"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


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sábado, 10 de maio de 2014

Soberania de Deus ou Escolha do Homem?

A Soberania de Deus é inegável; a Escolha Humana também…, ambas andam juntas e não devemos excluir ou diminuir nenhuma delas.
Parece irracional que a Soberania de Deus possa andar ao lado da Escolha do Homem?
Vamos analisar isso com exemplos bíblicos, não esquecendo que andar ao lado, não significa serem forças iguais. Lembram-se da ilustração com que terminei a semana passada em “Predestinação e Livre Arbítrio”?

Deus é soberano porque, somente Ele, não está abaixo de ninguém, nada o influência e é absolutamente independente. Deus faz o que quer, como quer e quando quer.
Assim sendo, Deus tem poder sobre todas as coisas e todos os homens.

“Tua é, Senhor, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque Teu é tudo quanto há nos céus e na terra; Teu é, Senhor, o reino, e Tu te exaltaste por cabeça sobre todos.
E riquezas e glória vêm de diante de Ti, e Tu dominas sobre tudo, e na Tua mão há força e poder; e na Tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo.” – I Crónicas 29:11-12

Entretanto, não foi por acaso que Deus, desde a criação, deu liberdade ao homem. Ele Criou o ser humano à Sua imagem e semelhança e não como um boneco telecomandado ou desprovido de inteligência. Logo, o homem tem responsabilidade pelas suas escolhas e decisões, não só para salvação.
Tal como acontece nos relacionamentos de “poder” entre os homens, Deus dá-nos directrizes e, se houver más escolhas, temos consequências desagradáveis.

“Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” – Gálatas 6:8

Adão e Eva foram avisados e tiveram possibilidade de escolher entre a obediência e a transgressão. Escolheram comer da árvore do conhecimento e por isso foram expulsos do Éden e sofreram maldições. – Génesis 2:16-17 / 3:7-8 e 23
Abraão foi designado por Deus a ser pai de uma grande nação. A fé de Abraão teve a obediência como lógica e expressão de vida, por isso foi abençoado. – Génesis 12:1-4 / 15:5
Jonas foi escolhido por Deus para ir a Nínive levar a mensagem divina. Ele recusou-se e foi castigado. No entanto Deus o enviou novamente e Jonas obedeceu, daí resultou a conversão do povo de Nínive. – Jonas 1:2-4 e 3:2-3,10
Moisés foi conduzido a líder do povo de Deus. Porém, fraquejou e desobedeceu ao ferir a rocha duas vezes, por isso não entrou na Terra Prometida. - Números 20:7-12 / Deuteronómio 34:4
Judas foi chamado para fazer parte dos seguidores íntimos de Jesus (discípulo) e estava predito que alguém iria entregar Cristo, mas foi ele que escolheu ser desleal e isso levou-o à amargura pela qual veio a morte. – Lucas 22:47-48 / Mateus 27:4-5




A possibilidade de escolha dada ao homem permite-nos ter capacidade para nos aproximarmos de Deus por vontade própria, mas também de Lhe resistirmos.






Na Salvação temos a graça de Deus (algo imerecido que se concretiza na fé), dada com justiça e não por imposição (temos opção de aceitar ou rejeitar a Cristo), porque dos pecadores se espera o arrependimento, apesar de Deus, através da sua presciência, já saber quem são os que crêem.
Da mesma forma, Ele quer que sejamos fiéis e obedientes, mas não condiciona a nossa vontade.

Ainda que por vezes possamos fraquejar, sejamos fiéis, desejando fazer a vontade de Deus.

sábado, 3 de maio de 2014

Predestinação vs Livre Arbítrio

Os grandes protagonistas e impulsionadores desta oposição teológica foram João Calvino (1509-1564) que defendeu a Predestinação e Jacob Arminius (1560-1609) que defendeu o Livre Arbítrio e, até hoje, há defensores de uma e outra teoria.
Eu excluo algumas definições e junto o que resta das duas.

Entre outros argumentos da doutrina Calvinista, temos:
- Deus estabeleceu dois decretos, um seleccionando o grupo dos salvos, outro o grupo dos perdidos; logo, Jesus não morreu por todos os homens, mas somente pelos que foram predestinados.
- Os que Deus destinou à salvação serão salvos mesmo pecando ou não querendo ser salvos; os que destinou à perdição não serão salvos mesmo aceitando o sacrifício de Jesus, e vivendo uma vida santificada.

“Nele em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade.” – Efésios 1:11

A teoria Arminiana baseia-se, entre outros itens:
- O homem é livre para decidir o seu destino, mas é inegável que Deus predestinou todos à salvação, mediante a fé em Jesus Cristo.
- Os salvos podem perder a salvação, se não permanecerem na fé.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho para que todo o que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” – João 3:16

A verdade é que, em Adão (herdeiros do pecado) todos fomos predestinados à morte, mas em Cristo (através da morte redentora) fomos predestinados à salvação.

“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” – I Coríntios 15:22
 
Atenção, Deus não predestinou as pessoas que haveriam de cumprir as condições de salvação. A ideia de pré-escolha para salvação ou condenação é totalmente contrária aos princípios básicos das Escrituras (Calvino), tal como a perda da salvação (Arminius).
Realmente, Deus tem direito e poder para escolher salvar quem Ele quer e por isso pré-determinou salvar todos aqueles que o amam e aceitam fielmente a Cristo.
Se a salvação fosse um decreto, seria justo Deus não decretar que todos fossem salvos? E porque razão Jesus precisava de morrer se Deus já tinha decidido tudo?
A salvação é recebida através da graça; é um dom de Deus obtido por meio da fé.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” – Efésios 2: 8
 
Logo, está implícito que o homem pode, sim, resistir e Deus; também, que Deus é Omnisciente, Ele sabe quem vai ou não salvar-se, quais são as nossas opções de vida, qual a veracidade do nosso coração, mas deixa essa responsabilidade, sempre, à decisão do indivíduo. Realmente, o relacionamento do homem com Deus é interactivo.

Deus predestinou todos à salvação - A realização é centralizada no
homem
                           ↓                                                           
      Vontade Soberana de Deus           ←→           Livre arbítrio

Conta-se que alguém teve o seguinte sonho.

Um caminhante ia pela vida quando lhe chamou a atenção uma porta com um dístico que dizia: “Entra se quiseres!”.
Escolheu entrar. Empurrou a porta e, quando se virou para a fechar, reparou que no lado de dentro, um outro dístico dizia: “Entraste porque eu deixei!”.


É assim mesmo, nós decidimos o lado em que queremos estar, mas é Deus quem nos convence do pecado e é através de Cristo que nos é dada a possibilidade de entrada numa nova vida.
Nós seremos sempre devedores porque a salvação é uma escolha e não um mérito nosso. Deus na dignidade da Sua soberania, nunca nega aquilo que prometeu.