“Os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo”
Leonardo da Vinci
Ou seja, olhar, é muito mais que ver… É envolvimento, é conhecimento,
é partilha, é capacidade de interpretação. Digo eu que, como “janela da alma”, os olhos expõem-nos (é o
que dizem aos outros); como “espelho do mundo”, eles recebem (é o que
deciframos dos outros).
A Bíblia relata-nos alguns episódios que se referem ao olhar
de Jesus. Um deles foi assim:
“Então, voltando-se o Senhor, fixou
os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera:
hoje três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então Pedro, saindo dali,
chorou amargamente.” – Lucas 22:61-62
Isto é doloroso, só de imaginar!
Pedro foi um dos escolhidos por Jesus para O seguir. Eles
passaram três anos juntos…, mais, Pedro fazia parte do núcleo duro dos amigos
do Mestre.
Perante a advertência de Jesus para as ciladas de Satanás,
jurou-Lhe fidelidade incondicional e, quando Jesus foi capturado, Pedro avançou
em Sua defesa com a espada, mas ao vê-Lo ser acusado e humilhado, a sua
autoconfiança desmoronou e a sua fé ficou abalada. Por três vezes negou
conhecer o seu Amigo especial.
Depois de um relacionamento tão íntimo, tantas expectativas,
tanta partilha, Pedro, na pior altura da vida do seu Mestre, deitou tudo a
perder…
Mas, Jesus olhou para ele!
Aquele olhar era uma janela que transmitia tristeza e
reafirmava amor, não eram precisas palavras.
Esse mesmo olhar via, por entre as lágrimas de Pedro, o
desconforto do amigo pelo amargo reconhecimento da fraqueza.
A comunhão estava restaurada!
Estes dias que antecedem a comemoração da ressurreição, são
um bom tempo para reflectir acerca do olhar de Jesus.
Primeiro, saber que Ele vê no mais íntimo do nosso ser; vê
tudo!
Depois, saber que por meio desse olhar temos protecção e perdão.
Mas saber, também, que só temos vida se nós próprios O olharmos.
E, ainda, ponderar sobre o que temos nós para Lhe mostrar.
























