"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


sábado, 24 de novembro de 2012

Eureca!


Estou ansiosa por vos contar!...

Sempre gostei muito da comparação dada por Cristo aos discípulos (e por acréscimo a todos os crentes) acerca do que deviam representar: “Vós sois a luz do mundo!”
E, nunca questionei a alegoria, porque, afinal, é uma ilustração evidente.

Mas o mesmo não se passou com: “Vós sois o sal da terra!”
Aí, tudo quanto ouvi desde pequena (invariavelmente: conservação e sabor), não me satisfez. Várias vezes dei comigo a pensar: meu Deus, eu uso tão pouco sal, na verdade ele até pode tornar-se prejudicial à saúde. Então, porquê?
Pois é, apesar das minhas interrogações, nunca me debrucei sobre o assunto, nem descodifiquei o texto.

Na EBD do passado Domingo, enquanto estudávamos II Pedro 2 acerca dos falsos mestres e profetas, a professora (excelente) advertiu para o nosso papel no mundo e “en passant” disse: “por isso que somos o sal da terra, que preserva, que dá sabor, que faz sede.” e passou adiante.

Até hoje, estou em êxtase!

Confesso que, de imediato, as ideias começaram a fluir na minha mente e já não consegui descolar-me da revelação.

E, apesar de correr o risco de ser a única (?) pessoa que não tinha chegado a esta conclusão, quis, com uma enorme alegria, partilhar isso convosco.

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” – Mateus 5:13

Vamos ver as conclusões que tirei:
1- A preocupação do cristão deve ser não perder a qualidade (não ser insípido), ou seja, não deixar de salgar. A passagem de Mateus aplica, claramente, os vocábulos “salgar” e “insípido”. Está lá tudo!
2- Todos sabemos que a comida salgada produz SEDE. Simples, não?
3- O problema, é que nos habituámos a reduzir, imediatamente, o valor do termo (salgar) para um único objectivo (sabor) que, normalmente, associamos a algo agradável.
4- O alvo proposto é que possamos incomodar, preservando a essência de Cristo em nós. Isso é a pureza do sal, salgar e preservar.

Por isso digo: “Eureca!”, achei resposta às minhas dúvidas e, sim, considero que este é o verdadeiro significado da advertência de Jesus.

Será que temos sido sal da terra? Temos nós provocado sede de Cristo entre aqueles que nos rodeiam?
Afinal de contas, Ele é a Água Viva e quem beber dessa água nunca mais terá sede!

E agora, perguntem-me porque será que não pensei nisto antes.
Sei lá! O importante é que Deus respondeu à minha dúvida.


Oração: Oh Pai querido, obrigada por permitires que eu seja sal e por me teres mostrado o verdadeiro significado do teu ensino.
Que sempre me encontres fiel e que o meu exemplo possa provocar sede de Cristo naqueles que me rodeiam!

sábado, 17 de novembro de 2012

Reputação e Reconhecimento


Gosto do Livro de Actos; julgo que é, junto com as epístolas e salvo a distância do tempo, o que mais se aproxima da nossa realidade e mais ensinamentos nos oferece.
Hoje trago aqui os versículos 1 a 5 do capítulo 16 e, noutras ocasiões, continuarei a falar deste excelente capítulo.

Paulo tinha começado a sua segunda viagem missionária, partindo da Antioquia. Quando chegou a Listra, encontrou o jovem Timóteo e
“Dele davam bom testemunho os irmãos em 
Listra e Icônio” – v. 2

Aí estava um rapaz de boa reputação; falado por bons motivos. Paulo, agradou-se tanto com aquilo que ouviu, que o escolheu para companheiro de viagem. E o trabalho conjunto deu frutos, dizendo-se que
“Assim as igrejas eram fortalecidas na fé e aumentavam 
em número dia a dia.” – v. 5

O reconhecimento de Paulo pelo jovem Timóteo, fez com que se tornassem fiéis companheiros e pudessem desenvolver um trabalho, de confiança e respeito, frutífero na obra do Senhor.

Há algumas perguntas directas que cada um de nós deve fazer:
Tenho eu consciência do testemunho que estou a dar?
O que é que os outros dizem de mim?
Ao relacionar-me com outros crentes, tenho disponibilidade para reconhecer o seu valor?
Consigo desenvolver um trabalho conjunto baseado na confiança e no respeito?

É útil para a obra de Deus que analisemos estes aspectos da nossa vida: reputação e reconhecimento. Porque para o crente:
A reputação é o reflexo do nosso carácter e das nossas atitudes.
O reconhecimento é um princípio espiritual que dá e recebe bênção.

sábado, 10 de novembro de 2012

A Fragrância do Conhecimento


Faz hoje 83 anos que em Aiquile, na Bolívia, nasceu o terceiro de 4 filhos de Leslie Martin e Della Johnston, onde eram missionários entre os índios.
Graduado em teologia pela Wheaton College, veio a diplomar-se como Doutor em Filosofia do Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo, na Escócia.
Nos EUA serviu, durante cerca de um ano, como pastor interino. E, em 1957, casou-se com Patrícia, com quem tem 5 filhos.
Aceite como missionário pela Missão Baptista Conservadora, veio trabalhar em Portugal por um curto período e, em 1962, foi para São Paulo, no Brasil, onde fundou as Edições Vida Nova e leccionou na Faculdade Teológica Baptista de São Paulo.
Hoje, além de escrever (tem um vasto numero de livros de sua autoria), viaja pelo mundo, ministrando a Palavra de Deus em conferências, igrejas, seminários e faculdades de Teologia.

O meu homenageado é Russell Philip Shedd conceituado teólogo e missionário evangélico.


Palestra em Esmirna
Este homem é um mestre, cuja grande tarefa tem sido a defesa da suprema autoridade da Bíblia como Palavra de Deus.
Dono de uma lucidez e sabedoria impressionantes, a sua presença é tímida e tranquila. Quase sempre as suas respostas acerca do pensamento/atitude humana começam por “depende” porque a sua análise é profunda e sabe que nem todos estamos no Caminho, embora todos digam que têm certezas.
Apesar do reconhecimento que o mundo evangélico, intelectual e cultural tem pela sua obra e serviço, ele diz arrepender-se de: “não ter sido mais consagrado ao Senhor, de ter desperdiçado tempo... tempo a gente não recupera, perdeu, está perdido!”

Sinto-me privilegiada e orgulhosa por conhecer Shedd. Tive boas experiências com ele e, sobre tudo, aprendi muito. Na verdade, só posso estar grata ao Senhor por me permitir ter conhecido este e outros grandes homens de Deus.
Conheço, pelo menos, três pastores que abordam os trechos bíblicos (literalmente) com uma facilidade impressionante, mas Russell Shedd não tem margem de erro. Ele recita qualquer texto de cor, incluindo a referência bíblica e as passagens paralelas.


Pr. Shedd, Patrícia e eu, em Sardes
Quando viajámos pelas terras das “Sete Igrejas do Apocalipse”, onde ele ministrou os estudos bíblicos e históricos, pegou numa velha Bíblia em grego (uma das primeiras impressas) e fluiu a mensagem com tradução simultânea para que não se perdesse a essência do texto. Durante toda a viagem, nunca se escusou a responder a qualquer pergunta e ofereceu-nos um panorama mais íntimo sobre o trabalho e o exílio de João.
Aqui em Portugal, participei num seminário sobre “Exegese de I Coríntios” por ele ministrado que me trouxe perspectivas diferentes e fundamentadas acerca das cartas de Paulo e a igreja de Corinto.
Em Agosto passado, de visita ao nosso país, esteve na minha igreja (III Baptista de Lisboa) onde pregou sobre II Coríntios 2:12-17, com o título “Triunfo em Cristo”. Que refrigério e que honra ouvir um homem de Deus, com mais de 80 anos, explicar a Palavra de forma tão simples e penetrante.
Despediu-se dizendo que por certo já não voltamos a encontrar-nos devido à sua idade. Não faz mal, já valeu… e, com certeza, vamos encontrar-nos além do Jordão.

Muitas são as vezes que dou graças a Deus pelos líderes espirituais, pensadores e estudiosos das coisas celestiais, Shedd é um deles, um servo dedicado à glória de Deus, num mundo onde escasseia a dedicação à Obra.
Os seus receios não são infundados, quando diz: “Muitas igrejas desperdiçam uma boa parte das oportunidades que têm. Elas têm uma multidão de pessoas na sua frente e não estão realmente impactando estas vidas com o que a Bíblia ensina. As pessoas saem sem saber nada, ou quase nada. É importante que o ministério forme vidas para a glória de Deus.”

Agradeço-lhe a dedicação que tem à obra do nosso Deus e o mestre que é. Dou-lhe os parabéns por mais um ano entre nós!

“E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento.” – II Coríntios 2:14

sábado, 3 de novembro de 2012

Quase à Hora

Eu não gosto de chegar atrasada. Aliás, uso e abuso da agenda do telemóvel e, muitas vezes, de notinhas junto ao meu lugar na sala.

Estão a ver aquela situação do atrasado?
Imaginem quando alguém corre pelas escadas do metropolitano, atropela os outros transeuntes, acelera desenfreadamente pela gare e… quando chega perto do comboio, as portas fecham e desaparece no túnel.
O indivíduo quase apanhou o transporte, mas na verdade isso não serviu de nada. Matematicamente diríamos que quase equivale a nada.


O que nos é pedido é que cheguemos a tempo. O quase quer sempre dizer que houve perda de alguma coisa: uma aula, um dia de trabalho, uma participação, um encontro, ou, pior, a oportunidade da nossa vida.
Pode ser que mais tarde cheguemos ao destino, mas, necessariamente, a realidade vai ser outra e a fruição também.


Isto acontece no nosso dia-a-dia, tal como as desculpas para que o acontecido não pareça desleixo: relógio atrasado, trânsito, dor de cabeça, etc., etc..

Infelizmente, também é assim na vida cristã.
Perdemos oportunidades de testemunho, atrasamos a comunhão com os outros crentes, não temos tempo para meditar e, muitas veszes, desmerecemos a intimidade com Deus.
Depois, há os que dizem que acreditam em Deus, mas simplesmente não vão nem à hora, nem atrasados.

Hoje gostava de lembrar que, não existe meio cristão, nem meia salvação; Deus quer-nos por inteiro!
Não nos iludamos, ter quase feito a vontade de Deus é o mesmo que estar completamente à deriva.
Ser pontual, é um bom pretexto para obedecer ao Senhor que é nosso Deus, ainda para mais porque não sabemos quando será o fim da nossa vida terrena. Não sejamos distraídos, nem incapazes, desleixados ou atrasados.

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demónios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” – Mateus 7:21-23

“Vigiai porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor bramando como leão buscando a quem possa tragar”
I Pedro 5:8

“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.” – João 10:9

sábado, 27 de outubro de 2012

Prefiro o meu Cristo!

Por entre tempestades, dificuldades, crises e conflitos, eu prefiro acreditar no meu Cristo e usufruir da Sua companhia.
Às vezes as coisas não são como as sonhei, mas eu prefiro confiar na sabedoria do meu Cristo, porque sei que Ele faz o que for melhor para mim.
Acontece até eu não entender de imediato certas situações ou os seus resultados, mas continuo a preferir o meu Cristo para fazer comigo a caminhada.
Sofro provações e testes que julgo imerecidos, mas ainda prefiro o meu Cristo porque isso não acontece para Ele saber mais de mim, mas para eu saber mais d’Ele.

O mundo tem respostas? Sim!
Os líderes projectam soluções? Sim!
Os políticos prometem melhorias? Sim!
As religiões oferecem-se para resolver todos os problemas? Sim!
Sim, sim, sim, mas eu prefiro o meu Cristo porque Ele não falha, não mente, não se desculpa, não me abandona; ao contrário, fortalece-me e dá-me bênçãos de paz.

Quando olho para trás, tenho a certeza que nem sempre entendi (procedi) assim, mas sei que a salvação não é estática; ela é um processo de aperfeiçoamento, até àquele dia…
Eu acredito que o plano de Deus é infalível; que, a cada dia, esse plano me torna mais íntima do meu Senhor e que o culminar será a eternidade na glória do Pai. Por isso, eu prefiro o meu Cristo!
E tudo porque o Seu amor é indescritível e, mesmo antes de eu o preferir, Ele já me preferia a mim.



Prefiro o meu Cristo ao brilho vão;
prefiro a Sua graça e riquezas sem fim,
a casas e terras prefiro-O a Ele;
será de minha alma forte paladino.

Não quero o aplauso do mundo falaz;
prefiro nas filas de Cristo servir.
A fama do mundo é leviana e fugaz;
prefiro para sempre a Jesus seguir.

Antes que ser rei de qualquer nação
e em pecado governar,
prefiro o meu Cristo, sublime dom
que o mundo não pode dar.

(A tradução é minha, espero que esteja explícita)

sábado, 20 de outubro de 2012

Aba


Gosto muito de recordar pessoas, locais e situações que deram cor à minha vida e, por algum motivo, me incentivaram.
É aí que entra um crente que conheci na pré-adolescência, teria ele a idade que eu tenho hoje. Eric Barker, missionário inglês que fundou e pastoreou a Igreja Evangélica da Foz, no Porto. Um homem segundo o coração de Deus que, apesar das provações que fizeram a sua história (um dia falarei disso), sempre foi fiel.
Quando ele orava, eu ficava sossegadinha, a olhá-lo e a ouvi-lo. O rosto dele iluminava-se e, com um sorriso e uma doçura quase infantis, falava com o Pai.
As suas orações começavam sempre por: “Aba, Pai, meu Paizinho querido”.

Aba é uma palavra de raiz aramaica usada pelos judeus como forma carinhosa de tratamento ao progenitor e uma das primeiras palavras que as crianças aprendiam.
Podemos dizer que equivale às expressões portuguesas: “paizinho”, “papá” ou “pai querido”.
Relativamente a Deus, trata-se de uma forma muito intensa e íntima de dizer “Pai”.
Há textos de alguns historiadores que relatam que os primeiros cristãos utilizavam o termo “Ab•bá” nas suas orações.

Esta forma de tratamento não aparece no Velho Testamento, nem sequer na expressão simples de “Pai” porque nenhum judeu ousaria chamar Jeová com termos tão familiares. Na verdade, eles sabiam que havia uma enorme distância entre Deus e o homem.
Aba aparece escrita no Novo Testamento por três vezes; e a expressão “Pai” é, de todos os nomes de Deus, o que Jesus usou com mais frequência (mais de 200 vezes), denotando uma íntima afeição. Alguns exemplos disso, são:

Aos 12 anos, na primeira narração bíblica das palavras de Jesus:
“Porque me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” – Lucas 2:49;
Quando Jesus ensinou os discípulos a orar:
Pai nosso…” – Lucas 11:2;
No Getsêmani, talvez o momento mais difícil e mais profundo:
Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero e sim o que tu queres.” – Marcos 14:36;
Quando estava na cruz, Ele proclamou:
Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” – Lucas 23:46.


Este é um dos maiores privilégios dos crentes, a intimidade e cumplicidade que o sangue de Cristo nos transmitiu, permitindo que falemos directamente com Deus e possamos dizer: “Aba, Pai, meu Paizinho querido”.



“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adopção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai!” – Romanos 8:15

sábado, 13 de outubro de 2012

Culpado… Procura-se!


Outro dia ia a caminhar quando reparei que, em sentido contrário, vinha uma jovem mulher de óculos escuros, fones e uma criança dos seus 4 anos pela mão. Já mais perto, atravessou uma rua sem cuidado, enquanto um homem muito idoso conduzia de marcha-atrás. Nenhum dos adultos tomou precauções (acho que nem se viram) e como me apercebi que a traseira do carro ia bater na criança, comecei a fazer sinal à jovem e a dizer “cuidado”, mas ela não ligou (não terá visto, nem ouvido).

Isso foi tudo mais rápido do que me parecia ser possível; quando elas subiram o passeio o carro devia estar a uns 10cm da criança.
Dois passos mais e estávamos a cruzar-nos. Eu disse-lhe do sucedido e da minha aflição para comunicar e a jovem respondeu: “Ah, não vi nada, eu venho a cantar e não reparei, mas também se acontecesse alguma coisa ele é que tinha culpa.” E seguiu.

Pois é, mais importante que as consequências está a busca por um culpado, com tanto que não sejamos nós próprios. Isto é assim desde o princípio. Lembram-se quando Adão colocou na Eva a culpa de ter comido o fruto?

Mas o pior é quando a procura do culpado assenta em Deus ou no Diabo. E há crentes que usam e abusam dessa perícia, “espiritualizando” todas as situações.

Permitam-me que comente duas histórias que, em diferentes oportunidades, ouvi da boca da mulher de um pastor.

1 – Aquando de uma lição da E.B.D. acerca do dízimo, deu o seguinte exemplo –
"Uma crente minha conhecida partiu um pé e, quando começou a ter despesas devido ao acidente, percebeu que Deus estava a castigá-la porque não tinha dado o dízimo. Eu nem precisei de dizer nada.”

Há seis anos atrás, parti um calcanhar. O que posso dizer é que dou graças a Deus por não ter procurado n’Ele o culpado. Eu estava no último degrau do escadote, a fazer equilíbrio num único pé, inclinada para a esquerda, no intuito de tirar um cortinado, sem ter de subir e descer constantemente.

2 – Numa reunião de oração, quando estava envolvida num projecto, compartilhou –
“Sempre que tenho um projecto na igreja, o Diabo fica a fazer-me frente o tempo todo. Ontem fui ao Shopping e quando ia a tirar o carro do estacionamento, bati numa coluna."

Já que não foi aselhice, nem distracção, a pergunta que me sugere é se o Diabo terá deslocado a coluna para deixar o carro mais apertado. Isto para não dizer que não precisamos de dar ideias ao diabo, ele é muito perspicaz.

Quando estamos na procura de um culpado, porque não primeiro pensarmos em nós próprios?
Temos de parar de transferir a responsabilidade do que de mau nos acontece para Deus ou para o Diabo; temos de assumir os nossos erros e arcar com as consequências.

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” Provérbios 28:13

domingo, 7 de outubro de 2012

Você Pergunta, a Bíblia Responde

Há histórias bíblicas que nos ficaram na memória desde que, muito pequenos, as ouvimos na Escola Bíblica Dominical. Quase todas eram sedutoras devido à magia que encerravam: “Daniel na cova dos leões”, o “Milagre da multiplicação dos pães e dos peixes”, a “Travessia do Mar Vermelho”, a “Arca de Noé” e tantas outras, também, a transformação da água em vinho nas Bodas de Caná.


Esta última, é a que trago hoje, não pelo encanto da transformação da água, mas para mostrar através deste episódio da vida de Jesus (João 2:1-11), como a Palavra de Deus dá resposta às perguntas que por vezes fazemos:

Será normal mantermos amizades e vida social?
(V.2) Jesus tinha amigos e, neste caso, foi convidado a participar num acto social que revela intimidade, um casamento, e aceitou.
Sim é normal e melhor se convidarmos Cristo a entrar nos nossos espaços. O cuidado que temos de pôr para um conviva tão especial, permite que tenhamos mais cuidado na escolha da nossa decisão.

Podemos acelerar as respostas às nossas ansiedades?
(V.4) A mãe de Jesus, perante o facto do vinho ter acabado, sabia que podia apelar à obra de Jesus, mas o tempo de Deus não é igual ao nosso.
Devemos aprender a esperar, sem perder a proximidade com o Mestre. Precisamos lembrar que o nosso nível de preocupação é humano, mas a decisão de Deus é espiritual.

Na dúvida, que certezas temos?
(V.5) Maria disse aos criados que fizessem o que Jesus mandasse.
Pode parecer um tiro no escuro, mas devemos ouvir e obedecer à vontade de Deus. Afinal de contas, se Ele é o Senhor das nossas vidas, mesmo quando o caminho não é o que julgamos melhor, devemos ter confiança na sua vontade.

Então, Deus faz tudo o que precisamos?
(V.7) Jesus mandou os serviçais encher os potes com água.
Não, é nosso dever fazer aquilo que podemos. Deus conhece as nossas limitações e sabe o que é razoável ao homem realizar; logo, devemos executar com fé o que for da vontade e mando de Deus.

Os resultados serão sempre satisfatórios?
(V.10) Depois da transformação de água em vinho, o mestre-sala aprovou-o como sendo o melhor, na sua perspectiva até era desfasado para a altura.
Devemos confiar nas respostas de Deus e ter certeza na vitória. Talvez não seja o que queremos, mas são, sem dúvida, as melhores.

Porque será que certos contratempos acontecem na nossa vida?
(V.11) Manifestou-se a glória de Deus e os discípulos confirmaram a sua fé.
Porque é necessário que reconheçamos a soberania de Deus e a nossa dependência; dessa forma, também, fortalecemos a nossa fé e mostramos a gloriosa missão de Cristo na nossa vida espiritual.

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.”
II Timóteo 3:16-17

sábado, 29 de setembro de 2012

Relacionamento Verdadeiro

“Pois outrora éreis trevas, porém, agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” – Efésios 5: 8

Basta olhar à nossa volta para percebermos que ser religioso nada tem a ver com o verdadeiro relacionamento com Deus. Há pessoas que vão às igrejas com motivações que passam por tradição, medo, distracção, hábito, ilusão e mais uma quantidade considerável de razões.
Acontece que isso turva a presença do Mestre e desvirtua o relacionamento com Deus.

A passagem bíblica de Lucas 24: 13-35, fala de 2 discípulos que iam a caminho de Emaús, Jesus juntou-se a eles e…
Pois é, não o reconheceram.

Isto acontece quando somos meros religiosos:
1- Falamos acerca do Mestre, mas não temos consciência da Sua presença (v.14-16);
2- Deixamo-nos levar pelas agruras da vida (v.17);
3- Perdemos a sensibilidade para acreditar nos que vivem o Evangelho (v.22-24);
4- Descuramos o fervor pela Palavra (v.25-27).

Mas, ainda nada está perdido. Para termos um relacionamento real com Deus, basta:
1- Desenvolvermos intimidade com Ele, desejando a Sua presença (v.29);
2- Deixarmos Jesus guiar a nossa comunhão com o Pai (v.30);
3- Reconhecermos Cristo de forma pessoal (v.31a);
4- Restaurar a consciência, sentir o ardor da Palavra e testemunhar de Jesus (v.32-35).




Oração: Deus, ajuda-me a não desleixar o meu relacionamento contigo. Faz com que o meu coração reconheça a Tua presença. Que a Palavra seja luz na minha vida e eu não me canse de falar de Ti.

sábado, 22 de setembro de 2012

O Pastor Velhinho

Esta é a designação com que os meus netos carinhosamente se referem ao Pastor António dos Santos.
Lembrar-me eu que o conheci nos meados dos idos anos 60. Era ele um jovem pastor…

Converteu-se aos 17 anos e, apaixonado pelo seu Mestre, decidiu servi-lO a tempo integral. E, integral, é isso mesmo, a tradução literal da sua disponibilidade à obra de Deus.
O ano passado completou 55 anos de consagração ao ministério e 50 de serviço pastoral na III Igreja Evangélica Baptista de Lisboa.

03.07.2011 - Eu felicitando o pastor
pelos 50 anos de ministério na nossa igreja
Ele é, provavelmente, o pastor que mais apresentações, baptismos, visitação, casamentos e funerais fez durante o seu ministério e, seguramente, o que mais rebuçados guardou (guarda) dentro dos bolsos para mimar os mais pequeninos.
Muitos são os que têm aprendido com as suas mensagens e exemplo, os que se comovem com o seu amor e dedicação e os que se riem com as suas histórias incríveis.
Ele tem uma enorme capacidade de serviço, é bom ouvinte, tranquilo, presente, cuidadoso e tem coisas que uns gostam mais e outros menos, mas não fica indiferente a ninguém e, mais tarde ou mais cedo, todos reconhecem o seu valor e o respeitam.

Na quinta-feira, completou a provecta idade de 80 anos e, após 50 a pastorar a nossa igreja, continua ao seu serviço (activo) como pastor emérito.
Talvez o possa definir como alguém humilde perante Deus, simples perante os homens!



“Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver.”
Hebreus 13:7

 
Eu amo-o muito pastor e sim, desejo imitar a sua fé.
Para usar uma linguagem internauta, digo-lhe: Gosto!

sábado, 15 de setembro de 2012

Quem Sou Eu?

“Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que Te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?”
Salmo 8:3-4



Quem sou eu?
P’ra que o Deus de toda terra
Se preocupe com meu nome
Se preocupe com minha dor.

Quem sou eu?
P’ra que a estrela da manhã
Ilumine o caminho
Deste duro coração.

Não apenas por quem sou
Mas porque Tu és fiel;
Nem por tudo o que eu faça
Mas por tudo o que Tu és!

Eu sou como um vento passageiro
Que aparece e vai embora;
Como onda no oceano
Assim como o vapor.

E ainda escutas quando eu chamo,
Me sustentas quando eu clamo,
Me dizendo quem eu sou:

Eu sou teu!
Eu sou teu!

Quem sou eu?
P’ra ser visto com amor
Mesmo em meio ao pecado
Tu me fazes levantar.

Quem sou eu?
P’ra que a voz que acalma o mar
E acaba com a tormenta
Que se faz dentro de mim.

A quem temerei?
A quem temerei?
Eu sou teu!
Eu sou teu !

sábado, 8 de setembro de 2012

Alfabetização e Literacia


Faz hoje 45 anos que a ONU e a UNESCO declararam este dia como o “Dia Internacional da Alfabetização”, com o propósito de alertar a consciência da sociedade internacional para um compromisso mundial para o desenvolvimento e a educação.


Portugal, apesar dos progressos verificados após a Revolução, tem ainda uma parte significativa de população analfabeta (9 em cada 100 portugueses continuam sem saber ler e escrever).
Sendo que alfabetização e literacia não são sinónimas, creio que os números apurados pecam por defeito pois juntar letras e ler palavras, não é o mesmo que entender o texto.

Porque é que trago aqui este tema, para além da efeméride?
É simples, tem tudo a ver com as Sagradas Escrituras.
A educação sempre teve um papel importante no desempenho do povo de Deus. No Velho Testamento a aprendizagem da aliança de Deus com o seu povo foi recomendada para cada geração (Ex.: Deuteronómio 6:1-2); no Novo Testamento a educação teve especial destaque na igreja primitiva (Ex.: Actos 5:42; II Timóteo 2:15); nos nossos dias muitos são os pastores, teólogos e líderes que empenhadamente estudam e ensinam a Palavra.

Na verdade, não é à toa que os crentes estudiosos da Palavra de Deus, mesmo com pouca escolaridade, têm uma literacia superior à de outros cidadãos. É que o entendimento exegético e hermenêutico precisa de treino mental (discernimento).

Para isso e porque o tempo é de aperto (o preço dos artigos escolares, as matrículas e as propinas são praticamente insuportáveis), trago boas notícias:
* Matrícula – grátis para quem pedir a ajuda de Deus.
* Material escolar – a Bíblia Sagrada, caderno e caneta (há livros de apoio, mas não são obrigatórios).
* Local de aprendizagem – o nosso próprio lar e a igreja mais próxima (há Escolas Bíblicas e Seminários, mas nem todos têm que frequentar).
* Tempo de estudo – o estipulado pelos horários da comunidade religiosa e mais o que individualmente dispusermos.
* Método – Leitura atenta (pelo próprio ou outro) da Bíblia; reflexão; anotação das propostas do texto; pesquisa; anotação de dúvidas; pedido de auxílio ao pastor ou a um crente mais experimentado; estar focado nos objectivos das lições e pregações na igreja; fazer o trabalho diário (praticar).

Muitos crentes são privilegiados, tal como foi Timóteo (e eu), já que desde a infância têm a oportunidade de aprender as Sagradas Letras. Mas, em qualquer altura da nossa vida se pode dar início ao estudo, não importa a idade para formar uma comunidade de estudantes da Palavra Deus (incluindo a alfabetização, se for necessário).
O crente deve superar-se, não pode desculpar-se com a sua ignorância, nem contentar-se com a sua inferioridade porque isso equivale a dizer que está deliberadamente a perder os tesouros escondidos na Palavra de Deus.

“Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica;
pois receberam a Palavra com toda a avidez,
examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram de facto assim.” – Actos 17:11

sábado, 1 de setembro de 2012

Shalom!

As palavras têm vida e história própria e eu gosto de as explorar.
“Shalom” é, provavelmente, a palavra de que mais gosto e mais prazer me dá; exactamente assim, com a sonoridade original, sem tradução e com o seu real sentido. Daí a utilizar regularmente.


Amplamente usada no Velho Testamento (mais de 250 vezes) esta palavra de origem hebraica, geralmente traduzida como “paz”, significa “estar bem” e é, até hoje, utilizada como cumprimento entre os judeus, principalmente em Israel.
Pretensamente não como o nosso tradicional cumprimento de “olá” ou “adeus”, mas como um desejo ligado à integridade do individuo, ao todo, à harmonia, à qualidade de vida e à bênção.

Então, em “Shalom”, está implícita a ideia de um estado de rectidão e plenitude, só conseguido através da acção da graça divina na nossa vida. Lembremo-nos que Jesus foi identificado como “Príncipe da Paz” (Isaías 9:6) e que n’Ele fomos reconciliados com Deus.
Portanto, saudar com “Shalom” é, além de um desejo para com o nosso interlocutor, uma intercessão a Deus pelo seu bem-estar.

Aceitemos para nós o cumprimento de despedida de Cristo aos seus discípulos:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” – João 14:27

Saúdo-vos com Shalom!

sábado, 25 de agosto de 2012

Não Andeis Ansiosos

Eu gostava de ter estado naquela multidão que seguiu Jesus, até que Ele se sentou num lugar do monte e começou a falar-lhes.

Passei por lá em 1999, é inspirador!… Ao sentir aquela aragem, ao ver toda a paisagem circundante e ao descobrir pormenores singulares do local, imaginei, por um pouco de tempo, que estava na cena do "Sermão da Montanha", uma das minhas preferências bíblicas (Mateus 5-6-7).

Há no capítulo 6, uma clara demonstração de que é Deus que nos sustenta e de que Ele está interessado na nossa vida total.
Concretamente no trecho a partir do versículo 25, Jesus enfoca a mensagem nas solicitudes da vida: a ansiedade pelo comer, beber e vestir, ou a inútil preocupação de acrescentar mais um pouco de tempo à vida.
No entanto, desde a criação, Deus forneceu amplos recursos na terra e no mar para suprir as nossas necessidades. Ao homem, compete saber utilizá-los e trabalhar, pois não estamos isentos de dificuldades; mas deixando de lado a ansiedade.

Buscar o reino e a justiça de Deus, é procurar colocar tudo debaixo do governo e controlo d’Ele; é investir a vida em valores eternos; é fazer tudo para a Sua glória. E o resultado disso, é vermos as demais coisas nos serem acrescentadas, pois Deus supre e cuida, dá paz, alegria, vida abundante e tudo o mais que nos é necessário.

Na verdade a ansiedade é a preocupação sobre o amanhã, mas experimentada hoje. Sempre que ficamos ansiosos, ficamos preocupados no momento presente sobre alguma coisa que vai acontecer no futuro, muitas vezes, por algo que nem chega a acontecer.

“Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã,
pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” – Mateus 6:34

domingo, 19 de agosto de 2012

Santificação

Santificação, quer dizer “tornar santo” ou “separar do mundo”, para usufruir de completa comunhão com Deus.
Isto não quer dizer que obtemos uma perfeição espontânea e absoluta, mas que adquirimos obediência e pureza diante de Deus num processo vitalício, sendo progressivamente transformados até à semelhança de Cristo.

Paulo, ao modo de bênção, no fim duma carta diz:

“O mesmo Deus de paz vos santifique completamente;
e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros
e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”
I Tessalonicenses 5:23

Podemos verificar que o homem é composto por: corpo, alma e espírito, e que a santificação atinge as três componentes, por isso Paulo utiliza o advérbio “completamente”, ou seja, o todo. Vejamos cada uma das partes:

ESPÍRITO – capacidade de ter consciência das coisas espirituais (razão, conhecimento, inteligência) e de ter comunhão com Deus. De facto, o único ser da criação capaz de questionar e se relacionar com Deus, é o homem.
Santificação do Espírito: regeneração (I Pedro 2:1), crescimento (I Pedro 2:2) e identificação com Cristo (I Pedro 2:5);

ALMA – capacidade de ter consciência do eu (entendimento, emoções, arbítrio), é a vida, a manifestação não material do ser. Só difere dos outros animais porque foi modelada à imagem de Deus.
Santificação da Alma: mudança de valores (Efésios 4:25-32) e prática da Palavra de Deus (Tiago 1:21);

CORPO – é a matéria, o físico, o reconhecimento das coisas naturais. Aí, o homem tem forma e função como qualquer outro animal, mas, para Deus, uma avaliação diferente da dos outros seres (status, preço, postura).
Santificação do Corpo: guardar da imoralidade (I Coríntios 6:12), utilização convenientemente (I Tessalonicenses 4:4) e por fim, gozar a transformação (I Coríntios 15: 51-53).

Ora, então, a santificação começa pela regeneração do espírito, depois e progressivamente, a alma é restaurada e o corpo é purificado. Quando Paulo destaca as três partes, mostra que cada uma delas é importante e tem de ser trabalhada.
Uma vez santificados, sabemos que a nossa recompensa é a vida eterna com Deus.

“Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.” – Romanos 6:22