"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


sábado, 28 de maio de 2011

Eleições Legislativas


“Uns confiam em carros, outros em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos no nome do Senhor nosso Deus.”
Salmos 20: 7

Estamos prestes a voltar às urnas.
Podia fazer uma dissertação sobre as minhas opções políticas; podia falar sobre a credibilidade dos políticos; podia tentar destruir toda a defesa ou o ataque feito a este ou aquele político. Eu podia; porque, obviamente, tenho opinião!
O que não tenho é a presunção de achar que, nesta matéria, a razão está mais do meu lado do que do lado dos que têm considerações diferentes, nem este meu espaço está vocacionado para esse tipo de discussão.

Então, porque é que estou hoje a falar disto?
Porque acredito que “uns confiam em carros, outros em cavalos” (*), mas o mais importante é confiar em Deus e interceder pelos nossos governantes.

O Salmo 20 é uma oração a favor do rei. Tomando-o como modelo, oremos pelo futuro governo:
Para os seus dirigentes não falharem, nem fazerem o povo sofrer.
Para que os líderes estejam num lugar protegido.
Para que a nossa pequena nação não seja asfixiada pelos poderosos países aliados.
Para os governantes aceitarem conhecer Deus, ouvindo a Sua vontade e sabendo que a nação que tem Deus como Senhor é abençoada.

Oremos também pelos eleitores, especialmente por nós próprios:
Para não nos demitirmos do acto de escolha descarregando a responsabilidade nos outros.
Para que na hora de votar, possamos fazê-lo conscientemente.
Para sermos actuantes, analisando e corrigindo as atitudes que possam prejudicar o povo e ultrajar o nome de Deus.




Então, dia 5 vamos às urnas, mas antes façamos a nossa campanha, começando já a orar pelo futuro governo de Portugal.




“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões e acções de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda a piedade e respeito.”  –  I Timóteo 2:1-2


(*) Referência ao aparato de guerra de alguns exércitos ao redor de Israel, em cuja força confiavam.

domingo, 22 de maio de 2011

A Minha Primeira Bíblia

Há precisamente 53 anos, ganhei a minha primeira Bíblia. Conservo-a até hoje.

Foi propositadamente que disse: “ganhei” porque, na verdade, não me foi oferecida, não a achei e não a comprei.
Tinha 8 anos, ia à igreja, já sabia ler, mas ainda não tinha a minha própria Bíblia. Talvez porque fosse cara; talvez por ser criança; talvez por qualquer outra coisa…
Mas um dia, a 22 de Maio de 1958, eu ganhei uma!


Durante algum tempo, não sei se muito ou pouco, nem porquê, os meus pais frequentaram a Igreja Presbiteriana (Rua de Febo Moniz - Lisboa, ainda existente). Lembro-me que, com excepção do templo e do gabinete do pastor, as instalações me assustavam um pouco.
O salão de festas (com características de pequeno teatro) era um espaço privilegiado de actividades.

Creio que foi numa noite em que fiz de “andorinha” numa peça que, após a representação, a presidente da Sociedade de Senhoras subiu ao palco, colocou uma grande caixa redonda de chapéus sobre um banco, e desafiou o auditório a, mediante um pagamento simbólico, adivinhar o que a caixa continha, sendo que esse seria o prémio para o ganhador. A única informação que a senhora dava era que lá dentro estava “o objecto mais importante, necessário e precioso para o ser humano”.
E, a cada aposta dada, visivelmente desiludida, repetia a frase.

Desde o início que insisti com o meu pai para me deixar dar um palpite (que lhe segredei) e ele, insistentemente, recusou.
Das várias apostas, fixei duas, provavelmente por as ter achado lógicas: “um copo de água” e “um despertador”, mas falharam tal como todas as outras. Eu continuava a teimar com o meu pai até que, por fim, ele lá cedeu.
Levantei a mão e disse: “É uma Bíblia!”

A senhora tapou a cara com ambas as mãos e depois, a reprimir as lágrimas, mas com a voz embargada disse: “Eu não acredito, uma criança, meu Deus, foi preciso ser uma criança”.
Eu não estava a perceber nada, fiquei até na dúvida se aquela atitude era “sim” ou “não”.
Depois, chamou-me ao palco; as pessoas batiam palmas; ela abraçou-me com força e beijou-me; e eu fiquei alegre, envergonhada e confusa com tanta efusão. Aberta a caixa, ali estava a minha primeira Bíblia.
Senti uma vaidade imensa! Tinha uma Bíblia minha, só minha!

Posso dizer que esta companheira de jornada, muito me auxiliou a vencer obstáculos, guiou os meus passos no caminho da fé e deu-me conhecimento da vontade de Deus.
Hoje, descansa na estante, velhinha e manuseada.

A Bíblia contém palavras de amor e vida capazes de nos encher de confiança e alegria. Por isso, digo como o salmista:


"Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e Luz para o meu caminho." - Salmos 119:105

domingo, 15 de maio de 2011

Sopa de Ocasião

Sinto-me privilegiada por ter conhecido muitos e dedicados homens de Deus de antigamente. Tempos socialmente difíceis e espiritualmente obscuros, com desafios constantes, em que o amor ao Evangelho se manifestava na disponibilidade e na ousadia.
Mais próxima de uns que de outros, guardo a lembrança de muitos e sinto um enorme respeito por todos eles.

O “tio” Luís Paiva era um homem de estatura baixa, calvo e de sobrancelhas fartas, tinha um sorriso enorme e olhos luminosos.

Ainda criança converteu-se ao Evangelho e, mesmo quando entrou no mundo do trabalho (tipografia) no qual se manteve até à aposentação, nunca deixou de anunciar a Palavra de Deus.
Membro da Igreja dos Irmãos nas Amoreiras, colaborou na abertura de diversas Casas de Oração a sul do Tejo e na zona de Sintra. Ao longo dos anos, percorreu vários pontos de pregação, evangelizou em hospitais e cadeias e, numa altura em que o analfabetismo era abundante, aproveitou para ensinar a ler e escrever nos locais a que se deslocava.

Morreu aos 87 anos, tendo servido ao Senhor até ao fim.

Uma noite, eu estava sozinha em casa quando ouvi a campainha e, ao abrir a porta, dei de cara com o “tio” Luís Paiva. Tinha ido pregar a uma igreja distante (creio que em Sines) e, de regresso, parou (na casa dos meus pais) para nos visitar e descansar um pouco.
Depois de algumas palavras, soube que ele não tinha jantado; logo, resolvi preparar-lhe uma refeição.
Na altura eu tinha uns 18 anos, já dominava bem a vida doméstica e era muito desembaraçada a solucionar situações inesperadas. Em boa hora, porque não havia nada feito e, convenhamos, havia pouco que pudesse ser feito.

Foi assim que saiu a minha "SOPA DE OCASIÃO"

Ingredientes:   Água temperada com pouco sal
                                    1/2 Caldo de carne
                                    um pouco de chouriço de carne
                                    1 colher de chá de azeite
                                    massa miúda q.b.

                                                                       Preparação:
Colocar uma panela pequena, com a água temperada de sal, ao lume. Quando ferver, juntar o chouriço partido em pedaços pequenos e a massinha, mexer e quando voltar a levantar fervura, baixar o lume e deixar cozer por 8 a 10m.
Por fim, juntar o azeite e o caldo de carne e mexer em lume brando até desfazer por completo.

Nota: Servir quente e acompanhar com papo-seco e azeitonas.

Há quem diga que a sopa é a consolação de um estômago necessitado.
Lembram-se quando Eliseu mandou o seu servo preparar um caldo para os filhos dos profetas numa altura em que houve fome em Gilgal (II Reis 4: 38)?
Ao contrário do caldo de Eliseu (II Reis 4: 39-41), a minha sopa feita de restos correu bem logo à primeira.
Este foi o recurso que encontrei para alimentar o "tio" Luís Paiva. Ele comeu com visível satisfação e lá foi elogiando o petisco.

Posso deixar uma dica?
Havendo água, não deixem de improvisar uma sopa, de modo a acudir às necessidades de um servo de Deus.

“Acudi aos santos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade.” – Romanos 12:13
“Porque, se há boa vontade, será aceite conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem.”
II Coríntios 8:12

domingo, 8 de maio de 2011

Deus Vê as Mulheres

Por vezes sentimo-nos invisíveis…, mas Deus vê-nos!



“Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.” – Salmo 139: 1-3

domingo, 1 de maio de 2011

O 1º de Maio




1º de Maio é conhecido e comemorado (ou feriado) como o Dia Mundial do Trabalhador.

Parece lógico, pelos motivos que lhe deram origem, que este dia e a luta deste segmento da população, se associe à revolução política e social, mas, se o trabalhador for crente, então é desejável falar também em revolução moral e espiritual. Porque, quando Cristo está presente na vida do homem, o seu trabalho transforma-se em testemunho e os resultados estão mais sujeitos à observação dos outros.

Assim sendo, o que dizem as Escrituras aos trabalhadores crentes?

“Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo; Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor, e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.” – Efésios 6: 5-8

1º - É interessante que, apesar da passagem utilizar o termo “servos” (escravos), não fala em subserviência, mas em zelo e respeito. Ou seja, é necessário ter sempre o sentimento de dever cumprido.

2º - É preciso agir sem segundas intenções. A fórmula é simples, resume-se em realizar as funções de forma honesta, com auto-respeito, não ser preguiçoso, não bajular o patrão, nem dar motivos para desconfiança.

3º - O crente deve ter sempre Cristo em mente e, em coerência espiritual, deve fazer o trabalho de boa vontade. Isso garante que terá, no emprego, uma conduta que não o deixa envergonhado na igreja, nem mancha o nome de Deus.

Mas não fica por aqui, a Palavra de Deus ainda diz que:

“Ao que trabalha o salário não é considerado como favor, mas sim como dívida.” – Romanos 4: 4
e
“Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas ao sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho…” – Êxodo 20: 9-10

Sem dúvida, isto é justiça e coerência; pois, subtrair o direito ao salário e ao descanso do trabalhador é atentar contra a sua dignidade.

Deus é fantástico. Ele pensou em tudo!

domingo, 24 de abril de 2011

Celebrar Cristo

Marcos 16: 1-2,5-6
 
Jerusalém - Jardim de José de Arimatéia
vista actual do túmulo
"Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamá-lo. E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo."

Interior do túmulo
único lugar que foi utilizado
"Entretanto no túmulo, viram um jovem assentado ao lado direito, vestido de branco, e ficaram surpreendidas e atemorizadas.
Ele, porém, lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno que foi crucificado? Ele ressuscitou, não está mais aqui, vede o lugar onde o tinham posto."


SHALOM!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Velha Rude Cruz

Jardins Bíblicos em Jerusalém
Réplica da cruz (toro que está no chão,
igual ao que Cristo carregou)





"Tomaram eles, pois, a Jesus; e Ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico."
João 19:17










Lugar da Caveira
sobre o qual Jesus foi crucificado
 







"E levaram a Jesus para o Gólgota, que quer dizer Lugar da Caveira... Então o crucificaram..."
Marcos 15: 22,24a










Em homenagem ao Senhor da minha salvação, recordo a Sua morte com um dos meus hinos favoritos - o nº 1 do meu Top - através da voz da Sampaguita, que considero ser uma das melhores intérpretes de hinos e para quem este também é favorito.



RUDE CRUZ

Rude cruz se erigiu, dela o dia fugiu,
como emblema de vergonha e pavor.
Mas eu amo essa cruz, porque nela Jesus,
deu a vida por mim, pecador.

Sim, eu amo a mensagem da cruz;
‘té morrer eu a vou proclamar.
Levarei eu também minha cruz
‘té por uma coroa a trocar.

Desde a glória do céu, o Cordeiro de Deus
ao Calvário humilhante baixou;
e essa cruz tem p’ra mim atractivos sem fim,
porque nela Ele me resgatou.

Nessa cruz padeceu e por mim lá morreu,
meu Jesus para dar-me o perdão;
e eu me alegro na cruz, dela vem graça e luz
para minha santificação

Eu aqui, com Jesus, a vergonha da cruz
quero sempre levar e sofrer;
Ele vem me buscar e, com Ele no lar,
uma parte da glória hei-de ter.

Cantor Cristão (nº 20 adenda)

“Para o conhecer e o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com Ele na sua morte; para de algum modo alcançar a ressurreição dentre os mortos” – Filipenses 3: 10-11

sábado, 16 de abril de 2011

Ser Mãe

Hoje, quando forem 21:10H, a minha filha faz 34 anos.
Perfeito, depois do príncipe, a princesa. Linda, tudo no lugar, tudo certo.
E eu que, depois do primeiro filho, pensava não poder amar outro ser com a mesma intensidade..., enganei-me.
Coração de mãe não tem limites!

Depois, também descobri que os filhos são diferentes uns dos outros, não só em género, mas em personalidade.
Não faz mal, a gente aprende.
O mais importante é que os filhos são um bem inestimável. Não pode ser mais sustentada a expressão do salmista Salomão:

“Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.” – Salmo 127: 3

Grande Bênção essa que confere Herança e Galardão aos pais. Vamos reflectir:

1º - A Bênção só existe, quando Cristo está presente no lar porque, ela, não se resume a coisa boa. Muitas vezes, é quando os filhos nos dão problemas que mais sentimos a bênção, revelada na paciência, na sabedoria e na dependência de Deus.

2º - A Herança exige responsabilidade na administração. Os filhos necessitam de incentivo, correcção e bons exemplos. Para fazermos isso da maneira mais plena possível, temos que observar a Palavra de Deus como um livro de instruções.

3º - O Galardão é uma recompensa. Ora, se os filhos assim são chamados pelo Senhor, nós somos responsáveis perante Ele das vidas que geramos. Caso contrário, o fruto não será recompensa, mas fardo.

Eu, mãe, sei que, no bem ou no mal, o meu amor está sempre presente e a protecção de Deus também.
E não é que os meus filhos são filhos do Pai Eterno?! Maravilhoso, hein?

“O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.” – Provérbios 20: 7









Feliz aniversário filha!

sábado, 9 de abril de 2011

O Teste

Quem já teve experiência de liderança em acampamentos, retiros e eventos especiais das igrejas, sabe que muitos dos participantes são emocionalmente impelidos a manifestar a decisão de receber a graça da salvação em Cristo. Até se dá o caso de algumas pessoas manifestarem essa vontade mais que uma vez, em diferentes anos ou ocasiões, tal é o impacto emocional da ideia de salvação associado à falta de convicção espiritual.

Ora, pensando bem, a manifestação pública é o lado fácil das “decisões”, porque a Salvação tem muito que se lhe diga e o mais difícil está para vir. Na verdade, sendo gratuita, a Salvação não é barata… e, ao invés de se levar Cristo a reboque como guarda-costas, é preciso segui-Lo e imitá-Lo.

Na Bíblia (Lucas 18: 18-23 – Mateus 19: 16-22 – Marcos 10: 17-22), temos o relato de um jovem rico e de boa posição social que se apresentou perante Jesus interessado em receber a vida eterna (salvação).
À partida, parecia estar ali uma pessoa disponível para acatar tudo que Jesus lhe dissesse, no entanto, o Mestre não se deixou levar pelo entusiasmo do jovem e colocou-o perante um teste de firmeza:

Questão – Conheces Deus? (Talvez Jesus quisesse que ele especificasse se O chamara de “Bom Mestre” por reconhecer a Sua divindade ou talvez estivesse a confrontá-lo com o foco que tinha em si próprio).
Não respondido. O rapaz estava indeciso.

Questão – Guardas os mandamentos? (Jesus referiu alguns, deixando de fora os de relacionamento directo com Deus).
Resposta positiva. Não matava, não adulterava, não roubava, não levantava falso testemunho e honrava o pai e a mãe.

Questão – És capaz de vender os teus bens, dar o lucro aos pobres e seguir-Me? (Esta pergunta valia maior pontuação, por ser decisiva para o resultado final).
Renúncia. Foi-se embora. Definitivamente, não estava interessado numa vida que o obrigava a largar todos os bens terrenos e a ter um único Senhor. Jesus tinha ido longe de mais com as exigências.
Realmente aquele jovem tinha algumas coisas correctas na sua vida:
Objectivo – queria ter a vida eterna.
Atitude – procurou resposta para o seu problema.
Discernimento – recorreu à pessoa certa.
Conhecimento das Escrituras – era religioso e procurava cumprir com os mandamentos.
Mas isto era insuficiente, ele não tinha a garantia da vida eterna e não queria abdicar dos bens do mundo.

Eu não disse que seguir a Cristo tem custos que podem ser elevados?!
Quantos não têm recusado segui-Lo porque querem ser eternos, mas não aderem à eternidade?
Quantos vão à igreja e sabem as verdades bíblicas, mas não as praticam?
É por isso que muitos vão tomando decisões públicas, mas no seu coração não aceitam o Senhor eterno, O verdadeiro garante da eternidade da nossa alma.


“Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.” Marcos 8: 35

sábado, 2 de abril de 2011

A Arca de Noé

Há histórias bíblicas que são clássicos das classes infantis da Escola Bíblica Dominical. Quem por lá passou sabe muito bem do que estou a falar.
Uma das mais apreciadas pelas crianças é A Arca de Noé. Aquele verdadeiro zoológico flutuante tornou-se um grande atractivo, à volta do qual se podem fazer inúmeras actividades.

Isto passa-se com as crianças, mas o desejável é que, conforme se vai avançando na idade e na compreensão, essas histórias vão sendo aprofundadas e alargadas ao contexto.


Pergunto, neste relato do Velho Testamento, qual é o atractivo para cada um de nós?
Antes de revelar o meu, vou realçar alguns aspectos acerca daquilo que podemos aprender nesta passagem.



Génesis 6: 7-8 – Deus amaldiçoou a terra e decidiu destrui-la, por causa da maldade e corrupção dos homens, mas, a Noé, decidiu poupar, porque era um homem justo e perfeito.
A nossa conduta deve ser conforme o coração de Deus, de modo a ser-Lhe agradável.

Génesis 6: 13-14 – Deus informou Noé dos seus propósitos e mandou-o fazer a arca. Noé não duvidou, nem questionou Deus.
Por absurdas que nos pareçam as formas usadas por Deus para poupar a nossa vida, devemos ouvi-Lo, ser humildes e obedientes. Há oportunidades que são únicas.

Génesis 6: 15-22 – Deus forneceu o projecto completo para a feitura da arca e deu directrizes de sobrevivência. Noé dedicou-se ao trabalho.
Muitas vezes as construções da nossa vida não dão certo porque utilizamos os nossos projectos e temos pressa nas conclusões, em vez de acreditarmos na sapiência de Deus e fazermos como Ele diz.

Génesis 6: 18 – Deus disse a Noé que devia entrar para a arca acompanhado pelo seu núcleo familiar.
Deus não criou o homem para estar só, por isso, não devemos subestimar o valor dos outros, mas aprender que precisamos uns dos outros.

Génesis 7: 2-3 – Deus ordenou a Noé que levasse para a arca pares de todos os animais.
Por segurança, não devemos descurar as outras espécies, apesar das nossas diferenças, a sobrevivência dos homens também depende dos outros animais.

Génesis 7: 6 – Noé era um homem de idade avançada, mas não se queixou por ter de fazer uma obra tão gigantesca e minuciosa.
Mesmo depois de velhos, Deus pode chamar-nos a fazer alguma coisa realmente grande, por isso não devemos sentir-nos incapazes, nem descuidar as nossas responsabilidades.

Génesis 7: 17-24 – Tudo estava como Deus mandou quando se deu o dilúvio (durante 40 dias), mas o panorama fora da arca foi assustador. Porém, não consta que Noé tivesse ficado com medo ou nervoso.
Quando aprendemos a confiar em Deus, não há nada que nos retire a paz interior.

Génesis 8: 1-19 – Passados cento e cinquenta dias, as águas começaram a diminuir. E, quando a terra já estava seca, Deus mandou Noé, a família e os animais saírem da arca.
Por vezes, durante a tormenta, agarramo-nos muito a Deus, mas quando a bonança chega, ficamos inquietos e queremos resolver tudo sozinhos. Na verdade, só os que esperam no Senhor recebem grandes resultados.

Génesis 8: 20-22 – Noé, após a protecção e libertação dada por Deus, alegrou-se e o seu primeiro pensamento foi agradecer e louvar ao Senhor.
Nos bons e nos maus momentos, Deus está a suportar as nossas emoções e a defender a nossa integridade. Por isso, devemos ser gratos e festejar a vitória sem ignorar o seu Autor.

Génesis 9: 1-7 – Deus estabeleceu novos princípios para manutenção da vida sobre a terra e forneceu-os a Noé.
Não podemos cruzar os braços. Deus só faz o que não é possível ao homem fazer.

Génesis 9: 8-17 – Deus estabeleceu uma aliança com a humanidade, na pessoa de Noé, prometendo nunca mais vir um dilúvio sobre a terra. O seu sinal é o “arco da aliança”.
Quando estamos com Deus, há sempre um arco-íris de esperança que nos desafia à confiança. Ter a bênção de Deus, é uma garantia de sucesso!

Ficamos por aqui, chegámos ao meu atractivo neste relato bíblico – o arco da aliança, conhecido como arco-íris.
O arco-íris é das coisas mais lindas e contemplativas que existem! É como se Deus chegasse, pintasse o céu e deixasse escrito: “Sabe que Eu sou Deus e cumpro as minhas promessas!”.
Para mim, é uma das manifestações mais evidentes da nossa relação com Deus.


Quando o arco aparece no céu, fico a contemplá-lo…, e usufruo duma grande sensação de segurança.
Deus é fiel!

“O arco estará nas nuvens; vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres viventes de toda a carne que há sobre a terra.” – Génesis 9:16

sábado, 26 de março de 2011

Pegadas na Areia


“Em toda a angústia deles foi Ele angustiado, e o Anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor, e pela sua compaixão Ele os remiu, os tomou e os carregou todos os dias do passado.”
Isaías 63: 9

Há uma forte probabilidade da maioria dos portugueses adultos já terem lido, pelo menos uma vez, o poema (escrito em 1964) que se vulgarizou como “Pegadas na Areia”.
Quem acredita em Deus, e quem não acredita, tem-no utilizado em mensagens de conforto porque, na verdade, ninguém fica indiferente à profundidade dessa obra traduzida em diversas línguas e comercializada das mais diversas formas.
Porém, ainda poucos conhecem a sua origem.
Margaret Fishback Powers

Em 1993 a autora publicou um livro onde conta a história que deu origem ao poema. Em 2009, saiu a versão portuguesa.
Com a sua leitura, constatei que se trata de uma grande e inspiradora experiência de fé..., quase uma aventura. Mas, já que o livro é auto-biográfico, não quero exceder-me em revelações, somente dizer que vale a pena ser lido e sugerir que o dêem de oferta a amigos descrentes.







Título: Pegadas na Areia
Autora: Margaret Fishback Powers
Editora: Estrela Polar
Venda: Grandes superfícies e livrarias




Uma noite tive um sonho.
Estava a passear na praia com o meu Senhor.
Pelo céu escuro, passavam cenas da minha vida.
Por cada cena, percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia,
um que me pertencia
e outro ao meu Senhor.

Quando a última cena da minha vida passou perante mim
olhei para trás, para as pegadas na areia.
Havia apenas um par de pegadas.
Apercebi-me de que eram os momentos mais difíceis
e tristes da minha vida.
Isso sempre me incomodou
e interroguei o Senhor
sobre o meu dilema.

"Senhor, quando decidi seguir-Te, disseste-me
que caminharias ao meu lado
e falarias comigo durante todo o caminho.
Mas apercebo-me de que,
durante os momentos mais atormentados da minha vida,
há apenas um par de pegadas.
Não percebo por que razão, quando mais precisei de Ti,
Tu me deixastes."

Ele segredou: "Meu precioso filho,
Eu amo-te e nunca te deixarei
nas horas de provação e de sofrimento. Nunca.
Quando vistes na areia apenas um par de pegadas,
foi porque Eu te carreguei no colo."

segunda-feira, 21 de março de 2011

Tempo de Poesia


Hoje celebra-se o Dia Mundial da Poesia, proclamado pela UNESCO em 1999.

A poesia pertence a um género literário que explora a musicalidade das palavras e faz, através das suas imagens, sugerir emoções, despertar sentimentos e produzir contemplação.
O texto não é, necessariamente, escrito em verso, mas, quando se trata da letra para um hino, a poesia é rimada e acompanhada por uma composição musical.

A Bíblia tem uma vasta obra poética. Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares formam a divisão dos livros poéticos das Escrituras. Aliás, basta ficarmos atentos ao ritmo e harmonia desses textos, para adivinharmos o seu estilo. No caso concreto dos Salmos, sabemos que muitos foram musicados e cantados.


O Salmo 121, uma das mais belas declarações de confiança em Deus, é um dos meus favoritos, pela estética, pela mensagem e pela sabedoria com que as verdades espirituais são retratadas, é o poema que escolhi para comemorar este dia.
Caracterizado como "cântico de romagem", destinado a música vocal, era cantado pelos peregrinos quando iam às festas em Jerusalém.
Aqui fica uma versão de língua portuguesa, que conheço desde a infância e que trauteio com frequência.

SALMO 121

Para os montes olharei, donde me vem salvação?
Meu socorro vem de Deus, o Senhor da criação.

Pelo meio dos perigos, não te deixará cair;
quem a Israel guardava, não dormiu, nem vai dormir.

O Senhor é quem te guarda; sombra à tua destra está,
nem de dia, nem de noite, sol ou lua ofenderá.

O Senhor é quem te guarda; guardará de todo o mal,
tua entrada e saída, desde agora e até final.

Autor – não identificado, in Bíblia Sagrada
Versão Portuguesa – autor/compositor brasileiro (desconheço a identidade), in A Voz Missionária

sexta-feira, 11 de março de 2011

Jesus - Eu Sou

Em todo o evangelho de João a principal figura é Jesus e a ênfase especial é a sua divindade e aquilo que representa para nós.

Afinal, quem é esse Jesus que, ao lermos este evangelho, somos impelidos a adorar?

Pelas suas próprias palavras, Jesus fez uma série de afirmações directas (7), utilizando imagens simbólicas que favorecem a nossa compreensão.





        EU SOU...





O Pão da vida (6: 35) – sacia a fome espiritual dos que vão até Ele;

A Luz do mundo (8: 12) – põe as trevas fora da vida de quem o segue;

A Porta (10: 7, 9) – garante o acesso ao Pai;

O Bom Pastor (10: 11, 14) – dá a vida por nós e conhece-nos de forma pessoal;

A Ressurreição e a Vida (11: 25) – transforma a realidade da morte para os que crêem;

O Caminho, a Verdade e a Vida (14: 6) – é o único veículo libertador para uma vida com Deus;

A Videira verdadeira (15: 1, 5) – pertencendo ao Corpo de Cristo podemos produzir muito fruto que glorifique a Deus.

Ainda, neste mesmo evangelho, Jesus deixa-se reconhecer e confirma ser:

O Messias (4: 25, 26) – o Cristo, o Rei ungido que oferece salvação e liberdade;

O Filho do Homem (8: 28) – o cumprimento das profecias messiânicas do V.T. ao ser homem;

O Filho de Deus (10: 36) – a expressão pessoal de Deus, manifestada em forma humana;

Mestre e Senhor (13: 13) – o exemplo físico e divino de serviço e humildade.

Em todos estes atributos, encontramos a expressão EU SOU, mas quanto a mim, esta denominação toma mais relevância quando é apresentada isoladamente (8: 24, 28, 58), pois é a confirmação cabal de que Jesus é Deus com o Pai (10: 30; 12: 45; 14: 9).
Aliás, o evangelho de João começa por reconhecer isso mesmo, quando afirma que, mesmo antes de haver tempo, Jesus existia na essência de Deus.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o VERBO era Deus.” – João 1: 1

“Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que EU SOU, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.”
João 8: 28

“Verbo” e “Eu Sou”, a confirmação plena de que estamos a falar do Deus eterno, eu gosto muito disso!

sábado, 5 de março de 2011

Crentes e Participantes

Volto ao último tema porque, enquanto escrevia, esteve muito presente em mim a ideia do corpo de Cristo.

“Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função; assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.” – Romanos 12: 4-5
Quando nos convertemos, passamos a fazer parte do corpo de Cristo e somos coagidos ao dever de praticar a fé. Porém, muitos crentes têm a ideia de que não é importante a sua participação activa na comunidade religiosa e no mundo, quer dizer, basta ir aos cultos (ou talvez não) e a prática da fé está cumprida.
Por isso, a figura do corpo é muito eficaz para explicar a Igreja. O corpo é constituído por diversas partes e órgãos responsáveis por uma ou mais funções, porque nele nada está ao acaso, nem a mais pequena célula. Da mesma forma, também o grupo de crentes é composto de muitas e diferentes vocações, capacidades, formação, dons e maturidade espiritual. Logo, devem complementar-se, tornando a Igreja viva e actuante.

Não pretendo fazer uma exposição exaustiva sobre o assunto, mas convém deixar claro que todos os crentes são importantes porque, a cabeça é Cristo, a quem pertence o comando, mas ao corpo compete obedecer e agir.

“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é que opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso.”
I Coríntios 12: 4-7

Há uns anos atrás durante um retiro da União Bíblica e no decorrer de um estudo sobre dons, uma senhora, com  perto de setenta anos, interrompeu o palestrante e disse convicta: “Eu sei qual é o meu dom. Eu faço a limpeza da minha igreja!”
Virei a cabeça na sua direcção e fiquei com as lágrimas nos olhos, não porque ache que, em si, fazer a limpeza seja um dom, mas porque servir é um dom e porque aquela mulher simples expressou uma enorme gratidão a Deus nas suas palavras.
Depois, sorri e fiquei a imaginar como aquela Casa de Oração devia cheirar a limpeza e reflectir o toque que só a sensibilidade das mulheres permite.

Trabalho que não agrada; trabalho não valorizado; trabalho que não é realizado à vista dos outros…, mas, seja qual for o serviço, mesmo o mais modesto, quando é feito com alegria e humildade, agrada a Deus.

Grande lição, nunca mais esqueci!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Não, Porquê?

Imagine alguém que aceita participar numa corrida, equipa-se, vai até à pista e pisa a linha de partida, mas, quando é dado o sinal para iniciar a prova, recusa-se a prosseguir. Isto faz sentido?
As desculpas podem ser muitas e, invariavelmente, passam por alegadas incapacidades, mas a verdade principal é a falta de vontade e o medo.

Há crentes assim. Pessoas que, depois da conversão, se preparam biblicamente e reconhecem as necessidades da obra, mas quando Deus as chama ao trabalho, ficam com medo, recusam e dão desculpas inusitadas.
Acontece que Deus, desde sempre, tem usado para a sua obra pessoas com os mais diversos problemas. Vejamos alguns exemplos:

David cometeu adultério (II Sam. 11:2-4), no entanto o Senhor o perdoou e inspirou, tendo escrito os mais belos hinos e orações das Escrituras Sagradas.

Timóteo sofria do estômago, talvez tivesse uma úlcera (I Tim. 5:23), mas isso não o impossibilitou de realizar uma obra evangelística e fazer viagens missionárias.

Abraão era muito velho (Gén. 17:17), mas, mandado por Deus, saiu da sua terra sem saber para onde ia, foi constituído como pai de numerosas nações e teve um filho.

Moisés tinha bariglossia o que lhe dificultava a fala (Ex.4:10), mas Deus o escolheu para dirigir e libertar o povo de Israel.

Pedro foi medroso e impulsivo (Mat. 26:69-74 e João 18:10), mas, quando foi revestido pelo poder do Espírito Santo, tornou-se um dos grandes iniciadores da igreja e divulgador do evangelho.

Jonas era rebelde (Jonas 1:1-3), entretanto, acabou por pregar a Palavra de Deus de forma tão poderosa que toda a cidade de Ninive se converteu ao Todo-Poderoso.

Léia era uma mulher sem atractivos físicos e solteirona (Gén. 29:17, 23-26), mas isso não foi impeditivo de Deus a honrar, sendo mãe dos fundadores de seis das tribos de Israel, incluindo a de Levi, tribo sacerdotal, e a de Judá, que gerou Cristo.

Gideão era pobre e tinha o complexo de inferioridade (Jz. 6:15), no entanto, não duvidou do poder de Deus e tornou-se um grande líder, libertador e guerreiro.

Paulo era perseguidor da igreja e tinha problemas de visão (Actos 8:3 e Gál. 4:13-15), mas isso não obstou a que fosse o grande missionário da igreja primitiva, escrevesse várias cartas para as comunidades que visitou e fosse preso por amor ao evangelho.

Sansão foi mulherengo (Jz. 14:1-2, 16:1 e 4), mas Deus dotou-o de força física para livrar Israel do poder dos filisteus.

Samuel era ainda criança (I Sam. 2:18, 3:4), Deus falou-lhe e ele, além do grande discernimento espiritual, teve uma vida de fidelidade e serviço ao Senhor e veio a ser o primeiro profeta de Israel.

Zaqueu era baixote o indesejado (Luc. 19:3 / 7), mas quando se converteu, passou a ser justo e não só decidiu contribuir para os pobres, como restituir quatro vezes mais àqueles que tinha espoliado.

Raabe era prostituta (Josué 2:1), ainda assim, foi justificada por Deus quando escondeu dois espiões da nação de Israel e figura na genealogia de Jesus.

João Batista era extravagante (Mat.3:4), mas foi o escolhido por Deus para preparar o caminho para o ministério do Senhor Jesus.

Nesta amostragem vimos pessoas diferentes umas das outras, usadas por Deus para tarefas igualmente diferentes.

Sabe que não há duas pessoas iguais? Isso pode provar-se pelo ADN, pelas impressões digitais, mas também pela aparência, o carácter, as vivências, as patologias e as capacidades. Deus fez-nos absolutamente únicos e especiais!
Se todos os crentes desempenhassem uma tarefa na obra de Deus e, independentemente das diferenças e limitações, usassem os seus dons, certamente as igrejas funcionavam mais eficazmente. Se Deus quer usar-nos, não, porquê?

“Tu a quem tomei das extremidades da terra e chamei dos seus cantos mais remotos e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e nunca te rejeitei, não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” - Isaías 41: 9-10