"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Dia de...


No princípio do séc. VII, o Papa Bonifácio IV escolheu o dia 1 de Novembro para “Dia de Todos os Santos”, como forma de celebrar “todos”, já que há mais “santos” do que dias no ano.
 

O “Dia de Finados” ou “Dia dos Fiéis Defuntos” surgiu no séc. X, determinando que os monges rezassem por todos os mortos, conhecidos ou não, religiosos ou leigos, de qualquer lugar e de todos os tempos; no séc. XIII foi oficializado o dia 2 de Novembro para esta realização.

 A tradição destas duas comemorações, em abono da verdade, não tem nenhum fundamento bíblico, nem espiritual.
O dia 1 valia pelo facto de ser feriado o que permitia mais um dia de descanso ou de folia, sempre bem-vindo, mas acabou; o dia 2, com um significado mais popular, só vale pelo embelezamento dos cemitérios (muitas vezes esquecidos durante todo o ano).
 
A Bíblia é clara:
1 - Não fala de beatificação, nem de canonização. Porém, diz que os salvos pelo sangue de Cristo, são santos (termo descritivo que quer dizer “separados”).
“Mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.” – I Coríntios 6:11
2 - Não há relato de que os apóstolos ou a igreja primitiva tenham orado aos “santos”. Na realidade, além dos relatos contra imagens, as Escrituras mostram que fora de Cristo não há acesso a Deus.
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” – I Timóteo 2:5
3 - Não há purgatório ou qualquer outra situação intermédia. Após a morte, não existe possibilidade de purificação.
“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.”
– Mateus 25: 34, 41
4 - As rezas, orações e promessas pelos mortos não têm efeito. A salvação é pessoal e em consciência pelo que tem de ser tomada em vida.
“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” – João 5:24
 
Quando Jesus disse que cabe aos mortos cuidar e enterrar os seus mortos (Mateus 8:22), estava a deixar claro que temos de cuidar dos vivos, anunciando o Evangelho da salvação.

domingo, 17 de março de 2013

O Olhar de Jesus


“Os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo”
Leonardo da Vinci
 
Ou seja, olhar, é muito mais que ver… É envolvimento, é conhecimento, é partilha, é capacidade de interpretação. Digo eu que, como “janela da alma”, os olhos expõem-nos (é o que dizem aos outros); como “espelho do mundo”, eles recebem (é o que deciframos dos outros).
 
A Bíblia relata-nos alguns episódios que se referem ao olhar de Jesus. Um deles foi assim:
 
“Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: hoje três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então Pedro, saindo dali, chorou amargamente.” – Lucas 22:61-62 
 
Isto é doloroso, só de imaginar!
 
Pedro foi um dos escolhidos por Jesus para O seguir. Eles passaram três anos juntos…, mais, Pedro fazia parte do núcleo duro dos amigos do Mestre.
Perante a advertência de Jesus para as ciladas de Satanás, jurou-Lhe fidelidade incondicional e, quando Jesus foi capturado, Pedro avançou em Sua defesa com a espada, mas ao vê-Lo ser acusado e humilhado, a sua autoconfiança desmoronou e a sua fé ficou abalada. Por três vezes negou conhecer o seu Amigo especial.
 
Depois de um relacionamento tão íntimo, tantas expectativas, tanta partilha, Pedro, na pior altura da vida do seu Mestre, deitou tudo a perder…
Mas, Jesus olhou para ele!
 
Aquele olhar era uma janela que transmitia tristeza e reafirmava amor, não eram precisas palavras.
Esse mesmo olhar via, por entre as lágrimas de Pedro, o desconforto do amigo pelo amargo reconhecimento da fraqueza.
A comunhão estava restaurada!
 
 
Estes dias que antecedem a comemoração da ressurreição, são um bom tempo para reflectir acerca do olhar de Jesus.
Primeiro, saber que Ele vê no mais íntimo do nosso ser; vê tudo!
Depois, saber que por meio desse olhar temos protecção e perdão.
Mas saber, também, que só temos vida se nós próprios O olharmos.
E, ainda, ponderar sobre o que temos nós para Lhe mostrar.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Verdade ou Mentira?



Conta-se que o nosso poeta (escritor, dramaturgo, político), João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, fundador do romantismo em Portugal, era um homem muito vaidoso, mas com poucos atributos físicos. Por isso, procurava dissimular os defeitos de modo a ter uma aparência sedutora.




Em determinada altura, terá posto ao seu serviço um rapazinho, chegado da província, não habituado à estética e aos disfarces da sociedade mais evoluída.
À noite, quando se preparava para dormir, pediu ao miúdo que o ajudasse a despir-se. Começou, então, por tirar a peruca, o que deixou o criado espantado; de seguida, tirou os dentes postiços e mandou o rapaz, já pálido, pô-los num copo; depois, passou-lhe as almofadinhas que modelavam a barriga das pernas e o peito, com o que o rapaz ficou completamente alucinado.
Então Garrett, que já se apercebera da tremenda agitação do criado, diz-lhe com ar muito sério: “Agora, desatarraxa-me a cabeça e põe-na em cima da mesa-de-cabeceira.”
O miúdo, apavorado, fugiu do quarto a correr e nunca mais apareceu.

Acabou há dias a festa dos disfarces, onde tudo pode acontecer. No carnaval podem ultrapassar-se todos os limites da decência e permitir-se o que normalmente é criticado e proibido.
Com origem em rituais pagãos, não passa de uma manifestação popular das obras da carne pois há um excesso de danças sensuais, nudez, lascívia, mentira e, também, vinho, drogas e imoralidade sexual.

E, falando em disfarces, como é com os crentes? Não me refiro ao carnaval, mas ao convívio espiritual.
Sinceramente, não sei o que nos aconteceria se assistíssemos ao despir da máscara de alguns crentes “muito espirituais”.
Esta análise começo por fazer a mim própria, para não cair na tentação de mostrar aquilo que não sou ou de me envaidecer com o que sou ou faço.

Lembram-se da parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18:9-14)?

A atitude convencida do fariseu quando foi ao templo é a de um homem presunçoso a descrever o quanto é fantástico. Jesus diz que ele “orava de si para si”, preocupado que estava em exaltar as suas virtudes e em fazer comparações com os outros.
Ele nunca demonstrou humildade ou gratidão, simplesmente, de forma orgulhosa, se considerava tão extraordinário que queria ser ouvido.


Mas a verdade é que o fariseu era hipócrita, estava mascarado de espiritual através das suas obras religiosas, jejuns, ofertas, boas intenções e palavras bonitas.

Ora, a personalidade dos filhos de Deus não pode ser fantasiada, tem de ser genuína. Aos crentes é pedido:

“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;
e andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta
e sacrifício a Deus em aroma suave.
Mas a impudicícia e toda a sorte de impurezas, ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos; nem conversão torpe, nem palavras vãs, ou chocarrices, coisas essas inconvenientes,
antes, pelo contrário, acções de graça.
Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro,
ou avarento, que é idólatra,
tem herança no reino de Cristo e de Deus.
Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto não sejais participantes com eles.” – Efésios 5:1-7

O que achei hilariante no relato sobre Almeida Garrett, entristece-me quando acontece com os crentes.
Analisemo-nos, dispamos toda a roupagem enganosa e limpemos a cabeça pois é lá que o fingimento se desenvolve. Será desolador ver alguém fugir e nunca mais voltar por causa dos nossos disfarces.