"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


domingo, 26 de janeiro de 2014

Bem Está!

Para mim é uma honra ter conhecido e privado com grandes servos de Deus que, vivendo em condições sociais, políticas e religiosas bem diferentes das actuais, nunca deixaram de lutar pela divulgação do evangelho.
Hoje venho cumprir uma promessa que aqui fiz (20.10.12) e falar de Eric Barker.

Nascido num lar cristão, em Inglaterra, a 23 de Janeiro de 1899, entregou a sua vida a Cristo quando tinha 7 anos de idade.
A partir daí, apesar de ainda criança, fez da oração a sua arma. Este foi o homem que, com uma doçura incomparável, se dirigia a Deus com o seu belo sotaque inglês: “Aba, Pai, meu Paizinho querido”.

Desde a adolescência colaborou activamente na igreja, a nível da Escola Dominical e na realização de cultos ao ar livre, mas foi aos 21 anos, depois de ter servido na marinha durante a I Guerra Mundial, que decidiu dedicar a sua vida à obra do Senhor.
Entretanto, sentindo-se atraído pelo campo missionário, veio para Portugal, por influência do testemunho de seu pai que tinha estado no nosso país e conhecia as carências espirituais aqui existentes.

Uma vez em Portugal, teve contacto com outros dedicados obreiros ingleses a residir no nosso país, aprendeu português com José Ilídio Freire (Igreja das Amoreiras - Lisboa) e ao fim de três meses já pregava na nossa língua. Foi nessa altura que rumou ao norte, para a zona de Ílhavo, onde já havia alguns crentes e começou a fazer cultos nas casas e ao ar livre.
Aos 24 anos, depois de ter alargado a sua acção a outras localidades do distrito de Aveiro, fixou ali residência e deslocou-se a Inglaterra para casar.

Numa altura em que Portugal vivia no obscurantismo espiritual e havia perseguição religiosa, Eric Barker foi um dos bravos que nada temeram, mesmo perseguido, insultado e apedrejado, continuou fiel ao seu Deus. Com uma carroça puxada por uma mula (oferta de alguns crentes da zona sul), percorreu vários lugares do país para distribuir folhetos, vender Bíblias, pregar o Evangelho e cantar hinos tocando ao som do seu bandolim.
Com todos os obstáculos, o trabalho ia dando frutos, almas rendiam-se aos pés de Cristo e formavam-se  comunidades de culto.

Entretanto, teve de arranjar um trabalho secular (contabilista) para sustentar a família que estava a aumentar (chegou a ter oito filhos), mas nunca deixou o serviço para que Deus o chamara. Em 1935 fixou residência na Foz do Douro e adaptou o piso inferior da casa a salão de cultos.
Em 1941, no apogeu da II Guerra Mundial, aceitou a sugestão do consulado britânico e embarcou toda a sua família (mulher, filhos e outros parentes) com destino a Inglaterra. Porém, o barco foi torpedeado por um submarino alemão e afundou-se. Toda a família sucumbiu.
Eric Barker recebeu a notícia a um Domingo… quando chegou a hora do culto foi para a igreja, pregou e, serenamente, participou: “Todos os meus queridos já chegaram ao lar Celestial!”

Sem se deixar afundar na tristeza das perdas, sem medo da repressão político-religiosa, sem temer as dificuldades sociais provenientes da guerra, manteve-se firme, dedicando todo o seu tempo à defesa do Evangelho e à salvação de almas. Toda a zona de Coimbra, Aveiro e Porto, foi alvo preferencial da sua acção e muitas das igrejas existentes tiveram a sua influência.

Em 1946 Eric Barker casou em segundas núpcias com a jovem Beryl (18 anos mais nova) e Deus deu-lhe mais cinco filhos. Juntos prosseguiram na realização da obra, dando formação, pregando e dirigindo vários trabalhos de consolidação do ministério.

Foi, juntamente com outros crentes de todo o país, um dos grandes impulsionadores da Convenção Beira-Vouga, onde algumas vezes o ouvi pregar.
Também, até à minha juventude, o ouvi e mantive contacto, sempre que se deslocava ao sul.

Era uma inspiração!

O meio evangélico português muito deve a este servo de Deus, gratidão que se estende a vários outros missionários ingleses que trouxeram a Palavra de Deus até nós no princípio do século passado.

Erick Barker morreu a 09 de Julho de 1989.
 
“E o seu Senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.” – Mateus 25:21

domingo, 19 de janeiro de 2014

A Resposta Vai Chegar

De volta às respostas de Deus à oração, gostava de relembrar que o tempo de Deus não é contabilizado como o nosso.
Na verdade, se Deus não responde rapidamente às orações, Ele vai fazê-lo no tempo devido. Por vezes somos tentados a pensar que Deus não nos ouve, mas não, talvez tenhamos de aperfeiçoar o pedido; talvez tenhamos de exercitar a humildade; talvez tenhamos de aprender a ser pacientes; ou, simplesmente essa não é a melhor altura para ser atendidos. Porém, o importante é continuar a pedir, não há nada de errado em pedir a mesma coisa repetidamente…, a resposta vai chegar!

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai,
e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha;
e ao que bate, abrir-se-lhe-á.”
Mateus 7:7-8
Conta-se que um homem, único sobrevivente de um naufrágio, foi dar a uma ilha desabitada. Ali, ele aprendeu a viver na completa dependência de Deus a quem constantemente pedia que enviasse socorro, olhando o horizonte na expectativa de ver qualquer navio que porventura ali passasse.
 
Entretanto, com o pouco que recuperou do navio naufragado e os recursos naturais da ilha, construiu um abrigo e alimentou-se.
 
Nesse ambiente que nós chamaríamos de paradisíaco, o náufrago carecia de bens essenciais e de certezas quanto ao seu resgate, mas continuava a pedir o auxílio de Deus.
 
Certo dia, quando regressava de uma procura de alimento, ficou em pânico ao encontrar a sua cabana em chamas. Tudo quanto possuía tinha-se transformado numa coluna de fumo. Para aquele homem, já nada pior podia acontecer e decepcionado considerou que, depois de um tempo incontável a orar, Deus não o ouvira.
 
No dia seguinte, olhando para o infinito em desiludida meditação sobre a incerteza do seu futuro, avistou um navio.
Ao chegar à ilha, o comandante alegou que se aproximaram porque tinham visto o sinal de fumo a pedir socorro.
 
Quando Deus nos obriga a esperar por uma resposta, devemos continuar conectados com Ele, sabendo que por vezes, nas maiores adversidades, pode estar a melhor resposta de Deus.
 

sábado, 11 de janeiro de 2014

Respostas de Deus à Oração

Nós gostamos de arranjar argumentos para justificar todas as coisas; até as acções de Deus.
É por isso que costumamos ouvir dizer que Deus responde às orações de três formas: SIM, NÃO e ESPERA. Há também quem diga que Ele pode responder TALVEZ.

Espera – é uma questão de tempo, equivale a dizer “respondo mais tarde”, mas não é resposta; Talvez – é dúvida, logo, não entra no vocabulário d’Aquele que é omnisciente.
Fico pelo Sim e o Não.

“Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.” – Tiago 4:3
“E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.” – I João 5:14

O bom é que Deus não nos deixa sem resposta.
Umas vezes responde de imediato, outras demora mais tempo; às vezes corresponde à nossa linha de pensamento, outras a acção é diferente e a conclusão é melhor.

Ainda voltarei a este assunto, mas agora vou contar uma experiência pessoal.

Lembro-me claramente que, quando eu era criança, viajei com os meus pais, irmãs e outros crentes com destino a Águas de Moura, na zona de Pamela, para trabalho missionário.
Estávamos nos anos cinquenta, não tínhamos carro e os meios de transporte naquelas terras eram escassos. Tudo era muito distante.


Saídos da camioneta, fartámo-nos de andar até que encontrámos umas trabalhadoras rurais que, após o receio inicial, lá indicaram o caminho para Águas de Moura.


Não voltámos a ver ninguém... o caminho era inclinado, debaixo de sol e longo… muito longo.
Passado muito tempo chegámos a uma clareira onde convergiam quatro caminhos. Como tínhamos vindo de um, restavam três e não sabíamos qual era o certo.
Foi então que o meu pai sugeriu que pedíssemos a direcção a Deus e formando um círculo, começaram a orar. Eu era a pequenina daquele grupo, tinha 5 ou 6 anos e, já cansada da espera, pus-me a andar.
Quando acabaram de orar, perceberam que eu não estava ali e avistaram-me a caminhar, feliz e despreocupada. O meu pai primeiro ralhou comigo,  mas depois lembrou-se que tinham pedido a Deus uma orientação e… lá chegámos a Águas de Moura.

Aqui está uma resposta imediata, podemos até dizer que mais rápida que o imaginável. Isto, porque Deus conhece todas as nossas necessidades e sabe quando e como agir.

“E será que antes que clamem Eu responderei; estando eles ainda falando, Eu os ouvirei.”
Isaías 65:24

sábado, 4 de janeiro de 2014

Paz!

Este é o 4º dia de 2014. O ano ainda cheira a novo…

A certeza que podemos ter é que, passam os meses, as semanas, os dias e nunca, mas nunca, vamos estar completamente satisfeitos.

Umas vezes existem motivos reais e impensáveis, outras nem por isso. Tem coisas que são assim, só porque são; tem outras que são assim porque não as fizemos de outra maneira.

Porém, quando nos depositamos nas mãos do Senhor, podemos descansar porque Ele nos levanta. Lembremos as palavras de Jesus:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” – João 14:27

É isso mesmo… Este é o sentimento/certeza que quero para 2014. Shalom!


sábado, 28 de dezembro de 2013

O Balanço

Ainda há situações que me fazem perguntar: “Porquê?”
E, na hora do balanço, bate aquela tristeza pelas vezes que houve engano, desrespeito, perdas ou falta de gratidão. Na verdade, há sempre coisas que gostávamos que tivessem sido diferentes…

Mas sabem o que encontrei ao fazer o meu balanço? Que, no bom e no mau, Deus estava lá e eu sempre pude confiar no Seu amor; por isso, está bem assim!

Olho em tudo e sempre vejo a Ti;
Estás no céu, na terra, onde eu for…
Em tudo o que me acontece eu sinto o Teu amor,
Não posso mais deixar de crer em Ti, Senhor!
 
É impossível eu não crer em Ti,
É impossível não Te encontrar,
É impossível não fazer de Ti meu ideal!


Que os próximos 365 dias sejam repletos de comunhão com Deus.

“Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que n’Ele confia.” Salmo 34:8

Shalom!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Feliz Natal!

 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
João 3:16

domingo, 15 de dezembro de 2013

Conto de Natal

Estamos cada vez mais perto do Natal. Tempo para reflectirmos sobre o papel de Jesus no mundo e, particularmente, na nossa vida.
A todos que por aqui passam, desejo que recebam Jesus, independentemente do julgamento dos outros.


«O Natal estava próximo, quando os nazis entraram em casa duma família de alemães cristãos que escondiam judeus.
Todos ficaram apavorados e mantiveram-se estáticos e silenciosos.

Os judeus estavam exactamente na cave por baixo deles e conseguiam ouvir a polícia a interrogar, um por um, todos os elementos da família de acolhimento.
 
Não estando a obter sucesso, os nazis dirigiram-se ao menino mais novo: “Vocês têm judeus cá em casa?”.
O pequenito hesitou, respirou fundo, e respondeu: “Sim!”

Os pais ficaram aterrorizados; entretanto os nazis, muito educadamente, pediram ao menino que os conduzisse até aos judeus.
O menino, resoluto, levou-os até à sala onde estava uma bonita árvore de natal; depois, baixou-se junto à árvore. Ali estava um presépio com alguns judeus reunidos em torno de um bebé e, tirando o pequeno boneco da manjedoura – Jesus – mostrou-o aos policias.»

(Autor desconhecido)

“Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não O reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não O receberam.” – João 1:10-11

domingo, 8 de dezembro de 2013

Na Rota do Natal

 
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Veio para o que era seu e os seus não O receberam.” – João 1:1,11

 
 
 

sábado, 30 de novembro de 2013

Natal

A palavra NATAL tem origem no latim “Nativitas” (nascimento), no entanto, singularizou-se para indicar, somente, o nascimento de Cristo. Daí, designarmos esta época por “Natal”.


Relativamente à data do nascimento, tudo o que podemos dizer é que: não confere com o 25 de Dezembro.
Como sabemos Jesus nasceu de noite, ou ao cair da noite, quando os pastores guardavam os rebanhos (Lucas 2:8); sucede que o Inverno na Palestina é muito rigoroso (com temperaturas negativas e chuva abundante), em Dezembro os pastos estavam queimados pela geada e os pastores teriam ficado congelados se passassem a noite ao relento. Nesse tempo, os rebanhos saíam para os campos em Março e recolhiam no início de Novembro.
Então, olhando ao relato bíblico, ao clima e aos hábitos locais, podemos concluir que Jesus terá nascido na Primavera (entre Abril e Junho).

Ora, não se sabendo a data exacta (naquela época não havia registo de nascimento, nem o hábito de comemorar aniversários), o Papa Júlio I decretou o 25 de Dezembro para celebrar o Natal, data que veio a ser oficializada no ano 354 pelo Papa Libério.
A data adoptada ocupou assim a da festa pagã “Natalis Solis Invicti” (nascimento do sol invencível), que acontecia durante o Solstício de Inverno.

Entretanto, olhando o calendário comum, verificamos que Cristo terá nascido antes de nascer. Como?
Ao que consta, houve um erro nos cálculos feitos pelo monge e matemático Dionísio, aquando dos estudos para substituir o calendário Juliano pelo Gregoriano em que o ponto de partida seria o nascimento de Cristo, passando a leitura a ser a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo).
Dionísio, por lapso, não contempou o facto de Jesus ter nascido durante o reinado de Herodes (Mateus 2:1) e portanto, estando a morte de Herodes, o “Grande”, datada de 4 a.C., Jesus teve de nascer 5 a 7 anos a.C.
Além disso, o relato bíblico diz que, após o nascimento de Jesus, os magos viajaram para O adorar, mas, vindos do oriente, terão demorado a chegar. E, quando Herodes ordenou a matança dos meninos até 2 anos (Mateus 2:16), já tinha ocorrido a fuga de José e Maria para o Egipto, de onde só voltaram após a morte de Herodes (Mateus 2:13-14).

Ainda a propósito do Natal de Cristo, há quem sugira que a Bíblia está errada e que existe uma contradição entre os relatos feitos por Mateus e Lucas, vejamos os relatos bíblicos e históricos:
 

 
Então, César Augusto governava o Império, Herodes era rei na Judeia e Quirino governador na Síria. Até aqui, podemos ver que são cargos políticos que não colidem. Portanto a confusão só pode estar nas datas do exercício de Quirino.
Vamos verificar e tirar algumas conclusões:

- Há evidências de que, quando Quirino assumiu o governo da Síria em 6 d.C, era a segunda vez que servia Império. A primeira terá sido entre 12 e 6 a.C., quando comandou uma expedição contra uma tribo da Ásia Menor.
Segundo Josefo, os bons resultados militares davam confiança ao governo imperial que, normalmente, retribuía com cargos e/ou missões importantes. Uma vez que o rol de governadores tem um lapso precisamente na altura do nascimento, tudo leva a crer que Quirino pode ter assumido o cargo interinamente durante a falha de um governador e como atenção do imperador.
 
- Além disso, Actos 5:37 (autoria de Lucas) refere um recenseamento (também documentado pelo historiador Josefo) que terá ocorrido entre 6 e 7 d.C., o que confere com os registos de exercício de Quirino. Portanto, se atendermos ao facto de Lucas referir que, quando Jesus nasceu, era o primeiro alistamento sob a presidência de Quirino, é fácil deduzir que, quando Lucas escreveu o Evangelho (entre 64 e 70 d.C.), estava consciente de que o recenseamento de Actos era o segundo com a presidência de Quirino.
 
- Por fim, sabemos por escritos antigos que os romanos realizavam a contagem de 14 em 14 anos, ficando explicado este período – o primeiro recenseamento a 6 ou 7 a.C. e o segundo a 6 ou 7 d.C. Certamente, devido à eficiência com que Quirino executou o primeiro censo, César Augusto deu-lhe o cargo de embaixador e responsável pelo segundo recenseamento.
 
“O povo que andava em trevas viu grande luz e, aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a Luz.” – Isaías 40:3

domingo, 24 de novembro de 2013

Chegou o Natal

E, de repente, ficou frio, e chuva, e vento…, mas o melhor de tudo é que também chegou a proximidade do Natal.

Nenhum outro aniversário, em tempo algum, foi tão festejado como o de Cristo; até mesmo por quem não conhece O aniversariante ou por quem não vai à festa.
Falta um mês para a data tradicional, mas já há iluminações e enfeites, o comércio já está focado na época e, o mais gratificante, os crentes já começaram a preparar a celebração.

Não podia haver salvação através da morte e ressurreição de Cristo se Ele não tivesse nascido homem. Daí a importância e significado desta comemoração.
E, para cumprirmos a missão evangélica, devemos:
Anunciar que o Salvador chegou;
Comunicar que Ele quer nascer no coração dos homens;
Louvá-Lo com as nossas vidas e com música e canto.
 
“Exultai, ó justos, ao Senhor! Aos rectos fica bem louvá-Lo.
Celebrai ao Senhor com harpa;
louvai-O com cânticos de saltério de dez cordas.
Entoai-Lhe uma nova canção; tocai com arte e com júbilo.”
Salmo 33:1-3
 
 
 
“A minha alma engrandece ao Senhor;
e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador!”
Lucas 1:46-47

domingo, 17 de novembro de 2013

O Discípulo Amado

Pescador, filho de Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago; primo de Jesus, sobrinho de Maria; e, pela lógica, primo de Isabel e João Baptista – João – um dos discípulos mais presentes e importantes durante e após o ministério de Jesus.
Acredita-se que viveu até idade avançada, talvez 94 anos.

Escreveu:
- O Evangelho que leva o seu nome, com uma vertente teológica, destinado aos crentes;
- 3 Cartas profundamente doutrinárias que abordam aspectos práticos do exercício da fé, do amor e da obediência;
- O livro do Apocalipse, com revelações e as últimas profecias.

A identificação de “o discípulo (ou aquele) que Jesus amava” usada no Evangelho de João, sem dúvida, refere-se a ele próprio, já que, de outra forma a sua pessoa ficava ignorada  e nós sabemos dele através dos outros evangelhos e do livro de Actos.
Provavelmente João nunca falou de si na primeira pessoa por ter como objectivo anular-se e dar toda a visibilidade e importância ao Mestre.
No entanto, sem identificação formal, encontramos João em diversas passagens do seu Evangelho: 1:35-40 - 13:23-26 - 18:15-16 - 19:26-27 - 20:2-8 - 21:2, 7, 20 e 24.

Entretanto, sabemos que:
- Jesus o chamou para fazer parte dos 12 (Mateus 4:21), que pertenceu ao grupo mais íntimo de Jesus (Pedro, Tiago e João - Marcos 5:37; Mateus 17:1 e 26:37) e, também, ao grupo dos 7 (João 21);
- Tem relatos exclusivos acerca da intimidade no ministério de Jesus (ex: Bodas de Caná, Ressurreição de Lázaro, a Samaritana, etc.);
- Era um activo defensor de Jesus (Lucas 9:51-56);
- Tiago e João, junto com a mãe, sugeriram que lhes fosse permitido assentar-se à esquerda e à direita de Jesus na sua glória, numa alusão aos convidados de honra e demonstração da proximidade e descontração dos laços familiares (Marcos 10:35-41 e Mateus 20:20-28);
- Durante a última ceia ele estava ao lado de Jesus (João 13:21-26);
- Foi o único discípulo que se atreveu a permanecer ao pé da cruz, presenciando todo o sofrimento, e foi aos cuidados dele que Jesus entregou a mãe (João 19:26-27);
- Quando soube que o corpo de Jesus já não estava no túmulo, João correu na frente dos outros e chegou primeiro ao sepulcro (João 20:1-8);
- Esteve sempre presente aquando das aparições de Cristo após a ressurreição (João 20 e 21);
- Quando Jesus apareceu na margem do lago, só João o reconheceu (João 21:7);
- Junto com os outros discípulos presenciou a ascenção (Lucas 24:50-53).

Aqui está o homem que, nos momentos felizes e nos mais difíceis, esteve ao lado de Jesus, como só é premitido a quem tem uma amizade inquestionável e é muito amado.

“Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.”  João 21:24

sábado, 9 de novembro de 2013

Quem era João?

Há alguns anos atrás, questionei-me porque seria João o discípulo amado, quem era aquele homem?... Logo, resolvi estudar a questão e acabei por chegar a uma conclusão que me parece óbvia, embora, toda a minha vida, nunca a ter ouvido.
Como não considerei que isto suscitasse dúvidas, acabei por nunca partilhar o meu estudo.

No passado Domingo, numa classe de adultos da EBD, uma aluna sugeriu que João pudesse ser irmão de Jesus…
Resolvi então mostrar aqui a lógica que encontrei para, julgo que com uma margem mínima de erro, apresentar João como primo de Jesus.

No quadro que elaborei e reproduzo abaixo, pode ver-se em passagens de três Evangelhos (Lucas 23:49 limita-se a dizer “as mulheres que o tinham seguido”) o relato das mulheres mais conhecidas que presenciaram a morte de Cristo. Nas colunas figuram a identificação de cada mulher pela ordem apresentada nos diferentes Evangelhos. As cores têm a ver com a concordância entre as descrições.


 
Então, sabemos que João:
- era filho de Zebedeu (Mateus 4:21);
- Salomé era sua mãe (Mateus 27:56);
- Tiago seu irmão (Mateus 4:21);
- e Maria sua tia (João 19:25).
 
Quanto à falta de relatos bíblicos sobre o parentesco, lembremos:
- Esse não é o objectivo das Escrituras e nada altera a mensagem;
- Jesus viveu na Nazaré até aos 30 anos (Mateus 2:19-23/Marcos 1:9/Lucas 3:23), enquanto João vivia a uns 29 Km de distância, nas imediações do Mar da Galiléia (Marcos 1:16,19), crê-se que em Betsaida ou Cafarnaum. Provavelmente só se conheceram quando Jesus iniciou o ministério.
(Quantos de nós, com toda a facilidade de transportes e comunicações, não conhecemos ou não temos relacionamento com familiares?);
- Jesus trabalhava em carpintaria (Marcos 6:3), João na industria de pesca (Marcos 1:19) portanto os interesses profissionais não tinham relação;
- Para João não era importante a sua pessoa. No Evangelho nunca fala de si na primeira pessoa daí ser natural que também se refira à mãe simplesmente como irmã de Maria.
 
Ainda voltarei a falar de João.
Que Deus nos abençoe no estudo da Palavra.
 
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.” – I Coríntios 15:58

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Dia de...


No princípio do séc. VII, o Papa Bonifácio IV escolheu o dia 1 de Novembro para “Dia de Todos os Santos”, como forma de celebrar “todos”, já que há mais “santos” do que dias no ano.
 

O “Dia de Finados” ou “Dia dos Fiéis Defuntos” surgiu no séc. X, determinando que os monges rezassem por todos os mortos, conhecidos ou não, religiosos ou leigos, de qualquer lugar e de todos os tempos; no séc. XIII foi oficializado o dia 2 de Novembro para esta realização.

 A tradição destas duas comemorações, em abono da verdade, não tem nenhum fundamento bíblico, nem espiritual.
O dia 1 valia pelo facto de ser feriado o que permitia mais um dia de descanso ou de folia, sempre bem-vindo, mas acabou; o dia 2, com um significado mais popular, só vale pelo embelezamento dos cemitérios (muitas vezes esquecidos durante todo o ano).
 
A Bíblia é clara:
1 - Não fala de beatificação, nem de canonização. Porém, diz que os salvos pelo sangue de Cristo, são santos (termo descritivo que quer dizer “separados”).
“Mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.” – I Coríntios 6:11
2 - Não há relato de que os apóstolos ou a igreja primitiva tenham orado aos “santos”. Na realidade, além dos relatos contra imagens, as Escrituras mostram que fora de Cristo não há acesso a Deus.
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” – I Timóteo 2:5
3 - Não há purgatório ou qualquer outra situação intermédia. Após a morte, não existe possibilidade de purificação.
“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.”
– Mateus 25: 34, 41
4 - As rezas, orações e promessas pelos mortos não têm efeito. A salvação é pessoal e em consciência pelo que tem de ser tomada em vida.
“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” – João 5:24
 
Quando Jesus disse que cabe aos mortos cuidar e enterrar os seus mortos (Mateus 8:22), estava a deixar claro que temos de cuidar dos vivos, anunciando o Evangelho da salvação.

domingo, 27 de outubro de 2013

A Reforma Protestante




No dia 31 de Outubro, celebra-se mais um ano sobre o dia da Reforma Protestante. A história, embora conhecida, deve ser recordada, tal como a pessoa do seu impulsionador.

 
 
 
1483 – (10 de Novembro) Nasceu Martinho Lutero;
1502 – Formou-se Bacharel em Filosofia;
1505 – Recebeu o título de Mestre em Artes;
1507 – Foi ordenado Padre, mas, apesar de ser um católico fervoroso e obediente ao papa, tinha profundas dúvidas de carácter espiritual;
1512 – Formou-se Doutor em Teologia e passou a leccionar na Universidade de Wittenberg, tendo um acesso privilegiado à leitura da Bíblia. Influenciado pela teologia Paulina, começou a questionar os erros que a Igreja Romana ensinava;
1515 – Foi nomeado como responsável por onze mosteiros. Nessa altura, despertado pela afirmação de Paulo em Romanos 1:17, envolveu-se em controvérsias relativamente à venda de indulgências.
 
 
O pensamento religioso da época atribuía a remissão dos pecados à compra de indulgências. Graça, fé, Jesus Cristo ou a Palavra de Deus, de nada valiam no processo de salvação. Através da leitura bíblica Lutero chegou a uma nova fé que enfatizava a graça de Deus, a salvação em Cristo e a justificação pela fé.

1516 – Publicou o devocionário “Theologia Deutsch” e tornou-se pároco da igreja de Wittenberg onde começou a proclamar a sua nova fé e a fazer oposição à venda de indulgências;
1517 – (31 de Outubro) Afixou à porta da igreja em Wittenberg 95 Teses que contestavam as práticas da Igreja Romana, dando lugar à maior revolução da história da Igreja Cristã, que veio a chamar-se de “Reforma Protestante”;
1518 – (7 de Agosto) Foi chamado a Roma onde foi julgado como herege;
1519 – Rejeitou a autoridade e infalibilidade do papa e abandonou a Igreja Romana;
1520 – (15 de Julho) A Igreja Romana proferiu a bula “Exsurge Domine”, ameaçando Lutero de ser excomungado;
1521 – (25 de Maio) A excomunhão de Lutero foi pronunciada durante a Dieta de Worms;
1525 – Casou com Katharina von Bora, de quem teve seis filhos;
1529 – Escreveu letra e música do hino “Castelo Forte” que se tornou um emblema do protestantismo;
1546 – (18 de Fevereiro) Morreu de ataque cardíaco.

Após a excomunhão, Lutero compôs diversos hinos (em 1524 publicou o primeiro hinário em alemão), escreveu sermões e compilou estudos (em 1528 publicou o pequeno e o grande catecismos, que se tornaram manuais doutrinários dos protestantes), traduziu a Bíblia das línguas originais para a língua alemã (em 1532 publicou o Novo Testamento e em 1534 a Bíblia completa).

Depois de Lutero, da Reforma e da divulgação da Palavra de Deus, a Igreja Romana deixou de ter domínio exclusivo sobre o entendimento da fé e da salvação.

domingo, 20 de outubro de 2013

Em Jesus Amigo Temos

“Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.
Não me escolhestes vós a mim, mas Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai, Ele vo-lo conceda.” – João 15:15-16

Joseph Scriven, foi um homem com a vida marcada pela adversidade.

Nasceu a 10 de Setembro de 1819, na Irlanda.
Em 1845, na véspera do seu casamento, sofreu um golpe duríssimo, quando a noiva morreu vítima de afogamento. A partir daí Scriven tornou-se um homem melancólico.
No ano seguinte foi viver para o Canadá, onde leccionou e se dedicou a obras de caridade.
Em 1855, recebeu a notícia de que a sua mãe estava gravemente doente e, envolvido numa profunda tristeza e recolhimento com Deus, escreveu o poema “Orai sem cessar”.
Já em 1860, Joseph Scriven, voltou a apaixonar-se e a ficar noivo, mas antes de se casar a sua jovem amada morreu de tuberculose.
A partir desse dia, o seu interesse foi exclusivamente servir ao Senhor ajudando os membros idosos da sua comunidade no Canadá.
A 10 de Agosto de 1886, doente, cansado e abatido pelas tragédias, caminhou até um ribeiro perto de casa, onde foi encontrado morto, debruçado como estando em oração.

Hoje nas igrejas baptistas cantamos o seu poema, especialmente conhecido pelo primeiro verso “Em Jesus Amigo Temos”.
A melodia deste hino é da autoria de um advogado americano, Charles Converse, e embora não se saiba em que circunstância houve o encontro da música com a letra, sabemos que foi publicado pela primeira vez, num hinário de Escola Bíblica Dominical, em 1870, dezasseis antes da morte de Joseph Scriven.

Este é um dos meus hinos favoritos. É lindo!

No dia 29 de Setembro recebemos na minha igreja parte do grande coro da I Igreja Baptista da Penha (lamento não se ver o solista) e quero partilhar convosco a beleza com que fui surpreendida.
Só não consigo transmitir como ficou o meu coração porque foi glorioso demais.

 
 
Em Jesus amigo temos,
mais chegado que um irmão,
Ele manda que levemos
tudo a Deus em oração!
Oh! que paz perdemos sempre,
oh! que dor no coração,
só porque nós não levamos
tudo a Deus em oração!

Temos lidas e pesares
e na vida tentação;
não ficamos sem conforto,
indo a Cristo em oração.
Haverá um outro amigo
de tão grande compaixão?
Os contritos Jesus Cristo
sempre atende em oração.

E se nós desfalecemos,
Cristo estende-nos a mão,
pois é sempre a nossa força
e refúgio em oração.
Se este mundo nos despreza,
Cristo é nosso em oração;
em seus braços nos acolhe
e nos dá consolação.
 
(Letra completa - CC-155)