"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


sábado, 13 de agosto de 2011

Felicidade vs Paz


A menos de cinco minutos da minha casa situa-se a Igreja Matriz de Loures.

Fora do movimento urbano, todo o espaço envolvente é muito tranquilo.



Para mim é um lugar privilegiado que frequento, quase diariamente, ao fim da tarde, ou a qualquer hora aos fins-de-semana e feriados.

Ali, os meus netos e a cadelita brincam livremente, fazemos descobertas, apanhamos flores silvestres e visitamos o riacho.
E, quando as crianças não estão, posso sentar-me a ler, ou simplesmente a pensar, sem contar o tempo.


"Casa do Adro"
Depart. de Cultura da C. Municipal
 

O barulho do silêncio, o ar fresco e as cores limpas da natureza… tornam esse local fantástico para curtir a minha solidão, nem calculam quanto!





Hortas
 
Há uns dois anos, numa manhã muito serena, estava eu entregue à leitura (exactamente nesse banco) quando fui interrompida por um inesperado: “Bom dia!”

Levantei os olhos, respondi e regressei à leitura.



Era um homem que, posteriormente, me disse ter oitenta e tal anos (não recordo bem quantos). Alto, muito bem vestido, com um porte distinto e bem parecido.

Após um breve silêncio, disse:
- Já viu isto minha senhora? Monumentos ricos, muitas palavras, mas nós continuamos a ser infelizes.

Percebi que se referia à igreja.

- Eu sou do Norte, raramente venho cá a baixo a casa duns familiares, mas desde que a minha mulher morreu gosto de andar por aí sozinho. Trabalhei desde muito novo, consegui ter a minha própria empresa. Não me falta nada, tenho dinheiro, fui sempre um homem honesto, mas sinceramente vivo insatisfeito, não sou feliz.

- Pois é, mas quem disse que a felicidade está nos edifícios ou nas palavras?

- A senhora é feliz?

- Não!

Ele sorriu como se já soubesse o que eu ia responder.
- Está a ver?!

Sem quase lhe dar tempo a respirar, respondi:
- Mas eu tenho paz!

- Como minha senhora, qual paz? Eu só vejo guerra por todo o lado, no mundo, nas famílias, nas religiões…, não se pode confiar em ninguém.

- Não estamos a falar da mesma coisa. Eu refiro-me à paz interior que tenho comigo e com Deus. É uma paz que ultrapassa todos os cenários bélicos da vida. Por isso, há muitas contrariedades que não me deixam ser feliz, mas ainda assim, eu tenho paz. Posso dar-lhe uma perspectiva bíblica sobre a paz que eu sinto?

E sem esperar o consentimento:
- Cristo quando estava prestes a deixar o mundo disse aos discípulos – e citei João 14:27 – «Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.» Ora, isto serve para os nossos dias. Esta é a minha paz, não a do mundo, mas a que Deus oferece.

- E se eu não acreditar em Deus?

- Bom, se o senhor não acredita, a sua visão sobre Paz e Vida são muito redutoras; não tem perspectiva.

- É capaz de ter razão.

- Acredite, eu e todos os que entregam a sua vida aos desígnios de Deus, sentimos esta paz. Então, podem vir tempestades porque estamos seguros.

Depois olhou o relógio:
- Oh minha senhora, fez-me bem falar consigo este bocadinho. Gostei do que disse.
Agora, tenho de ir porque me esperam para almoçar e não quero que se preocupem.

- Sim senhor, passe bem e lá na sua terra procure alguém que conheça Deus e o possa ajudar, porque Ele faz toda a diferença na nossa vida e no nosso pensamento.

- A senhora é católica?

- Não, sou evangélica.

- Quem sabe um dia voltamos a ver-nos. Tenha um bom dia.

Esta é a substância dum diálogo inesperado, numa agradável e tranquila manhã.
Não tive à-vontade para pedir o contacto do senhor, mas espero ter desorganizado o seu esquema de valores e que isso o tenha levado a procurar Deus.
Nunca mais o vi.

Normalmente as pessoas procuram a felicidade porque a relacionam com coisas palpáveis que nunca nos satisfazem, mesmo quando, humanamente, já se tem tudo. Porque, a felicidade é relativa e não tem a mesma dimensão para todos.
Porém, a paz com Deus, apaga toda a angústia e dá tranquilidade ao que crê.

“Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” – Romanos 5:1

Shalom!

domingo, 7 de agosto de 2011

As Orações de Jesus

“Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava”
Lucas 5: 16

Um dos aspectos da vida de Jesus que mais excita a minha imaginação é o facto d’Ele ter orado. Ninguém mais que Jesus pode ter conseguido uma comunhão perfeita com o Pai e, no entanto, Ele demonstrou, sempre, uma total dependência.
Não é verdade que esta dicotomia parece estranha?
Mas creio que Jesus apesar da sua associação ao Pai, vivendo na carne, tinha uma necessidade absoluta de fortalecer a intimidade com a sua essência e criar defesas para a sua condição humana. O Pai conhecia o coração e o pensamento do Filho, mas expressá-los libertava os desejos e os fardos de Jesus que demonstrou sempre uma absoluta submissão ao Pai.

Temos tudo a aprender com o Mestre: conexão, comunhão, dependência e submissão.
Então, vamos ao encontro de Jesus para, numa breve análise, tomarmos parte das condições e desvendar alguns objectivos das orações relatadas na Palavra de Deus:

Junto ao rio Jordão, perante uma multidão, aquando do seu baptismo – Lucas 3:21

Em lugar deserto, durante a madrugada – Marcos 1:35

Num lugar solitário, fugindo à multidão, após ter realizado milagres – Lucas 5:16

No monte, durante toda a noite, preparando-se para escolher os discípulos – Lucas 6:12

Durante o sermão da montanha, quando ensinou os discípulos a orar (oração modelo) – Mateus 6:9-13

Em gratidão ao Pai por revelar as verdades eternas aos simples – Mateus 11:25-26

No monte, junto ao mar, dando graças antes de alimentar a multidão (multiplicação dos pães e dos peixes) – João 6:11

No cimo do monte, a sós, desde que caiu a tarde até de madrugada – Mateus 14:23

Junto aos discípulos, mas em particular – Lucas 9:18

No monte, com Pedro, Tiago e João, quando ocorreu a transfiguração – Lucas 9:28-29

Perante a multidão, pediu ao Pai para abençoar as crianças – Mateus 19:13-14

Em lugar de sepultamento, publicamente, antecedendo a ressurreição de Lázaro – João 11:41-42

Junto da multidão que ia adorar no templo em Jerusalém, glorificou o Pai pelo seu desígnio – João 12:27-28

À tarde, numa casa da cidade, junto com os discípulos, durante a última ceia – Mateus: 26:26-27

Após a ceia, ao avisar Pedro sobre as ciladas de Satanás, rogou pela sua fé – Lucas 22:32

Com os discípulos, depois de os instruir e confortar acerca da sua morte, intercedeu por si, por eles e pelos futuros crentes (oração sacerdotal) – João 17

No Jardim do Getsêmani, deixou os discípulos e, a sós, entregou-se à vontade do Pai – Mateus 26:39,42,44

No lugar do Gólgota, de manhã, pregado na cruz, pediu perdão para os que o martirizavam – Lucas 23:34

Ao fim da tarde, crucificado e em agonia, questionou a ruptura com o Pai – Mateus 27:46

Pudemos ver Jesus nas mais diferentes circunstâncias, horas e locais, a orar por si próprio e pelos outros. Haverão muitas mais vezes que não estão registadas.
Destas passagens, ressalta que Ele sempre clamou pelo Pai, privilegiou a oração a sós e aceitou a vontade do Altíssimo independentemente do resultado.

Eu estou muito grata a Jesus por se ter lembrado de mim naquela sublime oração sacerdotal!

“Perseverai em oração, velando nela com acção de graças.”
Colossenses 4:2

sábado, 30 de julho de 2011

Amigos


Todos nós temos pelo menos um amigo, digo eu…
Mas não devemos confundir com aquele uso dilatado da palavra que, por falta de outro termo que o defina, nos leva a dar a mesma
terminologia a todas as pessoas com quem nos relacionamos.

Não! Amigo, é amigo, é um sentimento especial.

Salomão disse uma coisa linda:
"Em todo o tempo ama o amigo e na angústia se faz o irmão." Provérbios 17: 17

Isso mesmo, esta é uma profunda e sábia definição da amizade.

Na Palavra de Deus encontramos diversos exemplos de amizades especiais, tais como: David e Jônatas; Rute e Noemi; Josué e Calebe; Elias e Eliseu; Daniel, Ananais, Misael e Azarias; Paulo, Priscila e Áquila; Filipe e Natanael; Jesus e João.
E, depois, temos a excelência da amizade entre Deus e Abraão e, também, entre Deus e Moisés.

Amigos!

Lembrar ou reencontrar amigos permite-me sempre ter momentos mágicos.
Há teóricos que dizem que a amizade deve dar tudo e não olhar ao que recebe, mas eu quero dar e receber e que nesta troca haja merecimento e reconhecimento. Quero sentir prazer na partilha.

Claro que as vicissitudes da vida se encarregam de nos afastar no espaço, mas para a amizade não há tempo nem distância; talvez por isso, tenho amigos que duram há mais de 50 anos. São pessoas com quem tenho história, de quem sinto saudades e de quem gosto de gostar!
Quem me dera poder ver a cada um mais vezes e conversar muito, rir, emocionar-me e não ter pressa. Quando acontece é uma alegria imensa; quando não, fico pela vontade.

Em homenagem a todos os amigos que estão selados no meu coração, vou referir-me a uma amizade que, se pensada, consideraria improvável…, mas aconteceu!

Improvável, porque a Viviana era um tantinho mais velha que eu e porque só a via quando ela ia de visita à igreja onde o então noivo (Pr. Jorge Leal) ministrava, mas a verdade é que nasceu entre nós (incluíndo o pastor) uma amizade que já leva 46 anos e confesso, a empatia foi muito rápida e a relação favorecida pelo facto de terem casado pouco tempo depois e ficado a viver perto da igreja e da minha casa.

Depois, quando ela ficou grávida, a partilha foi imensa. Eu vivi meses de uma inexprimível felicidade. Caramba, como aquele bebé foi desejado e amado!
E não é que me convidaram para madrinha?

Até hoje sinto essa vaidade. Eu era uma miúda, ainda estudava, não tinha nada para dar… só amor.
A cada dia o laço da nossa afeição era maior. E, enquanto cuidávamos do menino, ficávamos horas a conversar, por vezes com lágrimas e muitas a rir (nós riamos muito), à mistura com chá e torradas.

Mas, passados alguns anos, veio o tal afastamento que a vida nos impõe e... fomos estando por aí, preservando o bom sabor da amizade, com a sensação de que amanhã ou depois nos vamos ver outra vez, mesmo que passem não sei quantos anos.




A Viviana continua a ser especial para mim, porque há amizades que se tornam verdadeiros casos de irmãos.





E agora, estou com uma lágrima no canto do olho, vou terminar com palavras do Mestre da amizade:

“O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que
Eu vos mando.” – João 15: 12-14

domingo, 24 de julho de 2011

Fechado para Férias

Apesar das condições sazonais não estarem de feição e de muito se falar na crise, a verdade é que, para a maior parte dos portugueses, chegaram as férias. Afinal de contas, é um tempo merecido (ou não), retemperador e uma bênção de Deus que instituiu o descanso.

E então?

Há coisas de que só abdico se forem muito bem explicadas e convincentes; e, sim, fico profundamente triste com certos argumentos e decisões, indigno-me e não me silencio.

É que, a vida da igreja local, quando não é alimentada nos seus reais objectivos, pode tornar-se um meio de subsistência para alguém, um enaltecer do ego para alguns, ou, ainda, o saciar do cumprimento religioso de outros, mas não dignifica o nosso carácter de filhos do Altíssimo.

A presunção de líderes que fazem do ministério um emprego livre e não um sacerdócio e a displicência com que tomam decisões unilateralmente, o silencioso “consentimento” da membresia, só pode ter como resultado: falta de crescimento da igreja, crentes despojados e descrentes estimulados à dúvida e à crítica.

A igreja tem de ser um corpo vivo e actuante, não pode tirar férias. O crente pode ausentar-se por alguns dias, mas tem que programar esse período de forma a deixar alguém no seu lugar, para que as actividades não parem. Os diferentes departamentos devem planear actividades de acordo com as disponibilidades. O líder não pode descurar a missão a que foi chamado e sair sempre que há fins-de-semana prolongados, nem fazer férias de Natal, Carnaval, Páscoa e Verão, como se não tenha obrigações; não deve entregar o púlpito a qualquer um, não pode reduzir o trabalho da igreja a um culto semanal quando lhe convém.

A igreja é formada por pessoas que necessitam de comunhão e cuidados espirituais.
- Que faria aos seus utentes um hospital que fechasse para férias?
- Não será normal uma igreja estar operante para receber crentes de outras comunidades que queiram cultuar na sua zona de férias?
- Todos os membros têm poder financeiro para fazer férias fora de casa e portanto não ficarem dependentes da sua igreja para congregar?
- Mesmo que a assistência baixe um pouco, o versículo de Mat. 18:20 “Onde estiverem dois ou três, reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles” não é válido dentro da igreja?
- E, se Deus fechasse para férias?

Por este andar, quem sabe se, depois dos serviços mínimos, um dia não se cancelam mesmo todos os cultos e ao chegar à igreja nos deparemos com um dístico:
Eu por mim quero uma igreja aberta e continuo a dizer:
“Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” Salmo 122: 1

sábado, 16 de julho de 2011

Grandioso és Tu!


“Os céus declaram a glória de Deus e
o firmamento anuncia a obra das suas mãos.”
Salmo 19: 1

sábado, 9 de julho de 2011

O Burlão que Procurou Deus


Em 1955, no dia 9 de Julho, morreu de enfarte do miocárdio, aquele que foi o maior burlão da história portuguesa, Artur Virgílio Alves dos Reis, homem de invulgar inteligência, nascido numa família de parcos recursos.
O seu nome ficou conhecido e para sempre ligado à história portuguesa devido à falsificação de duzentas mil notas de 500$00 do Banco de Portugal, mas isso foi só uma parcela da série de esquemas fraudulentos que perpetrou e lhe deram uma vida faustosa.


O que me leva a falar de Alves dos Reis, não é a vida devassa, engenhosa e criminosa que teve, mas o que poucos sabem e tem a ver com o amor misericordioso de Deus.

“Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.”
Isaías 43: 25

Preso a 6 de Dezembro de 1925, enquanto aguardava julgamento, Alves dos Reis começou a estudar a Bíblia, em busca de auxílio para se redimir dos males que tinha feito.
Em Maio de 1930, foi julgado e fez a confissão de todos os crimes de que estava acusado, sendo condenado a 8 anos de prisão e 12 de degredo.
Depois, enquanto cumpria a pena, dedicou-se à escrita do livro “O Segredo da Minha Confissão”, no qual reafirmou o que dissera em tribunal, tanto na revelação da culpa, como na defesa de todos os que envolvera como cúmplices nas fraudes por si arquitectadas.

O 1º volume foi publicado em 1931, com enfoque nos versículos:

“Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes? Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus.” – João 8: 46-47
“Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?” – Mateus 7: 16

e o 2º volume em 1932, que abria com a citação:

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam, mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” – Mateus 6: 19-21

Na Penitenciária de Lisboa, veio a conhecer José Ilídio Freire (ancião da Igreja Evangélica das Amoreiras) que ali se deslocava para pregar o Evangelho e dar assistência espiritual aos reclusos. E, foi com ele que Alves dos Reis aprofundou a Palavra de Deus e se converteu ao protestantismo.

Saiu em liberdade a 5 de Maio de 1945.

Passou então a frequentar a Ig. das Amoreiras, tendo chegado a apresentar mensagens. Mas teve de enfrentar uma vida de dificuldades e sem reintegração na sociedade, curiosamente, não pelo seu passado, mas pela sua fé evangélica que o regime de Salazar deplorava.
Os três filhos: Guilherme Joaquim, José Luís e Luís Filipe, sofreram de graves problemas de saúde (doença degenerativa e paralisante), sendo que um morreu ainda jovem.
Alves dos Reis morreu pobre, mas deixou um legado de fé aos filhos que se converteram e vieram a frequentar a III Igreja Evangélica Baptista de Lisboa (um, transportado num “tabuleiro” e o outro que, deslocando-se com duas bengalas, permanecia de pé encostado a uma coluna propositadamente almofadada para ele). Esse, o Guilherme, teve três filhos que também educou no Caminho de Deus.

Isto prova que, não interessa qual é o estado moral ou físico da pessoa, para Deus não há impossíveis.

“Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.” – Mateus 9: 13


(03.09.1898 - 09.07.1955)


sábado, 2 de julho de 2011

Bodas de Ouro


ANTÓNIO DOS SANTOS

78 Anos
Casado durante 52 anos com a irmã Natália Santos (já falecida)
Pai, avô e bisavô

Mas, acima de tudo, obreiro na seara do Mestre.



Faz hoje 50 anos de ministério ao serviço da Terceira Igreja Evangélica Baptista de Lisboa.

Este bonito aniversário, que vale ouro, leva-me a homenagear o Pastor, lembrando a dedicação que sempre teve ao evangelho, ao pastorado e à igreja local.
Ao pensar neste longo percurso de que eu sou testemunha de muitos, muitos anos, lembrei-me de dois episódios do Velho Testamento que nos falam do empenho e perseverança de dois velhos homens de Deus (Moisés e Abraão). Foi assim:

“Fez Josué como Moisés lhe dissera, e pelejou contra Amaleque; Moisés, porém,
Arão e Hur subiram ao cume do outeiro.
Quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque. Ora as mãos de Moisés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra e a puseram por baixo dele, e ele nela se assentou; Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um de um lado e o outro do outro; assim lhe ficaram as mãos firmes até ao pôr-do-sol.
E Josué desbaratou a Amaleque e a seu povo,
ao fio da espada.” – Êxodo 17: 10-13

Isto é muito lindo!
Emociono-me sempre com esta passagem. O líder que mantêm a visão do ministério, por isso ora e abençoa o povo de Deus.
E quando o cansaço, o desânimo, ou a idade, parecem ser inimigos; é altura de se levantarem os Arão e os Hur para sustentar, auxiliar e animar os homens de Deus a manter o sacerdócio.

“Apareceu o Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à entrada da tenda,
no maior calor do dia. Levantou ele os olhos, olhou, e eis três homens de pé em frente dele. Vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro e prostrou-se em terra e disse: Senhor meu, se acho mercê em tua presença, rogo-te que não passes do teu servo.
Traga-se um pouco de água, lavai os vossos pés e repousai debaixo desta árvore; trarei um bocado de pão, refazei as vossas forças visto que chegastes até vosso servo, depois seguireis avante. Responderam: faze como disseste.
Apressou-se, pois, Abraão para a tenda de Sara, e disse-lhe: Amassa depressa três medidas de flor de farinha e faze pão assado ao borralho. Abraão, por sua vez, correu ao gado, tomou um novilho, tenro e bom, e deu-o ao criado, que se apressou em prepará-lo. Tomou também coalha de leite, e o novilho que tinha mandado preparar, e pôs tudo diante deles; e permaneceu de pé junto a eles debaixo da árvore; e eles comeram.” – Génesis 18: 1-8

Caramba, que cena admirável!
Mais um momento lindo, que me deslumbra. O homem de posses, idoso e honrado, disposto a acolher e a cuidar dos outros pessoalmente.
É ainda mais impressionante o exemplo desse homem, quando constatamos a desenvoltura com que recebeu e serviu, sendo a hora de maior calor, em que era normal estar a descansar.

Bem-haja Pastor Santos, eu vi isto…, que Deus grandemente o abençoe e obrigada pela sua dedicação!

Porque dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém. – Romanos 11: 36

domingo, 26 de junho de 2011

Os Doze

Jesus escolheu doze homens, de entre os que O seguiam, para serem seus apóstolos e, assim, participarem do seu ministério, preparando-os para divulgar o Evangelho. Mas, para essa escolha, primeiro Jesus buscou a vontade do Pai com quem esteve em comunhão durante uma noite.
Esta foi, sem dúvida, uma chamada irresistível, mas também arriscada, afinal, cada um acabou por ter a sua quota-parte de importância na formação da igreja.

“Naqueles dias retirou-se (Jesus) para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.
E quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor.” – Lucas 6: 12-16

Doze homens, cada um diferente do outro, com características e vivências diferentes:

SIMÃO * nome hebraico que quer dizer “Aquele que ouve” – filho de Jonas ou João, (Barjonas) Mateus 16:17 e irmão de André Marcos 1:16; natural de Betsaida João 1:44; casado Mateus 8:14; Jesus chamou-o de PEDRO (em grego), o mesmo que CEFAS (em aramaico) João 1:42 que quer dizer “Pedra”; era pescador Marcos 1:16; empresário Lucas 5:8-10; residia em Cafarnaum, na Galiléia Marcos 1:21,29; impulsivo João 18:10; medroso Marcos 14:71; com marcado sotaque galileu Marcos 14:70; alfabetizado, pois escreveu às igrejas da Ásia Menor I e II Pedro.

ANDRÉ que quer dizer “Viril” – era discípulo de João e tornou-se o primeiro a seguir Jesus João 1:40; natural de Betsaida João 1:44; irmão de Pedro, a quem levou a Jesus João 1:41; residia junto com o irmão em Cafarnaum, na Galiléia Marcos 1:21,29; pescador Marcos 1:16.

TIAGO * que significa “O que suplantou” – filho de Zebedeu e irmão de João Marcos 1:19; provavelmente primo de Jesus **; pescador Marcos 1:19; empresário Marcos 1:20; protegido pela mãe Mateus 20:20-21; talvez intempestivo (Boanerges) Marcos 3:17 (Lucas 9:54).

JOÃO * ou seja “Deus é bondoso” – filho de Zebedeu e irmão mais novo de Tiago (o nome de Tiago aparece sempre primeiro) Marcos 1:19; provavelmente primo de Jesus **; pescador Marcos 1:19; homem de negócios Marcos 1:20; protegido pela mãe Mateus 20:20-21; talvez intempestivo (Boanerges) Marcos 3:17 (Lucas 9:54); bem relacionado socialmente  João 18:15-16; da máxima confiança de Jesus João 19: 26-27; alfabetizado, na Bíblia figuram o Evangelho, 3 Epístolas e o livro do Apocalipse de sua autoria.

FILIPE nome grego que quer dizer “Aquele que gosta de cavalos” – morador de Betsaida João 1:44; com espírito evangelizador João 1:45.

BARTOLOMEU cujo nome próprio seria NATANAEL que quer dizer “Dádiva de Deus” – filho de Tolmai (Bartolomeu); natural de Cana da Galileia João 21:2; chamado por Filipe João 1:45; homem íntegro João 1:47.

MATEUS nome que quer dizer “Oferta de Deus”, também conhecido como LEVI Marcos 2:14 que quer dizer “Unido”– filho de Alfeu Marcos 2:14; cobrador dos impostos Mateus 9:9; rico Lucas 5:29; alfabetizado, dada a natureza do seu trabalho e porque escreveu o evangelho que levou o seu nome.

TOMÉ que significa “Gémeo”, também conhecido pelo nome hebraico DÍDIMO João 20:24 com o mesmo significado (provavelmente, teve um gémeo) – fiel João 11:16; interessado em desfazer dúvidas João 14: 5 e 20:25.

TIAGO que quer dizer “O que suplantou” – filho de Alfeu Mateus 10:3; podia ser irmão de Mateus (pois o pai tinha o mesmo nome) e/ou de José Mateus 27:56; era identificado como “o menor” Marcos 15:40, caso a passagem se refira a este Tiago.

SIMÃO nome hebraico que quer dizer “Aquele que ouve” – chamado de zelote (nome grego dos que seguiam o partido nacionalista) homem público e político Lucas 6:15.

TADEU que significa “O corajoso” cujo nome próprio seria JUDAS Lucas 6:16 que quer dizer “Deus é glorificado” – filho de Tiago Lucas 6:16; gozava dos cuidados de João João 14:22.

JUDAS ISCARIOTES o nome próprio quer dizer “Deus é glorificado”, o apelido tem a ver com a terra de origem, Queriote, cidade de Judá – filho de Simão Iscariotes João 6:71; hipócrita, ladrão e tesoureiro do grupo João 12:4-6; somítico Mateus 26:14-15; traidor Marcos 14:10; auto-critico Mateus 27:3-4; suicida Mateus 27:5.

* – Faziam parte do núcleo duro de Jesus (Pedro, Tiago e João).
** – Por exclusão de partes, comparando Mateus 27:56, Marcos 15:40 e João 19:25.

domingo, 19 de junho de 2011

Nós e os Outros

“O Triunfo dos Porcos”, excelente romance de George Orwell, conta a história de uma revolução animal. Trata-se de um velho porco que incita os outros animais da quinta contra a exploração a que estavam sujeitos pelo dono. Tendo morrido em poucos dias, foi substituído na direcção da luta por três outros porcos que, expulsam o dono da quinta, promovem a auto-gestão e fazem progredir a economia da propriedade, bem como a igualdade e o desenvolvimento social dos animais.
Foi então que esses dirigentes se tornaram corruptos pelo poder e, numa assembleia, perante o desagrado demonstrado pelos outros animais, decretaram uma nova ética: “Todos somos iguais, só que uns somos mais iguais que os outros.”

Este é o ponto a que queria chegar porque, é bonito e soa bem essa coisa da igualdade, mas na prática, o que é que cada um de nós tem feito, sem que, lá atrás na nossa mente, não exista a ideia de que “uns somos mais iguais que os outros”?

Vamos imaginar que correspondíamos ao mandado de Cristo: “Ide e pregai o Evangelho a toda a criatura.”

Toda… que toda?
É que, na verdade, não só não atingimos, como nem sequer pensamos em certos segmentos da sociedade. Ou seja, fazemos um “apartheid”, mesmo que de forma inconsciente, no que toca à evangelização.
Sei que há algumas excepções… poucas! Conheço muitos crentes sem preconceitos… talvez alguns!
Mas, no geral, somos o espelho da sociedade em matéria de diferenças e descuramos tanto o acessório (os meios), como o essencial (a salvação de almas).

Posto que o Evangelho é para todos, vejamos as condições que oferecemos nos locais de culto:
- se todos conseguimos subir uma rampa, porque é que quando não há espaço suficiente para dois acessos se opta pelos degraus?
- quando somos visitados por estrangeiros, havendo na igreja quem saiba a língua, porque não se faz a aproximação para tradução do culto?
- porque não é promovida a formação em língua gestual para facilitar a evangelização de surdos?
- com a caridade feita na distribuição de alimentos aos sem-abrigo, porque não se fala de Cristo e não se indica uma igreja próxima?
E depois, temos ido às prisões, temos visitado as instituições de deficientes, temo-nos interessado pelos bairros degradados?
Quantas pessoas “diferentes” estão regularmente nas nossas comunidades? Dessas, quantas se converteram a Cristo já portadoras da diferença e fruto do nosso trabalho?

Cegos, surdos, malcheirosos, perfumados, pobres, ricos, sem-abrigo, estrangeiros, dependentes, limitados mentais ou motores, prostitutas, presos, “normais”..., todos; Jesus lidou com todos!
Mas nós, em vez de O imitarmos, mantemos a atitude daqueles que O acompanhavam e estranhavam os seus contactos perguntando: Porquê?
Talvez sejamos mais ousados: Para quê?

Vamos imaginar uma congregação onde possa existir uma miscelânea de gente a louvar a Deus, todos com direitos iguais?!

“Pois o Senhor vosso Deus, é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem recebe recompensas.”
Deuteronómio 10: 17


(Imagine - John Lennon)

Um dia, na Pátria Celestial, o mundo de cada um será um só para todos os salvos. Acham que isto é utopia? Não faz mal, eu acredito à mesma e sei que, com os diferentes, pudemos, desde já, fazer a igualdade!

domingo, 12 de junho de 2011

Dia do Pastor Baptista




E Ele mesmo concedeu uns... para pastores e mestres.” Efésios 4: 11





O segundo domingo de Junho é assinalado como o “Dia do Pastor Baptista”.
Em homenagem a esses homens que servem no ministério pastoral, tentarei aqui realçar alguns requisitos necessários para se ser pastor:

CHAMADA
“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, Eu vos escolhi a vós e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça…” – João 15: 16
“Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” – Mateus 9: 38

FORMAÇÃO
“Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento.” – Provérbios 3:13
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correcção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra.” – II Timóteo 3: 16-17

PRÁTICA
“Importa que façamos as obras d’Aquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” – João 9: 4
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” – I Timóteo 4: 16


“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia n’Ele, e o mais Ele fará.” – Salmo 37: 5
“De facto, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que se torna galardoador dos que O buscam.” – Hebreus 11: 6

ORAÇÃO
“Quanto a nós, perseveraremos na oração e no ministério da palavra.” – Actos 6: 4
“Com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para isto, vigiando com toda a perseverança e súplica por todos os santos.” – Efésios 6: 18

ZELO
“Olhai por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual Ele comprou com seu próprio sangue.” – Actos 20: 28
“Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, corrige, repreende, exorta, com toda a longanimidade e doutrina” – II Timóteo 4: 2

EXEMPLO
“…torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” – I Timóteo 4: 12
“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e assim transmita graça aos que a ouvem.” – Efésios 4: 29

HUMILDADE
“Então Samuel tomou uma pedra e a pôs entre Mispa e Sem, e lhe chamou Ebenézer; e disse: «Até aqui nos ajudou o Senhor.»” –
I Samuel 7: 12
“O temor do Senhor é a instrução da sabedoria; e adiante da honra vai a humildade.” – Provérbios 15: 33

Parabéns!
O meu obrigada a todos os homens de Deus que exercem o ministério com verdade.
E, a minha oração para que, junto da comunidade onde servem, se possa ouvir acerca de vós:

“Nesta cidade há um homem de Deus, e é muito estimado; tudo quanto ele diz, sucede. Vamo-nos agora lá; mostrar-nos-á, porventura, o caminho que devemos seguir.”
I Samuel 9: 6

sábado, 4 de junho de 2011

Deus

“…Levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade.
Bendito seja o Teu glorioso nome, que está exaltado sobre toda a bênção e louvor.” – Neemias 9: 5

Com 3 anos e meio, em cima de uma cadeira, na chamada Igreja do Castelo, em Almada, disse um pequeno poema. Era a primeira vez (ainda o recordo, bem como o momento).
Mais tarde, apaixonei-me pelas palavras e pela poesia e, durante a adolescência e a juventude, foram inúmeras as vezes e os locais onde fiz uso da arte de dizer, ganhei alguns prémios e, passados tantos anos, ainda há pessoas que me lembram ligada à poesia.
Hoje, lamento que o hábito de louvar a Deus através de poesia tenha caído em desuso nas nossas igrejas.
Todos os poemas que disse eram escolhidos por mim, porque precisava de os sentir profundamente, porém, há três que foram especiais e desses, um foi sempre favorito.
Convido-vos a, embora longo, lê-lo e senti-lo. É lindo!


DEUS

Nas horas de silêncio, à meia-noite,
eu louvarei o Eterno!
Ouçam-me a terra, e os mares rugidores,
e os abismos do Inferno.
Pela amplidão dos céus meus cantos soem
e a Lua resplendente
pare em seu giro, ao ressoar nesta harpa
o hino do Omnipotente.

Antes de tempo haver, quando o infinito
media a eternidade
e só do vácuo as solidões enchia
de Deus a imensidade,
Ele existia, em sua essência envolto,
e fora d’Ele o nada...
no seio do Criador a vida do homem
estava ainda guardada;
ainda então do mundo os fundamentos
na mente se escondiam
de Jeová e, os astros fulgurantes,
nos céus não se volviam.

Eis o Tempo, o Universo, o Movimento
das mãos solta o Senhor:
surge o Sol, banha a Terra, desabrocha
nesta a primeira flor;
sobre o invisível eixo range o globo;
o vento o bosque ondeia;
retumba ao longe o mar; da vida a força
a natureza anseia!

Quem, dignamente, ó Deus, há-de louvar-Te
ou cantar Teu poder?
Quem dirá de Teu braço as maravilhas,
fonte de todo o ser:
no dia da Criação, quando os tesouros
da neve amontoaste,
quando da Terra nos mais fundos vales
as águas encerraste?!

E eu onde estava quando o Eterno os mundos,
com destra poderosa,
fez, por lei imutável, se livrassem
na mole ponderosa?
Onde existia então? No tipo imenso
das gerações futuras;
na mente do meu Deus. Louvor a Ele
na Terra e nas alturas!

Oh, quanto é grande o rei das tempestades,
do raio, e do trovão!
Quão grande o Deus que manda, em seco estio,
da tarde a viração!
Por Sua providência nunca, embalde,
zumbiu mínimo insecto;
nem volveu o elefante, em campo estéril,
os olhos inquieto.
Não deu Ele à avezinha o grão da espiga,
que ao ceifador esquece?
Do norte ao urso o sol da Primavera,
que o reanima e aquece?
Não deu Ele à gazela amplos desertos,
ao cervo a amena selva,
ao flamingo os pauis, ao tigre o antro,
no prado ao touro a relva?
Não mandou Ele ao mundo, em luto e trevas,
consolação e luz?
Acaso em vão algum desventurado
curvou-se aos pés da cruz?
A quem não ouve Deus? Somente ao ímpio
no dia da aflição,
quando pesa sobre ele, por seus crimes,
do crime a punição.

Homem, ente imortal, que és tu perante
a face do Senhor?
És a junça do brejo, harpa quebrada
nas mãos do trovador!
Olha o velho pinheiro, campeando
entre as neves alpinas,
quem irá derribar o rei dos bosques
do trono das colinas?
Ninguém! Mas ai do abeto, se o seu dia
extremo Deus mandou;
lá correu o aquilão, fundas raízes
aos ares lhe assoprou.
Soberbo, sem temor, saiu na margem
do caudaloso Nilo,
o corpo monstruoso ao sol voltando,
medonho crocodilo.
De seus dentes em roda o susto habita;
vê-se a morte assentada
dentro em sua garganta; se descerra
a boca afogueada;
qual duro arnês de intrépido guerreiro
é seu dorso escamoso;
como os últimos ais de um moribundo,
seu grito lamentoso;
fumo e fogo respira quando irado,
porém, se Deus mandou,
qual do norte impelida a nuvem passa,
assim ele passou!

Teu nome ousei cantar! Perdoa, ó Nume;
perdoa ao teu cantor!
Dignos de Ti não são meus frouxos hinos,
mas são hinos de amor.
Embora vis hipócritas Te pintem
qual bárbaro tirano,
mentem, por dominar com férreo ceptro
o vulgo cego e insano.
Quem os crê é um ímpio! Recear-Te
é maldizer-Te, ó Deus;
é o trono dos déspotas da Terra
ir colocar nos Céus.
Eu, por mim, passarei entre os abrolhos
dos males da existência
tranquilo e sem temor, à sombra posto
da Tua Providência.

Alexandre Herculano, in “A Harpa do Crente” – 1838 –
Poema escrito em Setembro de 1831, durante o exílio em Plymouth (Inglaterra)

sábado, 28 de maio de 2011

Eleições Legislativas


“Uns confiam em carros, outros em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos no nome do Senhor nosso Deus.”
Salmos 20: 7

Estamos prestes a voltar às urnas.
Podia fazer uma dissertação sobre as minhas opções políticas; podia falar sobre a credibilidade dos políticos; podia tentar destruir toda a defesa ou o ataque feito a este ou aquele político. Eu podia; porque, obviamente, tenho opinião!
O que não tenho é a presunção de achar que, nesta matéria, a razão está mais do meu lado do que do lado dos que têm considerações diferentes, nem este meu espaço está vocacionado para esse tipo de discussão.

Então, porque é que estou hoje a falar disto?
Porque acredito que “uns confiam em carros, outros em cavalos” (*), mas o mais importante é confiar em Deus e interceder pelos nossos governantes.

O Salmo 20 é uma oração a favor do rei. Tomando-o como modelo, oremos pelo futuro governo:
Para os seus dirigentes não falharem, nem fazerem o povo sofrer.
Para que os líderes estejam num lugar protegido.
Para que a nossa pequena nação não seja asfixiada pelos poderosos países aliados.
Para os governantes aceitarem conhecer Deus, ouvindo a Sua vontade e sabendo que a nação que tem Deus como Senhor é abençoada.

Oremos também pelos eleitores, especialmente por nós próprios:
Para não nos demitirmos do acto de escolha descarregando a responsabilidade nos outros.
Para que na hora de votar, possamos fazê-lo conscientemente.
Para sermos actuantes, analisando e corrigindo as atitudes que possam prejudicar o povo e ultrajar o nome de Deus.




Então, dia 5 vamos às urnas, mas antes façamos a nossa campanha, começando já a orar pelo futuro governo de Portugal.




“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões e acções de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda a piedade e respeito.”  –  I Timóteo 2:1-2


(*) Referência ao aparato de guerra de alguns exércitos ao redor de Israel, em cuja força confiavam.

domingo, 22 de maio de 2011

A Minha Primeira Bíblia

Há precisamente 53 anos, ganhei a minha primeira Bíblia. Conservo-a até hoje.

Foi propositadamente que disse: “ganhei” porque, na verdade, não me foi oferecida, não a achei e não a comprei.
Tinha 8 anos, ia à igreja, já sabia ler, mas ainda não tinha a minha própria Bíblia. Talvez porque fosse cara; talvez por ser criança; talvez por qualquer outra coisa…
Mas um dia, a 22 de Maio de 1958, eu ganhei uma!


Durante algum tempo, não sei se muito ou pouco, nem porquê, os meus pais frequentaram a Igreja Presbiteriana (Rua de Febo Moniz - Lisboa, ainda existente). Lembro-me que, com excepção do templo e do gabinete do pastor, as instalações me assustavam um pouco.
O salão de festas (com características de pequeno teatro) era um espaço privilegiado de actividades.

Creio que foi numa noite em que fiz de “andorinha” numa peça que, após a representação, a presidente da Sociedade de Senhoras subiu ao palco, colocou uma grande caixa redonda de chapéus sobre um banco, e desafiou o auditório a, mediante um pagamento simbólico, adivinhar o que a caixa continha, sendo que esse seria o prémio para o ganhador. A única informação que a senhora dava era que lá dentro estava “o objecto mais importante, necessário e precioso para o ser humano”.
E, a cada aposta dada, visivelmente desiludida, repetia a frase.

Desde o início que insisti com o meu pai para me deixar dar um palpite (que lhe segredei) e ele, insistentemente, recusou.
Das várias apostas, fixei duas, provavelmente por as ter achado lógicas: “um copo de água” e “um despertador”, mas falharam tal como todas as outras. Eu continuava a teimar com o meu pai até que, por fim, ele lá cedeu.
Levantei a mão e disse: “É uma Bíblia!”

A senhora tapou a cara com ambas as mãos e depois, a reprimir as lágrimas, mas com a voz embargada disse: “Eu não acredito, uma criança, meu Deus, foi preciso ser uma criança”.
Eu não estava a perceber nada, fiquei até na dúvida se aquela atitude era “sim” ou “não”.
Depois, chamou-me ao palco; as pessoas batiam palmas; ela abraçou-me com força e beijou-me; e eu fiquei alegre, envergonhada e confusa com tanta efusão. Aberta a caixa, ali estava a minha primeira Bíblia.
Senti uma vaidade imensa! Tinha uma Bíblia minha, só minha!

Posso dizer que esta companheira de jornada, muito me auxiliou a vencer obstáculos, guiou os meus passos no caminho da fé e deu-me conhecimento da vontade de Deus.
Hoje, descansa na estante, velhinha e manuseada.

A Bíblia contém palavras de amor e vida capazes de nos encher de confiança e alegria. Por isso, digo como o salmista:


"Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e Luz para o meu caminho." - Salmos 119:105

domingo, 15 de maio de 2011

Sopa de Ocasião

Sinto-me privilegiada por ter conhecido muitos e dedicados homens de Deus de antigamente. Tempos socialmente difíceis e espiritualmente obscuros, com desafios constantes, em que o amor ao Evangelho se manifestava na disponibilidade e na ousadia.
Mais próxima de uns que de outros, guardo a lembrança de muitos e sinto um enorme respeito por todos eles.

O “tio” Luís Paiva era um homem de estatura baixa, calvo e de sobrancelhas fartas, tinha um sorriso enorme e olhos luminosos.

Ainda criança converteu-se ao Evangelho e, mesmo quando entrou no mundo do trabalho (tipografia) no qual se manteve até à aposentação, nunca deixou de anunciar a Palavra de Deus.
Membro da Igreja dos Irmãos nas Amoreiras, colaborou na abertura de diversas Casas de Oração a sul do Tejo e na zona de Sintra. Ao longo dos anos, percorreu vários pontos de pregação, evangelizou em hospitais e cadeias e, numa altura em que o analfabetismo era abundante, aproveitou para ensinar a ler e escrever nos locais a que se deslocava.

Morreu aos 87 anos, tendo servido ao Senhor até ao fim.

Uma noite, eu estava sozinha em casa quando ouvi a campainha e, ao abrir a porta, dei de cara com o “tio” Luís Paiva. Tinha ido pregar a uma igreja distante (creio que em Sines) e, de regresso, parou (na casa dos meus pais) para nos visitar e descansar um pouco.
Depois de algumas palavras, soube que ele não tinha jantado; logo, resolvi preparar-lhe uma refeição.
Na altura eu tinha uns 18 anos, já dominava bem a vida doméstica e era muito desembaraçada a solucionar situações inesperadas. Em boa hora, porque não havia nada feito e, convenhamos, havia pouco que pudesse ser feito.

Foi assim que saiu a minha "SOPA DE OCASIÃO"

Ingredientes:   Água temperada com pouco sal
                                    1/2 Caldo de carne
                                    um pouco de chouriço de carne
                                    1 colher de chá de azeite
                                    massa miúda q.b.

                                                                       Preparação:
Colocar uma panela pequena, com a água temperada de sal, ao lume. Quando ferver, juntar o chouriço partido em pedaços pequenos e a massinha, mexer e quando voltar a levantar fervura, baixar o lume e deixar cozer por 8 a 10m.
Por fim, juntar o azeite e o caldo de carne e mexer em lume brando até desfazer por completo.

Nota: Servir quente e acompanhar com papo-seco e azeitonas.

Há quem diga que a sopa é a consolação de um estômago necessitado.
Lembram-se quando Eliseu mandou o seu servo preparar um caldo para os filhos dos profetas numa altura em que houve fome em Gilgal (II Reis 4: 38)?
Ao contrário do caldo de Eliseu (II Reis 4: 39-41), a minha sopa feita de restos correu bem logo à primeira.
Este foi o recurso que encontrei para alimentar o "tio" Luís Paiva. Ele comeu com visível satisfação e lá foi elogiando o petisco.

Posso deixar uma dica?
Havendo água, não deixem de improvisar uma sopa, de modo a acudir às necessidades de um servo de Deus.

“Acudi aos santos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade.” – Romanos 12:13
“Porque, se há boa vontade, será aceite conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem.”
II Coríntios 8:12

domingo, 8 de maio de 2011

Deus Vê as Mulheres

Por vezes sentimo-nos invisíveis…, mas Deus vê-nos!



“Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.” – Salmo 139: 1-3