “Life Without Limbs” (Vida sem Membros), uma organização sem fins lucrativos, para ajuda social e espiritual de deficientes;
E, aos 21, após ter terminado a universidade (tem 2 licenciaturas - Contabilidade e Planeamento Financeiro), começou a viajar, tendo já visitado mais de 20 países onde dá palestras de motivação e inspiração, em congregações cristãs, escolas, empresas e estádios.

Mas, nada melhor que ouvir o seu próprio testemunho, numa entrevista à CBN - The Christian Broadcasting Network a 29.06.2009 (parem o vídeo as vezes necessárias de modo a assimilarem todo o testemunho).



“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio d’Aquele que nos amou.” Romanos 8: 37

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Água Viva

De forma espontânea, sempre que leio, imagino as cenas, e gosto disso. Na postagem anterior descrevi a forma como vejo o relato bíblico acerca da mulher samaritana.
Porém, o mais importante é esmiuçar o texto e dele retirar ensinamento. Por isso, voltemos a João 4, alargando a leitura até ao versículo 42.


Quando Jesus decidiu passar por Samaria, sem dúvida, infringiu a lei, mas a verdade é que, enquanto Deus, Ele sabia que ia encontrar aquela mulher e que, através desse contacto, podia salvar muitas pessoas.
Enquanto homem, o encontro foi puramente incidental pois Jesus nada tinha a fazer ali se não encurtar caminho para a Galileia.
Na prática, acabou por ser uma viagem evangelística, não agendada, que seguiu o rumo que Ele viria a ordenar antes de subir aos céus (Actos 1: 8).

Depois de Jesus e os discípulos terem caminhado cerca de 100 km, o cansaço, a fome e a sede eram algo natural e evidente. Daí os discípulos se terem afastado para irem comprar comer (v. 8).
No entanto, também podemos constatar uma influência providencial, porque este encontro de Jesus com a mulher teria sido prejudicado por preconceitos, perguntas e comentários se os discípulos estivessem presentes.

A mulher de Samaria tinha tudo contra ela, mas foi quando se encontrou com Jesus que os contrastes se acentuaram, vejamos:
      Ele puro (Deus) - ela impura (pecadora);
      Ele homem - ela mulher (era hábito aos homens evitarem falar com mulheres na rua);
      Ele judeu - ela samaritana (povos inimigos);
      Ele com completo conhecimento acerca da mulher - ela sem saber quem Ele era.
Todos nós somos diferentes uns dos outros, mas é quando comparados ao Mestre, que os contrastes são potenciados.
A boa notícia é que, quando nos pomos ao seu dispor, acontece a transformação e as diferenças vão-se reduzindo.

Por isso, foi também nessa altura que se dissiparam as distâncias, atenuaram as diferenças e se desenrolou o diálogo da transformação:
      Vs. 7 e 10 – Jesus, homem, teve sede e pediu água à samaritana - Jesus, Deus, inverteu a situação e passou da sua necessidade física à necessidade espiritual da mulher;
      Vs. 12 a 14 – A mulher sabia que aquele poço tinha água viva (leia-se potável), um bem essencial à sobrevivência física - Jesus estava a oferecer-se a si próprio, a verdadeira Água Viva, absolutamente pura e espiritualmente purificadora;
      Vs. 15 a 18 – A samaritana pensava em termos materiais - Jesus levou-a a reconhecer e a confessar o seu estado espiritual (moral e social);
      Vs. 19, 25 e 26 – Ela vendo em Jesus características especiais, julgou que era um profeta - Jesus, oportunamente, colocou à mulher a condição de que O reconhecesse na sua essência;
      Vs. 20 a 24 – A mulher apresentou todo o conhecimento religioso que tinha - Jesus deu-lhe uma lição de teologia;
      Vs. 16, 28 e 29 – Jesus, enviou a mulher como mensageira da Boa Nova - Ela, já sem problemas em contactar com as outras pessoas, não hesitou em transmitir tudo quanto tinha ouvido.
Com certeza, ainda muito houve a transformar na vida da samaritana, mas o essencial estava feito.
Aqui se demonstra a identidade dos crentes em Cristo, porque a salvação não é um dístico ou um hábito que se acrescenta à nossa existência; é, sim, uma mudança de paradigma de vida. Pois só experimentando e amadurecendo a transformação em nós é que podemos crescer na nossa salvação.

Ainda acerca desta passagem de Jesus por Samaria, podemos verificar que:
      1- Jesus, quando instado pelos discípulos para que comesse - e Ele tinha fome -, sabia que essa não era a necessidade prioritária (vs. 31 a 34), por isso, respondeu que o seu alimento "é fazer a vontade do Pai".
Grande ensinamento para nós que muitas vezes vemos os campos brancos para a ceifa, mas temos a presunção de querer esperar pelo nosso tempo (v. 35) para realizar a obra do Senhor.
      2- Após a mensagem entregue pela mulher (v. 39), aquela gente quis beber na fonte (v. 40) e, ouvindo o Salvador, creram (vs. 41 e 42).
Não deixemos de fazer o trabalho a que somos chamados, mas não para receber os louros da colheita porque a verdadeira conversão advém do contacto pessoal com Cristo. A fé tem de ser experimentada, porque é dessa forma que permanecemos em Cristo.

"Jardins Bíblicos em Jerusalém"
Réplica do poço de Jacó em Sicar
“Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.” – João 7: 37-38

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Encontro

Ele não era um homem particularmente bonito, mas tinha uma sedução imbatível e inexplicável que ficava muito para além da aparência.
Ela, sim, era linda!
O sol estava a pique; abrasador. Era meio-dia.

O homem vinha de longe e ia de viagem para uma cidade mais ao norte, cansado de andar, com sede e com fome, propôs-se atravessar aquela terra para encurtar caminho e, ao passar junto a um poço, sentou-se.
Com um cântaro debaixo do braço, a mulher apareceu. Caminhava de forma ágil e formosa, com as sandálias penduradas numa das mãos e o cabelo descoberto. Estava completamente alheada do que a rodeava, somente entregue aos seus devaneios.
Essa era a hora improvável de encontrar alguém no poço; porém, para ela, o melhor momento, já que não era bem vista pelos vizinhos e evitava ter encontros desagradáveis.

Na altura em que levantou uma ponta da túnica e limpou o suor do rosto, apercebeu-se de que estava ali mais alguém. Achou estranho, olhou de lado e questionou-se se o calor estaria a transtorná-la (?).
Ora, não faltava mais nada, encontrar ali alguém, aquela hora. Apressou-se a compor a roupa e a calçar-se e, quando olhou melhor…, um homem.

Mau prenúncio!

Mas havia mais, a cor da pele dele não deixava dúvidas, pertencia ao povo que ostracizava os habitantes daquela cidade. Era melhor ignorá-lo...
O homem, com toda a gentileza, olhou-a de frente e disse-lhe: “Tenho sede, por favor dá-me de beber.”

Espanto!

A mulher esbugalhou os olhos, corou, engoliu em seco e, destemida, fixou-o: “Não podes estar bom da cabeça, então tu és do inimigo e pedes-me água?”
Ele sorriu. Aquele homem tinha poesia; o seu jeito de olhar parecia ler o íntimo de quem estivesse na sua presença. Com voz segura e suave, disse-lhe: “Se soubesses quem eu sou, eras tu que me pedias água. E sabes que mais? Eu dava-te água viva!”
Acendeu-se um brilho especial nos olhos dela e, também, sorrindo: “Uhm, estás a tentar ter graça, não vejo que tenhas aí um vaso para tirar a água do poço ou será que tens poderes?”
Ele levantou-se: “Não, não tenho um vaso, mas também não estou a falar desta água – e apontou para o poço, continuando pausadamente – porque, com esta, voltas a ter sede!”

E num passe de quase transfiguração, denunciou a desigualdade de linguagem entre eles: “A que eu dou apaga toda a sede, é como se crescesse na pessoa uma fonte eterna!”
A mulher, ainda mal refeita do que acabara de ouvir e um tanto receosa: “Bom, é mesmo disso que eu preciso. Vá, dá-me lá dessa água; para mim será um alívio pois nunca mais tenho que vir aqui.”

Parecia-lhe evidente que o homem queria conversa, mas, ao mesmo tempo, encontrava nele uma atitude singular. Estava ali, à distância de um passo, mas parecia estar noutra dimensão; dizia-se cansado, mas o seu aspecto era absolutamente tranquilo; olhava-a, mas parecia não ver a sua beleza física. Oh coisa surreal!…

Diz o homem: “Está bem, mas primeiro vai chamar o teu marido.” – ele sabia que a mulher tinha problemas de que precisava retratar-se.
Escondendo a vergonha, ela respondeu numa voz rápida e sussurrada: “Não tenho marido!”
Diz ele: “É verdade mulher, já tiveste cinco maridos, mas este homem com quem agora vives não chegou a casar contigo.”

Medo!

Por breves instantes, saltou-lhe à cabeça que aquele podia ser…, ou não, talvez não fosse. E daí, também não perdia nada, porque não arriscar (?): “Ah, já percebi, sabes tudo e tens essa forma de falar porque és profeta.”
Seguiu-se um diálogo confuso sobre: onde adorar, tradições, presunção da verdade, quem adorar, quem sabe mais que quem. Afinal, quem sabe o quê?
E a mulher, que não queria passar por ignorante, ripostou: “Eu sei, muito bem, que há-de vir o Messias e que é Ele que nos vai dizer tudo. Tim-tim por tim-tim!”
Sem deixar margem para dúvidas, o homem, com voz muito clara, exclamou: “EU O SOU! Eu próprio com quem estás a falar.”

Ela minguou, pestanejou, emudeceu e, caramba, por sorte chegaram ali outros homens que parecia conhecerem aquele e com quem ele se distraiu a conversar…
Devagar, pousou o cântaro ao lado do poço e afastou-se em silêncio. Depois, tomada de um novo animo, correu até à cidade e, ofegante, disse aqueles com quem se ia cruzando: “Venham, vocês nem imaginam o homem fantástico que encontrei. Ele sabe tudo da minha vida.” – ainda indecisa, interrogava-se a si mesma perguntando aos outros – “Será que é o Cristo?”
Logo, querendo certificar-se de que não eram fantasias da mulher, todos se apressaram porque cada um queria ser o primeiro a vê-lo e a ouvi-lo.

Dela, nunca se soube o nome. Simplesmente que era mulher e vivia em Samaria.
Ele, muito mais que um homem ou mesmo um profeta, era o Messias, chamado Cristo!

Nota: Podem encontrar este relato bíblico, em João 4: 1-30.

"Pois, para com as suas iniquidades, usarei misericórdia e
dos seus pecados jamais me lembrarei." - Hebreus 8: 12