"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


domingo, 29 de janeiro de 2012

A Manif

Há alturas em que os negócios são ameaçados por motivos absolutamente imprevistos e contundentes, a partir daí há que detectar o foco e usar as armas disponíveis para reverter a situação.
Uma das armas de protesto mais utilizadas são as manifestações, já que, quando habilmente utilizadas, não só são demonstrativas do descontentamento de quem as promove e dos que a elas aderem, como geram um convencimento público da razão dos mesmos.

Foi isto que aconteceu com os ourives, quando Demétrio, conceituado pelas suas obras, viu o negócio a descambar, os lucros a diminuir e a manutenção de muitos postos de trabalho a ser colocada em causa.
As principais peças que este ourives fabricava e com as quais dava trabalho a vários artesãos, eram nichos de prata, com a miniatura de Diana, deusa de fertilidade. Muito apreciadas e procuradas por turistas, peregrinos, mercadores e, ainda, pelos próprios habitantes da cidade, comercializavam-se abundantemente.


Mas, afinal, o quê ou quem é que despoletou todo este alvoroço?
Simplesmente um homem. De fraca figura, teimoso e ousado, que dava pelo nome de Paulo.
Durante dois anos ou pouco mais, ele doutrinara um pequeno grupo de seguidores, e ensinava que as imagens não tinham nenhum valor, nem poder, pois eram feitas por mãos humanas e que só existe um único e verdadeiro Deus. Ora essa mensagem foi-se expandido e o sistema tradicional foi abalado. Os convertidos à teologia ensinada por Paulo afastaram-se do culto à deusa e engrandeciam o nome de Jesus, o que, claramente, afectava o lucro das réplicas da imagem de Diana.

Então, o respeitado Demétrio, furioso e indignado com o arraso nos seus lucros, fez reunir os artesãos e outros profissionais do ramo e discursou:
“Camaradas, vós sabeis que da indústria de imagens nos vem a subsistência, mas estamos a ser vítimas desse tal Paulo que, devido às suas ideias reacionárias, tem afastado muita gente do culto à nossa deusa. Atenção amigos, estamos em perigo, não podemos aceitar que a nossa idoneidade seja posta em causa; não podemos aceitar que Diana seja descredibilizada; não podemos consentir que nos estraguem o negócio.
Unidos seremos mais fortes; unidos venceremos; abaixo os defensores do Deus único!”

Perante essas palavras, a mobilização foi geral e começaram desde logo a gritar palavras de ordem, iniciando um desfile até ao anfiteatro, local onde cabia uma grande multidão.
Com eles, levaram, pela força, dois dos companheiros de Paulo, provavelmente como troféus ou para serem ridicularizados.
Atrás, foram-se engrossando as fileiras com curiosos, amigos da confusão e idolatras supersticiosos.

Paulo, ao saber disso, quis ir até à concentração e apresentar os seus argumentos ao povo, mas os seus discípulos não lho permitiram porque, pela certa, seria linchado.

Neste entretanto, já no anfiteatro, alguns dos judeus presentes, cheios de medo, empurravam para a frente o seu representante, para que dissesse à multidão que nada tinham que ver com aquela situação, apesar de acreditarem num só Deus.
Porém, o povo estava ao rubro e ao reconhecê-lo não lhe deram ouvidos, antes, revoltados com a sua presença, gritaram durante umas duas horas: “Grande é a Diana dos efésios!”

Perante tal alvoroço, o oficial do tribunal quis falar e, conseguindo acalmar os ímpetos, declarou:
“É preciso manter a calma, toda a Ásia sabe que temos a honra e distinção de ser protectores do templo e da imagem da deusa Diana. Contra isto não há oposição, por isso, não façam nada de que se arrependam.
Na verdade, esses homens que vocês forçaram a vir aqui como criminosos, não profanaram nem praguejaram contra a nossa deusa. Ainda assim, se algum de vocês tem uma queixa formada contra eles, os tribunais estão abertos, vão até lá e façam as acusações que tiverem de fazer. Se querem litigar por algum assunto, façam-no por meios legais.
Já se aperceberam que correm o risco de se virar o feitiço contra o feiticeiro e ficarem como perseguidores da fé deles? E como é que justificam esta manifestação se nem sequer foi autorizada?”

Com estas palavras, o oficial dissolveu a manifestação. Cada um, tendo compreendido que se tinha precipitado, rumou a sua casa; alguns ainda a argumentar em sua própria defesa, mas já derrotados pela evidência do que acabavam de ouvir.
Quanto a Paulo, depois dos ânimos terem serenado, reuniu com os seus discípulos e dirigiu-lhes palavras de animo.

Ruínas do Templo de Diana

Anfiteatro de Éfeso












Este relato cujo original se encontra em Actos 19:23-40, tem ensinamentos muito simples:
1- Não devemos hesitar em anunciar o Deus único, vivo e verdadeiro, mesmo em meios adversos;
2- Não devemos temer as reacções inimigas porque Deus não nos abandona;
3- Quando as lutas não são razoáveis, ou são excessivas, a verdade, além de permanecer, é evidenciada.

“Ó Senhor, quem é como Tu entre os deuses? Quem é como Tu glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?” – Êxodo 15: 11

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Boa e a Má Notícia



Tenho uma boa e uma má notícia…
Qual querem primeiro?




Seja qual for a vossa escolha, vou começar pela má: “Deus sabe todas as coisas!”
Ups... não está fácil!

Muitas vezes, conscientemente ou não, achamo-nos mais sagazes que os outros e pensamos poder ocultar o nosso verdadeiro eu com relativa facilidade. Na realidade, é impressionante como não nos preocupamos com as consequências dos nossos actos, escondemos a verdade, enganamos, cometemos transgressões, mentimos e pensamos que ninguém nos vê e ouve.
É aqui que entra a má notícia pois, por mais que nos achemos muito espertos ou acima de qualquer suspeita, é impossível nos escondermos de Deus; Ele conhece todos os nossos actos e pensamentos. Na verdade, nem sequer precisa de relatórios, estatísticas, escutas ou qualquer outro tipo de informação sobre nós; Deus é Omnisciente e Soberano, conhece-nos como seres individuais e vai chegar o dia em que pedirá contas dos nossos actos. Como diz a Palavra:

“Ai dos que escondem profundamente o seu propósito
do Senhor, e as suas próprias obras fazem às escuras,
e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece?
Que perversidade a vossa! Como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Ele não me fez;
e a coisa feita dissesse do seu oleiro: Ele nada sabe.”
Isaías 29:15-16

Agora, vem aí a boa notícia: “Deus sabe todas as coisas!”
Sorriam... estamos a ser vistos!

Nada nos pode fazer sentir melhor do que saber que estamos em segurança; porém, isso só acontece quando temos um “guarda-costas” credível, que está sempre connosco, que é cuidadoso, que quer o melhor para nós, que nos conhece, que nos aconselha e que nos protege.
Por mais que não pensemos n’Ele as 24 horas do dia, não o sintamos, ou até tenhamos dúvidas…, em todo o tempo, Ele está lá e importa-se connosco; interage com a nossa pessoa; sustenta-nos e orienta-nos. Com Deus, podemos estar descansados, mesmo quando somos injuriados, porque Ele conhece o nosso coração e o dos nossos inimigos.
Ter uma mente limpa, uma vida transparente e actos agradáveis a Deus, faz desta a boa notícia e faz com que possamos repousar à sombra do Omnipotente. Como diz o salmista:

“Senhor, tu me sondas, e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar,
e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
Ainda a palavra me não chegou à língua, e Tu,
Senhor, já a conheces toda.”
Salmo 139:1-4

Não compliquemos a vida pois, se evitarmos sujeitar-nos à má notícia, podemos desfrutar da boa com um prazer imensurável.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Ámen!

Há palavras que me impressionam pelo seu significado, palavras que valem mais do que qualquer elucubração. “Ámen” é uma delas!


De origem hebraica, significa “assim seja” ou “verdadeiramente”, como confirmação ou aceitação a algo que é dito.

Na Bíblia aparece pela primeira vez em Números 5:22 e a última em Apocalipse 22:20.

Algumas vezes a palavra era utilizada em referência ao “Deus da verdade” (ex: Isaías 65:16 ou Apocalipse 3:14); outras, era a forma como o povo respondia às orações e aos louvores (ex: Neemias 8:6 ou Efésios 3:21); ou como dava aprovação a uma profecia (ex: I Reis 1:36 ou Apocalipse 1:7); mas também era usada como aceitação a uma maldição feita em nome do Senhor (ex: Jeremias 11:5).
Para corroborar esta ideia de concordância, temos o ensino de Paulo, em I Coríntios 14:14-17, para que a oração fosse feita de forma compreensível e assim os ouvintes pudessem dizer “Ámen”.

Logo, isto justifica que o “Ámen” seja uma palavra de profundo significado para os crentes e que, quando dita em acto de culto, não deva usar-se levianamente, de forma mecânica, excessiva, descabida e inconsciente.
Na Bíblia o “Ámen” surge, sempre, como exclamação e nos nossos tempos é, vulgarmente, utilizado pelos crentes após uma oração, uma leitura bíblica, um hino ou uma mensagem, em acordo, louvor e adoração a Deus.
Entretanto, há muito passou a ser referido por líderes de algumas comunidades cristãs (onde se usa e abusa do termo), também, como interrogação. Na minha opinião, funciona como telecomando para alimentar o ego do orador, enquanto, lamentavelmente, a essência da palavra se perde… corrompendo-se o seu sentido.
Eu prefiro a forma como se apresenta nas Escrituras, para confirmar uma verdade e nunca para questionar opiniões ou provocar aprovação.

“Bendito seja o Senhor para sempre. Ámen e Ámen!”
Salmo 89:52

sábado, 7 de janeiro de 2012

O meu Pai é O Maior!



Pela manhã, depois da higiene e do pequeno-almoço, faça sol ou chuva, frio ou temperatura amena, saio em passeio com a minha cadelita.
É um espaço de tempo magnífico!

Eu sou contemplativa e, enquanto caminho, reparo em tudo com um prazer indescritível: árvores, plantas, ninhos, montes, céu, pássaros, aranhas, caracóis, borboletas, flores, pedras…
Sorrio para as papoilas, deliro com o arco-íris; comovo-me com a vastidão; delicio-me com a brisa no rosto; amo o silêncio que me deixa ouvir a natureza..., só me falta o mar.
Nesses momentos, tenho o meu primeiro instante de louvor e digo poemas, e recito salmos, e canto hinos.
Oh “solidão” boa!

Isto equivale ao tocar na mão de Deus e com uma sublime leveza repetir: Obrigada, obrigada! - Enquanto, maravilhada, Lhe ofereço (diariamente) a minha vida.
O meu Pai é O Maior!


sábado, 31 de dezembro de 2011

2012 - E Agora?

“Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” – Josué 1: 9

Este é um dos meus versículos favoritos.
Hoje estou a lembrá-lo porque há um grande desânimo na nossa sociedade, há também muitos conflitos pessoais, e, por vezes, isso amedronta-nos e tolhe-nos a vontade de reagir.
Além disso, estamos a despedir-nos de um ano e prestes a receber outro… tempo de balanço, reflexão e projecção.


Então, aproveitemos o ensejo para renovar a nossa esperança no Altíssimo e nos lembrarmos que muitas vezes perdemos grandes bênçãos por falta de confiança.
O que Deus disse a Josué serve também para nós. Por isso, quando tivermos medo ou dúvidas, é imperativo ouvirmos a voz de Deus e, se Ele disser “Vai!”, ou “Faz!”, temos de confiar e, com determinação, usar de: Energia (esforça-te), Vontade (tem bom animo), Ousadia (não temas) e Naturalidade (não te espantes).
Ele estará sempre ao nosso lado!



Agarra essa bênção, são os meus votos para 2012.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Dia de Natal

É tempo de celebração pelo nascimento do Messias.
Que os nossos festejos possam representar louvor e culto ao Deus da nossa salvação.

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos
a sua glória, como a glória do unigénito do Pai,
cheio de graça e de verdade.” – João 1: 14

A propósito do tema, deixo aqui uma excelente curta-metragem de animação.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Eu Gosto do Natal!

Desde a história verídica, aos preparativos para a celebração, passando por tudo quanto inventamos para tornar esta quadra mais família e sedutora, eu gosto do Natal!

A figura do Pai Natal é uma das mais carinhosas recordações da minha infância.
Naquela altura ainda não havia essa falta de gosto dos bonecos insufláveis enforcados nas varandas e esquecidos durante um mês ou mais. Também não tropeçávamos nele(s) em tudo quanto era estabelecimento. E, acima de tudo, não se apresentava desmazelado, nem antipático.
Não, o Pai Natal era um velho bonacheirão, risonho, sempre de bem com a vida…, era mágico!
Esta era a única época do ano em que eu e as minhas irmãs recebíamos prendas e guloseimas. Os pais e a Escola Dominical, sempre tinham um mimo e, algumas vezes, também outras pessoas.

A época era entusiasmante. Fazíamos uma árvore, com pinheiro a sério, onde pendurávamos anjos de barro, bolas de vidro, pedaços de algodão e velas.
Depois, na noite de consoada, antes de irmos para a cama, deixávamos um sapato junto à chaminé por onde o amoroso velho iria passar; e, no dia de Natal, logo pela manhã, era uma alegria indescritível o acto da descoberta daquilo que ele nos tinha trazido.
Nesse dia a mesa tinha mais iguarias, vestíamos roupa e sapatos novos e íamos à casa de oração fazer a festa da Escola Dominical - cantar, dizer poesias, fazer alguma peça, ouvir a história do nascimento do Salvador e receber prendas.

No Natal dos meus 9 anos, as minhas irmãs, uma com 15 e outra com 13 e meio, já não tinham as ilusões e  ingenuidade com que a idade me distinguia. Não me recordo bem com que palavras, mas a irmã do meio lá me desvendou o segredo...; afinal, o Pai Natal era o pai e a mãe e as prendas estavam escondidas algures na casa.
Depois, foi só descobrirmos os embrulhos. Eu não resisti à ansiedade, abri uma ponta do que dizia “Mimi”, sem, obviamente, ter conseguido disfarçar o delito.
Fiquei num misto de alegria (por saber que era um livro), de tristeza (por não haver Pai Natal), e de medo (por ir ser descoberta). E, sim, além de ter perdido a magia, ouvi um ralhete daqueles, quase arriscando não receber a prenda.

Não obstante, ei-lo!
Guardo-o até hoje. “O Peregrino”, um livro fantástico onde Bunyan relata a caminhada de Cristão, um peregrino espiritualmente abatido que viaja rumo à Cidade Celestial, sendo confrontado com diversos desafios durante a jornada.


“Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam à sombra das tuas asas.”
Salmos 36: 7
“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo,
regozijai-vos.” – Filipenses 4: 4

Nota: Já sou avó!
Tal como fiz com os meus filhos, tento que esta quadra tenha, para os netos, um ambiente de festa e encanto.
Por isso, ajudam a enfeitar a casa, colaboram na preparação dos doces, aprendem cânticos e representação para fazer surpresa nas reuniões da família, abrem as prendas na noite de consoada e sabem que estão a comemorar o nascimento de Jesus… enfim, é uma alegria sentir esta vida!
E, imaginem, acreditam que o Pai Natal existe.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Para este Natal...

Desejo:
que sejas livre;
que sonhes; que ames;
que sorrias; que sintas paz…
que ouses ser feliz e voltes a ser criança.

Que a tua família se junte, se abracem e cantem;
que seja tempo de louvares o Messias e creres em Deus.
Que contagies todos ao teu redor; que sejas ainda melhor.
Que tenhas força para vencer as dificuldades e recomeçar.
Que recebas presentes; lembres o passado com carinho
e sintas esperança no futuro.
Desejo, sobre tudo,
que acolhas Jesus
dentro do teu coração.


“Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens.” - Lucas 2: 14

sábado, 3 de dezembro de 2011

O Advento

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” – João 3:16

Esta é a dimensão histórica da salvação; o verdadeiro motivo pelo qual Jesus se tornou humano e viveu entre nós.


Neste advento, quando preparamos a celebração da primeira vinda de Jesus (o nascimento), alegremo-nos com a expectativa da segunda vinda.
Que este seja, também, tempo de serviço. Todos os crentes são chamados a compartilhar o amor de Cristo e a convidar outras pessoas para o dom gratuito da salvação.
Então, Jesus há-de nascer no coração daqueles que O aceitarem!


“People Need the Lord” é um dos meus hinos favoritos. Ele fala das pessoas perdidas e vazias, porque não têm Deus nas suas vidas; fala também do dever de partilharmos a Palavra da Vida aos perdidos, mostrando que Jesus é a porta da salvação.
As pessoas precisam de Deus!

Aqui fica o hino, na bonita voz de Steve Green (cantor evangélico).



A Associação Evangelística Billy Graham traz a Portugal um projecto televisivo de evangelização, já com muito bons resultados noutros países.
Esta é uma oportunidade fantástica para levarmos amigos, vizinhos, colegas e familiares descrentes a ouvir a Palavra de Deus.
Vamos contribuir com oração, assistência espiritual e testemunho, para que esta campanha possa dar frutos.

RTP2 - dias 6, 7 e 9 de Dezembro, das 18.30h e às 19h

sábado, 26 de novembro de 2011

A Fragrância


A minha cadela chama-se Alfa, tem 9 anos e é uma amiga muito querida e fiel.

Já uma vez aqui falei dela porque o seu comportamento tem coisas que me dão que pensar.



Quando voltamos a casa e ela começa insistentemente a cheirar a escada e a porta, e depois entra a correr à procura de alguém, sei que um dos meus filhos aqui esteve durante a nossa ausência.

Mas, outro dia, ainda a meio da rua, ela pôs-se de nariz no ar a farejar incessantemente. Eu puxava-a, mas ela insistia em parar e empinar o nariz em determinada direcção e só deixou de o fazer quando entrámos no pátio de casa.
Mais tarde, soube que a minha filha quinze ou vinte minutos antes da nossa chegada tinha subido a rua a pé.

Quando isto aconteceu, lembrei-me das palavras de Paulo:
“Graças a Deus, que em Cristo sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento.
Porque nós somos para Deus o bom perfume de Cristo; tanto nos que são salvos, como nos que se perdem.”
II Coríntios 2:14-15

Eu gosto dos aromas naturais. E então, qual deve ser o aroma natural do cristão? A minha fragrância espiritual, será reconhecida pelos outros como “o bom perfume de Cristo”?

Espero que sim! Usar esse maravilhoso privilégio é um desejo sempre e cada vez mais presente em mim.
O aroma que, onde quer que esteja, deixe o ambiente impregnado pelo exemplo da vida de Jesus em: santidade, amor, serviço, gratidão e humildade. Pode até ser que esse cheiro enerve os meus inimigos, mas, desde que o reconheçam, fico tranquila.
Exalar o perfume do Cristo que habita em mim e deixar esse aroma tanto hoje, por onde passar, como para memória futura é uma prioridade de vida, à imitação de muitos servos de Deus que tenho conhecido e cujo aroma permanece na minha memória.

Oração: Pai concede-me a firmeza, fidelidade e exemplo aprovado por Ti, para deixar o rasto do bom perfume de Cristo por onde quer que eu passe.

sábado, 19 de novembro de 2011

Sem Palavras

Pr. Abel Rodrigues
Início do Ministério U.B.



A primeira memória que tenho deste homem, vem do tempo em que eu tinha aquele tamanhinho que exemplificamos quando esticamos a mão abaixo da cintura e de quem mais tarde dizemos “andou comigo ao colo”... e andou mesmo!





Muitas vezes dou comigo a pensar nele com uma enorme ternura por tudo o que representou para mim. O Pr. Abel Rodrigues foi, sem dúvida, o meu pai na fé.
Levou-me até aos pés da cruz e com ele fiz a mais importante decisão da minha vida; ensinou-me a esmiuçar os textos bíblicos; orou por mim; foi amigo e conselheiro. Devo-lhe uma boa parte da mulher que hoje sou.
Talvez por isso, não posso esquecê-lo e não deixo de o amar!

Abel Pinheiro Rodrigues, nasceu a 23.06.1921 e a 17.11.2006 foi encontrar-se com o Pai.
Homem de uma lucidez e sensibilidade extraordinárias; com enorme sabedoria e inteligência espiritual; de grande firmeza doutrinária e teológica; rigoroso, exigente e dedicado; contra todas as imprevisibilidades e vicissitudes com que a vida o traiu, nunca deixou de amar o seu Mestre.
Teve formação em enfermagem, mas a sua paixão prioritária era a Palavra de Deus por isso, quis aprofundar os seus conhecimentos e, o que era invulgar naquele tempo, foi estudar numa escola teológica (Instituto Bíblico Emaús, na Suíça).

Com uma visão de ministério muito avançada para a época, aos 28 anos fundou a União Bíblica (U.B.) em Portugal.
Ainda nesse ano (1949) tornou-se pioneiro dos Campos Bíblicos do nosso país, no Carrascal (Sintra), com a ideia de proporcionar aos jovens crentes uma semana de retiro espiritual e de convívio durante as férias de Verão. Também nisso inovador porque, além da U.B. ser interdenominacional, os acampamentos eram mistos (numa época em que até as escolas eram separadas por sexo).
Com o mesmo objectivo, em 1953, deu início a acampamentos para crianças.
E, conforme vocação da U.B., editou notas explicativas para crianças e adultos, inicialmente traduzidas e/ou escritas por si próprio, como complemento e incentivo à leitura diária da Bíblia.
Foi seu o primeiro e criterioso trabalho de recolha, tradução e adaptação de cânticos que formaram o hinário da U.B.; posso afirmar que são hinos e coros lindos, carregados de mensagem e que nos convidam à meditação e deleite.
Apesar das excelentes adaptações que fez e de saber tocar órgão, dizia não se sentir capaz de ele próprio escrever um cântico, mas, incentivado por um amigo estrangeiro, certa noite começou a pensar naquilo de que as crianças gostam e do que precisam e, na manhã seguinte tinha feito (letra e música) o primeiro e único cântico de sua autoria:

Andar, saltar, correr e brincar,
É bom, alegre e faz-nos crescer;
Porém, parar um pouco e pensar,
Também faz bem e juízo ter.
É bom lembrar que Cristo nos vê,
Nos ouve e sabe o que vai em nós,
Assim, devemos d’Ele aprender,
Segui-lO, amá-lO e escutar Sua voz.

Fiel à chamada do Senhor, junto com a sua esposa, Dª Maria Amélia, serviu durante 38 anos como Secretário-Geral da U.B., ministério que muito amou e onde deixou a sua indelével marca.
Muito importante na vida de imensas crianças e jovens, hoje adultos, quero acreditar que, enquanto um de nós estiver vivo, a influência espiritual que transmitiu não será esquecida.

Em jeito de homenagem, quero caracterizar a minha admiração, lembrando:
~ A forma clara, arguta e atraente como expunha as Escrituras, ao ponto de alguns de nós (campistas), após o estudo bíblico ou a pregação, ainda ficarmos a trocar impressões com ele. Recordo-me muito bem de alguns dos estudos que fizemos e mesmo de pormenores do que aprendi.
~ Os seus olhos rasos de lágrimas quando falava do amor de Deus e do sacrifício salvífico de Cristo.
~ A sua inconfundível e incisiva dicção, que não nos deixava indiferentes àquilo que queria transmitir.
~ A forma como segurava a Bíblia numa mão e mexia a outra enquanto pregava, tornando o discurso dinâmico.
~ O silêncio reflectivo com que ouvia música clássica que tanto admirava. Devo-lhe os meus primeiros conhecimentos sobre as obras de grandes compositores.
~ O quanto nos divertíamos e riamos, com os nossos jogos de batalha-naval que ele próprio me ensinou e, quase sempre, ganhava.
~ A exigência de pai atento que sempre exerceu sobre as crianças e jovens que lhe eram confiados.
~ O facto de me ter visitado quando, aos 11 anos, fui atropelada ficando em perigo de vida e de, durante o acampamento desse ano, me ter escrito um postal assinado por todos os campistas.
~ Que, ao longo dos anos, sempre que lhe escrevi para pedir uma opinião, a dar uma novidade, ou simplesmente para dizer: "Olá!", nunca me deixou sem resposta.
~ As muitas horas que passávamos a conversar e a desabafar. E, as diversas vezes, em que, a meio da conversa, agarrava na Bíblia, ia directo a uma passagem, lia com a sua perfeita dicção e rematava: “É isto, que mais podemos dizer?”.
Nos últimos tempos recordávamos muito aquilo a que eu chamo “os anos de ouro da União Bíblica”, o Pr. Abel contava detalhes do seu tempo no activo e dos projectos que tinha se tivesse continuado. Ambos achávamos que a história da U.B. em Portugal devia estar relatada e documentada em livro, mas isso nunca foi feito e, infelizmente, a fonte principal já não está connosco.
~ Como até ao fim, ou seja, até a doença lhe ter retirado qualidade física e faculdades mentais, lhe pedi conselhos que nunca recusou dar, por vezes com respostas imprevisíveis.
~ Que na nossa relação, figuravam valores de amor, respeito e amizade. Foram anos muito ricos.

Faz hoje 5 anos, fiz-lhe a última visita, lá no nosso local de eleição, onde o chão é sagrado. O seu corpo esteve na Capela do Carrascal, de onde a urna saiu coberta pela bandeira da U.B., o que equivale a dizer que: saiu daquela que era, por direito, a sua casa.
À noite o luar estava lindo, muitas estrelas cintilavam no céu; uma mais luminosa que as outras… sorri-lhe!

Sem palavras porque, tudo quanto disse, fica aquém do que sinto e do que ele merecia.
Ele faz-me muita falta!


“…Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham.” Apocalipse 14:13

sábado, 12 de novembro de 2011

O Mistério

Desde criança que gosto de ler, de manusear livros e de não me desfazer deles. De uma grande parte, guardo na memória a ideia fundamental do texto e até uma ou outra frase.

Devia ter uns 17 ou 18 anos quando, numa das minhas idas à Feira do Livro de Lisboa, encontrei um livro cujo título (“Rumo à Felicidade”) me chamou a atenção. Dei uma vista de olhos pela introdução e o índice, li a síntese curricular do autor (Pd. Fulton Sheen), de quem nunca tinha ouvido falar, e comprei o livro.

Já o reli algumas vezes, em tempos e estados de alma diferentes, mas, desde a primeira leitura, há uma frase que nunca esqueci:
“O grande mistério não é a razão porque amamos,
mas porque somos amados.”

Tem tudo a ver com relacionamentos e para mim, que gosto de dar, mas fico constrangida quando recebo, é perfeitamente percebível. Não que me subestime, mas porque tenho receio de não ser suficiente… e sim, amo, há casos em que amo mesmo muito.
Também não fico obnubilada quanto ao temperamento dos que, supostamente, gostam de mim, mas tenho sempre presente uma íntima gratidão.

Porém, o mais importante é quando isto tem a ver com O divino. Não há como dissimular a diferença entre mim e Ele ou omitir a pergunta: Porque será que Deus me ama?
Aí está algo a que a Bíblia não responde. Não faz mal, afinal de contas, Ele é amor!
E, mesmo não conseguindo entender porque é que Deus insiste em me amar, à medida que mais me relaciono com Ele, mais o meu próprio amor aumenta e se fortalece. Então, isso faz-me saber não o porquê, mas para quê!

Considerações Bíblicas sobre o Amor - I João 4:7-21


“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.

Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.


Nisto se manifestou o amor de Deus em nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigénito ao mundo, para vivermos por meio d’Ele. Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou, e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros.

Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado. Nisto conhecemos que permanecemos n’Ele, e Ele em nós, em que nos deu do seu Espírito. E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo.

Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus.

E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que no dia do juízo mantenhamos confiança; pois, segundo Ele é, também nós somos neste mundo.

No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.

Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro.

Se alguém disser: ‘amo a Deus’, e odiar a seu irmão, é mentiroso. Pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.

Ora, temos da parte d’Ele este mandamento: que aquele que ama a Deus, ame também a seu irmão.

Obrigada pelo vosso carinho; eu também vos amo!

sábado, 5 de novembro de 2011

Pecado e Embaraço

“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta.” Hebreus 12:1

Este é um dos meus versículos favoritos. Lembrei-me de o trazer hoje, porque acho que tem muito a ver com o último tema (Decisões).

Então, vamos dissecar os dois termos que tomam relevância neste texto bíblico – Pecado e Embaraço.
Todos sabemos que pecado é erro (errar o alvo) e que está amplamente identificado na Palavra de Deus.
Já embaraço, é estorvo (atraso no avanço) e materializa-se em tudo o que viola os nossos valores, o que é tropeço para os outros, o que não traz benefícios espirituais e o que nos vicia…
Mas atenção porque, do embaraço para o pecado, vai um passo curto, ou seja, deixando a ignorância e tomando consciência das implicações, se não tomarmos medidas para mudar, já estamos a ser livremente escravizados.

Quando era professora de jovens na EBD, levei a classe a realizar o seguinte exercício.
Sugeri uma corrida, marquei um percurso e escolhi três alunos: um para correr livre, só com a sua roupa; outro com os pés amarrados, um peso em arrasto e as mãos atadas atrás das costas; e o terceiro com um livro na cabeça e uma pedrinha dentro do sapato.
Como era de esperar: o primeiro chegou à meta sem dificuldade; o outro, simplesmente não chegou, tendo-se debatido com desvios e quedas (pecado); e o terceiro chegou muito atrasado, depois de se ter confrontado com diversas dificuldades de equilíbrio (embaraço).

Na prática, pode dizer-se que o pecado não nos permite competir; enquanto que o embaraço nos restringe a agilidade.
Não é à toa que os atletas, além de se exercitarem e terem uma alimentação equilibrada, usam roupa e calçado adequados à mobilidade. Esta é a preparação que se espera dos crentes.

Quer dizer que só se é verdadeiramente crente quando se é perfeito?
“Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3:12-14

Mesmo sendo crentes, se a nossa natureza é pecaminosa, não é normal pecarmos?
“… Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.” – João 8:34

E o embaraço, por comparação ao pecado, não é relativo?
“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” – I Coríntios 10:23



Por isso o autor da epístola compara a vida cristã (carreira) a uma corrida e nos diz para deixarmos não só o pecado, mas também o embaraço e corrermos com perseverança até atingirmos o alvo.

sábado, 29 de outubro de 2011

Decisões

Raramente, ou mesmo nunca, perguntamos a nós próprios: “Estou preparado para…?”

Esta introspecção não é feita porque, simplesmente, não pensamos nas consequências dos nossos actos, mas tão somente no querer imediato.
Todos os dias temos de tomar decisões, algumas são rotineiras e de somenos importância, outras, porém, são muito influentes para a nossa vida (e testemunho).
Tanto em assuntos gerais, como nos particulares, incluindo os de natureza espiritual, evitávamos muitos erros se dispensássemos tempo para nos questionarmos quanto ao nosso preparo para a acção.

A pergunta “Estou preparado para…?” passa por:

    * Primeiro que tudo, ter a mente aberta à resposta;
    * Depois, observar todos os factos (motivos, local, tempo, intervenientes, implicações) e verificar se são os certos, sabendo que não é só estar preparado para agir, mas, acima de tudo, para arcar com as consequências;
    * E por fim, não fantasiar a resposta de forma a acomodá-la ao nosso ímpeto. Na verdade, podemos precisar de ser pacientes.

A resposta, para ser eficaz, leva-nos a consciencializar que:

O mais importante é reconhecermos a necessidade da ajuda de Deus -
“Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes censura; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.” – Tiago 1:5-6

Temos de ser humildes quando pedimos a Deus para nos orientar -
“Assim acharás favor e bom entendimento à vista de Deus e dos homens. Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.
Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.” – Provérbios 3:4-6

Apesar da Bíblia não trazer anexa uma lista com respostas específicas para todas as nossas dúvidas, ela tem princípios que nos oferecem orientação segura para cada decisão a tomar -
“Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra e luz para o meu caminho.” – Salmo 119:105

Não devemos descartar o auxílio de um mentor, reconhecendo os seus conhecimentos, experiência e atributos espirituais -
“Com medidas de prudência farás a guerra, na multidão de conselheiros está a vitória” – Provérbios 24:6

“Estou preparado para…?”

sábado, 22 de outubro de 2011

Misericórdia e Compaixão


Há sentimentos tremendos que, simplesmente ditos pelas palavras que os caracterizam, entram na linguagem não pensada, são confundidos e perdem a essência. Digo isto porque, tenho para mim, que não devemos nem generalizar, nem mecanizar os sentimentos e as atitudes que lhes estão ligadas.


Vejamos se eu consigo explicar o meu pensamento acerca destas duas extraordinárias manifestações  – Misericórdia e Compaixão.

Para já, vamos desmontar as palavras, para melhor desvendar o seu significado:

1. Misericórdia = Miséri (miserável) + Córdia (coração).
    1.1 - Piedade; sentir a miséria (infelicidade e erro) de outrem.
    1.2 - Perdão concedido unicamente por bondade; Graça.

2. Compaixão = Com (junto) + Passio (sofrimento).
    2.1 - Perceber a desdita do outro; Pesar causado pelo mal alheio.
    2.2 - Benevolência.

Parece-vos ser a mesma coisa? Pois a mim não!
Claro que há um entendimento entre estes dois sentimentos, tal como parece haver entre as suas designações, mas não o suficiente para serem sinónimos.

1. Misericórdia – significa literalmente estar em completa sintonia com o estado de alguém. Etimologicamente, é ter o coração na miséria de alguém, é um conhecimento absoluto.
Ora, para mim, só Deus consegue este estado porque:
    a) Ninguém conhece o homem melhor que Deus (Salmo 139:1-16);
    b) Deus não é elitista (João 3:16);
    c) Misericórdia e Graça são aliadas e inseparáveis (Efésios 2:1,8-9).

“Quem, ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas a iniquidade, e Te esqueces da transgressão do restante da Tua herança?
O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.” – Miquéias 7:18

2. Compaixão – É a capacidade de não ficar indiferente à situação do outro. É um sentimento altruísta que requer atitude, mas que tem retorno em termos de beleza espiritual.
Então, julgo que esta é a parte destinada aos homens:
    a) Amar o próximo (I João 4:20);
    b) Interceder pelos outros (Tiago 5:16);
    c) Corrigir e auxiliar os aflitos (Gálatas 6:1-2).

“Se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia.” – Isaías 58.10

Têm algo de semelhante não é?
Eu acho que isso só acontece porque a Compaixão tem o dedo oculto de Deus a trabalhar na vida dos seus servos e só é conseguida na sua máxima expressão, quando nós espelhamos o amor de Deus.