"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


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segunda-feira, 16 de junho de 2014

A Medicina e a Bíblia

“Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.
Ele é o que perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades.”  – Salmo 103:2-3
 
A Palavra de Deus mostra-nos que, desde os primórdios, houve práticas de medicina e medicamentosas.


Jacó foi embalsamado por médicos (Génesis 50:1-3); Lucas é o único médico bíblico conhecido pelo nome, também designado como médico amado (Colossenses 4:14); Marcos fala de uma mulher que durante doze anos padeceu de uma hemorragia e que foi consultada por vários médicos (Marcos 5:25-29); e diversas outras passagens falam de médicos.
 
 
 
Certamente, foi a experimentação que levou os médicos a usarem produtos da Natureza e outros meios relatados nas Escrituras para tratarem enfermidades.
Por exemplo, o óleo (bálsamo) obtido de algumas plantas aplicado em feridas, tinha efeitos antissépticos e analgésicos (Isaías 1:6; Jeremias 8:22; 46:11; 51:8); também havia o uso de folhas para fins curativos (Ezequiel 47:12); faziam-se cataplasmas, na circunstância, com figos (II Reis 20:7; Isaías 38:21); o vinho era desinfectante e analgésico para feridas abertas (Lucas 10:34; Mateus 27:34); assim como o seu consumo moderado era recomendado como estimulante e, também, no tratamento de distúrbios gástricos (Provérbios 31:6; I Timóteo 5:23); talas e ligaduras eram usadas para traumatismos ósseos (Ezequiel 30:21).
 
Mas, além da existência do exercício médico e da utilização de meios curativos, também encontramos na Palavra de Deus princípios de higiene que resultavam em benefícios para a saúde.
Assim, foi exigido que os dejectos humanos fossem depositados em buracos feitos na terra e depois tapados (Deuteronómio 23:9-14), prevenindo as diarreias e as febres infecciosas; foram dadas leis sobre os animais comestíveis (eram proibidos os mais sujeitos a infecções parasitárias) e a contaminação dos alimentos e da água (Levítico 11); a prática sexual foi, também, objecto de regras devido à sua influência no sentido espiritual, físico (doenças sexualmente transmissíveis) e mental (Levítico 18); períodos de isolamento, ou recato, foram ditados para quem tivesse, ou se suspeitasse ter, uma doença contagiosa ou estivesse impuro (Levítico 13:1-59; 14:38, 46; Números 19).
 
E, curiosamente, podemos ver que Deus revela a conexão que existe entre as condições patológicas do corpo e o estado emocional do individuo (Provérbios 17:22), revelando que as emoções más são prejudiciais, enquanto as emoções boas promovem o bem-estar (Gálatas 5:19-23).
 
O Senhor nosso Deus é o Médico dos médicos!
 
“E servireis ao Senhor vosso Deus, e Ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e eu tirarei do meio de vós as enfermidades.” Êxodo 23:25

sábado, 24 de maio de 2014

Coração sem Fronteiras

 

 
Pr. Joaquim e Isménia Machado
Quando eu era criança, penso que tinha uns 8 anos, fui com os meus pais ao Porto, onde visitámos o Lar Evangélico Português, na Rua da Boavista.
Creio que era uma cave onde os seis filhos do casal, Pr. Joaquim e Isménia Machado, se confundiam com as não sei quantas crianças abrigadas pelo papá e a mamã, como carinhosamente lhes chamavam.
 
Fiquei deslumbrada com o relacionamento tranquilo e carinhoso; havia uma desordem ordenada; crianças para cá e para lá; cheirava a chichi… Não interessa, fiquei com vontade de viver ali!
A obra iniciada em 1948, com parcos recursos e na casa do Pastor, mantém-se de pé; noutras instalações e muito melhores condições, tem, ao longo dos anos, formado homens e mulheres.
 
Depois, foram fundados muitos outros lares que abrigam, educam e veem crescer crianças a quem foi negado o direito ao lar/família de origem.
Tenho uma enorme admiração pelos homens e mulheres que dedicam uma boa parte das suas vidas a amar os filhos de ninguém e a tentar que lhes sejam reconhecidos os seus direitos.
 
Ana Rute Calaim Lamúria
Um dia desta semana, estava na internet, quando me deparei com um texto fantástico, escrito por uma jovem senhora (como esta gente cresce) que bem conheço. Fiquei emocionada e cresci um pouco mais…!
A jovem (Ana Rute Calaim Lamúria), membro da Igreja Evangélica de Sintra, é responsável por um Lar de Crianças do Exército de Salvação.
 
Deixo aqui o texto, devidamente autorizada, e mais não digo.

 
Coração sem Fronteiras
 
Convidaram-me para falar sobre o que é ser mãe numa instituição.
 
Sorrio e penso que muitas vezes o meu papel é mais o de pai do que de mãe. O papel de mãe fazem as minhas colegas, que os deitam, que tratam deles, que lhes dão banho, que estão no acordar, que os educam, e que quando algo aperta chamam por mim.
 
A casa que dirijo, é uma casa onde moram 14 crianças, meninos e meninas, dos 0 aos 12 anos. Actualmente o mais pequenino tem 3 meses e o mais velho 12 anos.
 
Todas elas foram crianças consideradas “em risco”.
 
Enquanto vivem lá, a equipa técnica deverá ajudar na definição do futuro da criança. Voltará ela para a sua família biológica? Irá ter uma nova família? Continuará numa instituição.
 
Enquanto procuramos respostas a estas perguntas surge o papel de ser mãe.
 
A adaptação à nova casa é muitas vezes difícil. Deixamos de estar com aqueles que amamos para aprender a amar novas pessoas. Novos paradigmas têm que ser aprendidos. Afinal quem cuida de mim não me magoa? Está preocupado comigo? Este caminho por vezes também é doloroso. Permitirmos que nos amem!
 
Ser mãe numa instituição é lidar com muitas crianças.
É dar proteção, amor e educação.
É ser-se responsável.
É ensinar a receber amor: é dizer “tu és muito especial para mim!”
É estar lá para ver o primeiro sorriso, o primeiro andar.
É estar presente nas vitórias e nas derrotas.
É dar um abraço quando choram pela presença da mãe.
É ir ao médico com ela.
É ir à festa da escola e perceber o sorriso triste porque a mãe não está presente, mas ver o sorriso porque afinal nós estamos presente.
É lidar com algumas birras. É lidar com ansiedades, frustrações, mau estar e sofrimento.
É rir muito. É sorrir muito.
É ter a capacidade de os ver entrar e sair e lidar com o misto de sentimentos de alegria e dor. Alegria pelo futuro que lhes reserva. Dor pela saudade que já deixaram.
É confortar quem fica (as outras crianças) pelos amigos que já foram embora.
 
Por vezes, pedem-nos para sermos sua mãe. Aí, é ensinar a confiar que irão ter uma mãe.
 
Ser-se mãe numa instituição tem muitas lutas. Momentos de muito desgaste. Mas também momentos que nos enchem o coração.
 
Enquanto profissional numa casa de acolhimento, posso dizer que mais que uma mãe biológica, as crianças querem saber e viver que pertencem a alguém.
 
Podemos ajudar a que haja menos crianças em risco?
 
Sim, podemos!
 
Podemos olhar para o nosso amigo, vizinho, familiar e perguntar e/ou perceber se precisa de ajuda para cuidar dos seus filhos.
 
A bíblia diz:
“Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.
Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?”
 
Muitas das famílias que nos chegam, são famílias desamparadas, sem suporte familiar ou social.
 
Enquanto igreja, enquanto família, os nossos braços têm que ter a capacidade de abraçar além fronteiras.
 
Não nos esqueçamos que somos filhos herdeiros de Deus, com a particulariedade de termos sido adoptados!
 
“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus.
Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.
O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.”
 
Da mesma forma que Deus nos adoptou, é importante adotarmos as pessoas à nossa volta. Não ficar à espera que venham ter até nós a pedir ajuda, mas fazermos como Deus e irmos ter com as pessoas.
 
Ser mãe numa instituição é poder dar aquilo que Deus nos dá. É obedecer Àquele que nos adoptou.
 
16.05.2014
Ana Rute Calaim Lamúria

domingo, 18 de maio de 2014

Família

No passado dia 15 celebrou-se o Dia Internacional da Família (proclamado em 1993 pela ONU). O tema de arranque foi “Família, capacidades e responsabilidades num mundo em transformação”, onde a família foi declarada como “a pequena democracia no coração da sociedade”. Está certo!

Entretanto, é tradição das igrejas baptistas dedicarem o mês de Maio à família e o objectivo é assinalar a importância da família, enquanto projecto de Deus. Ora, sendo assim, é bom sabermos o que Ele planeou, ou seja, qual a Sua vontade para nós.

Obviamente tem que haver um princípio, chamamos-lhe casamento e Deus declarou-o como regra básica e clara para o relacionamento íntimo entre um homem e uma mulher:
“Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” – Génesis 2:24

Deus criou somente duas espécies sexuais, com anatomia e fisiologia diferentes, para que se complementem. Depois, concedeu ao homem e à mulher o privilégio de, unidos, puderem ter filhos:
“E Deus os abençoou e lhes disse: frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a…” – Génesis 1:28
 
Assim sendo, podemos verificar que:
1-      Tudo o que o mundo possa defender como outras formações de família, não é da vontade de Deus;
2-      Sendo esta a família nuclear, o sistema vai-se repetindo e isso dá lugar à família alargada.
 
Por isso a Palavra de Deus fala de diversos graus de parentesco e deixa explícito qual deve ser o comportamento para uma família feliz. Alguns exemplos:

“Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção.” – Salmo 127:1
“Maridos amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela.” – Efésios 5:25
“Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor.” – Efésios 5:22
“Vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.” – Efésios 6:4
Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa.” – Efésios 6:1-2
“Os velhos sejam sóbrios, graves, prudentes, sãos na fé, no amor, e na paciência. As mulheres idosas, semelhantemente, sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mas mestras no bem.” – Tito 2:2-3

“Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente.” – I Timóteo 5:8


Oração: Pai querido agradeço-Te pela minha família e peço-Te que a protejas para que todos se mantenham unidos e obedientes à Tua vontade. Abençoa cada um individualmente, cuida da nossa saúde física e espiritual, restaura os relacionamentos enfraquecidos e faz que haja alegria entre nós.
Senhor, que eu seja um exemplo no cuidado, no ensino, no amor e na paz.

sábado, 10 de maio de 2014

Soberania de Deus ou Escolha do Homem?

A Soberania de Deus é inegável; a Escolha Humana também…, ambas andam juntas e não devemos excluir ou diminuir nenhuma delas.
Parece irracional que a Soberania de Deus possa andar ao lado da Escolha do Homem?
Vamos analisar isso com exemplos bíblicos, não esquecendo que andar ao lado, não significa serem forças iguais. Lembram-se da ilustração com que terminei a semana passada em “Predestinação e Livre Arbítrio”?

Deus é soberano porque, somente Ele, não está abaixo de ninguém, nada o influência e é absolutamente independente. Deus faz o que quer, como quer e quando quer.
Assim sendo, Deus tem poder sobre todas as coisas e todos os homens.

“Tua é, Senhor, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque Teu é tudo quanto há nos céus e na terra; Teu é, Senhor, o reino, e Tu te exaltaste por cabeça sobre todos.
E riquezas e glória vêm de diante de Ti, e Tu dominas sobre tudo, e na Tua mão há força e poder; e na Tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo.” – I Crónicas 29:11-12

Entretanto, não foi por acaso que Deus, desde a criação, deu liberdade ao homem. Ele Criou o ser humano à Sua imagem e semelhança e não como um boneco telecomandado ou desprovido de inteligência. Logo, o homem tem responsabilidade pelas suas escolhas e decisões, não só para salvação.
Tal como acontece nos relacionamentos de “poder” entre os homens, Deus dá-nos directrizes e, se houver más escolhas, temos consequências desagradáveis.

“Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” – Gálatas 6:8

Adão e Eva foram avisados e tiveram possibilidade de escolher entre a obediência e a transgressão. Escolheram comer da árvore do conhecimento e por isso foram expulsos do Éden e sofreram maldições. – Génesis 2:16-17 / 3:7-8 e 23
Abraão foi designado por Deus a ser pai de uma grande nação. A fé de Abraão teve a obediência como lógica e expressão de vida, por isso foi abençoado. – Génesis 12:1-4 / 15:5
Jonas foi escolhido por Deus para ir a Nínive levar a mensagem divina. Ele recusou-se e foi castigado. No entanto Deus o enviou novamente e Jonas obedeceu, daí resultou a conversão do povo de Nínive. – Jonas 1:2-4 e 3:2-3,10
Moisés foi conduzido a líder do povo de Deus. Porém, fraquejou e desobedeceu ao ferir a rocha duas vezes, por isso não entrou na Terra Prometida. - Números 20:7-12 / Deuteronómio 34:4
Judas foi chamado para fazer parte dos seguidores íntimos de Jesus (discípulo) e estava predito que alguém iria entregar Cristo, mas foi ele que escolheu ser desleal e isso levou-o à amargura pela qual veio a morte. – Lucas 22:47-48 / Mateus 27:4-5




A possibilidade de escolha dada ao homem permite-nos ter capacidade para nos aproximarmos de Deus por vontade própria, mas também de Lhe resistirmos.






Na Salvação temos a graça de Deus (algo imerecido que se concretiza na fé), dada com justiça e não por imposição (temos opção de aceitar ou rejeitar a Cristo), porque dos pecadores se espera o arrependimento, apesar de Deus, através da sua presciência, já saber quem são os que crêem.
Da mesma forma, Ele quer que sejamos fiéis e obedientes, mas não condiciona a nossa vontade.

Ainda que por vezes possamos fraquejar, sejamos fiéis, desejando fazer a vontade de Deus.

sábado, 3 de maio de 2014

Predestinação vs Livre Arbítrio

Os grandes protagonistas e impulsionadores desta oposição teológica foram João Calvino (1509-1564) que defendeu a Predestinação e Jacob Arminius (1560-1609) que defendeu o Livre Arbítrio e, até hoje, há defensores de uma e outra teoria.
Eu excluo algumas definições e junto o que resta das duas.

Entre outros argumentos da doutrina Calvinista, temos:
- Deus estabeleceu dois decretos, um seleccionando o grupo dos salvos, outro o grupo dos perdidos; logo, Jesus não morreu por todos os homens, mas somente pelos que foram predestinados.
- Os que Deus destinou à salvação serão salvos mesmo pecando ou não querendo ser salvos; os que destinou à perdição não serão salvos mesmo aceitando o sacrifício de Jesus, e vivendo uma vida santificada.

“Nele em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade.” – Efésios 1:11

A teoria Arminiana baseia-se, entre outros itens:
- O homem é livre para decidir o seu destino, mas é inegável que Deus predestinou todos à salvação, mediante a fé em Jesus Cristo.
- Os salvos podem perder a salvação, se não permanecerem na fé.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho para que todo o que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” – João 3:16

A verdade é que, em Adão (herdeiros do pecado) todos fomos predestinados à morte, mas em Cristo (através da morte redentora) fomos predestinados à salvação.

“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” – I Coríntios 15:22
 
Atenção, Deus não predestinou as pessoas que haveriam de cumprir as condições de salvação. A ideia de pré-escolha para salvação ou condenação é totalmente contrária aos princípios básicos das Escrituras (Calvino), tal como a perda da salvação (Arminius).
Realmente, Deus tem direito e poder para escolher salvar quem Ele quer e por isso pré-determinou salvar todos aqueles que o amam e aceitam fielmente a Cristo.
Se a salvação fosse um decreto, seria justo Deus não decretar que todos fossem salvos? E porque razão Jesus precisava de morrer se Deus já tinha decidido tudo?
A salvação é recebida através da graça; é um dom de Deus obtido por meio da fé.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” – Efésios 2: 8
 
Logo, está implícito que o homem pode, sim, resistir e Deus; também, que Deus é Omnisciente, Ele sabe quem vai ou não salvar-se, quais são as nossas opções de vida, qual a veracidade do nosso coração, mas deixa essa responsabilidade, sempre, à decisão do indivíduo. Realmente, o relacionamento do homem com Deus é interactivo.

Deus predestinou todos à salvação - A realização é centralizada no
homem
                           ↓                                                           
      Vontade Soberana de Deus           ←→           Livre arbítrio

Conta-se que alguém teve o seguinte sonho.

Um caminhante ia pela vida quando lhe chamou a atenção uma porta com um dístico que dizia: “Entra se quiseres!”.
Escolheu entrar. Empurrou a porta e, quando se virou para a fechar, reparou que no lado de dentro, um outro dístico dizia: “Entraste porque eu deixei!”.


É assim mesmo, nós decidimos o lado em que queremos estar, mas é Deus quem nos convence do pecado e é através de Cristo que nos é dada a possibilidade de entrada numa nova vida.
Nós seremos sempre devedores porque a salvação é uma escolha e não um mérito nosso. Deus na dignidade da Sua soberania, nunca nega aquilo que prometeu.

domingo, 13 de abril de 2014

Domingo de Ramos

“Hosana” é uma palavra hebraica que, no período do Antigo Testamento, significava um apelo por libertação “Salva-nos, te imploramos!”
O termo era aplicado como oração (Salmo 118) cantada durante a Festa dos Tabernáculos e quando era exclamado: “Salva-nos...”, o povo abanava os ramos de palmeira.

“Oh, salva-nos Senhor, nós Te pedimos. Oh Senhor, concede-nos prosperidade!” – Salmo 118:25

O “Hosana” do Novo Testamento é uma transliteração grega (hôsanná) do vocábulo hebraico (hoshi’ah na’) e ressurge como exclamação de louvor.
Quando Jesus entrou em Jerusalém (início da semana da paixão), a multidão reconheceu-O como Messias e transformou o acontecimento numa festa triunfal, exaltando e aclamando Jesus com “Hosana!”, enquanto cobriam o chão com os seus mantos e ramos de árvores.

“E as multidões, tanto a que O precedia, como a que O seguia, clamavam: Hosana ao Filho de David, bendito O que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” Mateus 21:9



Assim, também nós, que fomos salvos pelo sangue de Cristo, devemos louvar ao Senhor cantando…

sábado, 8 de março de 2014

Dia da Mulher

Isto do Dia da Mulher, sim ou não?

Costuma dizer-se que “a excepção confirma a regra”. E, é verdade!
Com todo o respeito por esses seres maravilhosos que são os homens, a verdade é que as sociedades e as mentalidades ainda não mudaram o suficiente e as elogiosas excepções confirmam que, por regra, as mulheres são o alvo preferencial de ostracismo, violência física e psicológica, discriminação, escravatura, prostituição, tráfico… sei lá…

Há sociedades e núcleos familiares onde as mulheres são tão inferiorizadas que mesmo sendo mais sensíveis, mais perspicazes, mais frágeis e mais fortes, mais carinhosas, mais arrebatadas, melhores gestoras e outros “mais” e “melhores”, não têm valor de gente.


Na época de Jesus, quando o sistema político e religioso era, por definição, repressivo para as mulheres, o conceito que Ele tinha sobre as mulheres era diferente. Jesus foi completamente revolucionário.
Vejamos alguns exemplos da sua atitude:


- As mulheres estavam proibidas de falar com homens desconhecidos em público; Jesus meteu conversa com a samaritana, questionou-a e deu-lhe uma missão (João4:7-29);
- As filhas não eram valorizadas, ao ponto do sexo feminino não entrar nas estatísticas; Jesus ressuscitou a filha de Jairo (Marcos 5:41,42);
- As mulheres eram mantidas na ignorância; Jesus ensinava-as, algumas aprenderam sentadas aos seus pés (Lucas 10:39);
- As mulheres não podiam estar junto aos homens no templo; Jesus tinha seguidoras no grupo dos seus discípulos (Lucas 8:1-3);
- A palavra das mulheres não era tida como fiável; Jesus escolheu-as para primeiras testemunhas e divulgadoras da ressurreição (Mateus 28:9,10);
- A lei acerca do adultério sendo penalizadora para homens e mulheres, era especialmente aplicada às mulheres; Jesus mostrou que o pecado não escolhe género e o perdão é acessível a todos (João 8:3-7);
- As mulheres nunca serviam de exemplo positivo; Jesus ilustrou o cuidado e constante procura de Deus pela humanidade perdida, com uma parábola que distinguia a diligência, perseverança e alegria de uma mulher (Lucas 15:8-10).

Jesus abriu portas à igualdade de condições e respeitabilidade humanas, mas passados mais de 2000 anos, a situação da mulher na sociedade continua a ser discriminativa.

 
Pelas piores razões o Dia da Mulher, sim!

Que a nossa oração de hoje seja direccionada a favor das mulheres que sofrem; que este dia sirva para lembrar que as mulheres são seres humanos todos os dias e em qualquer parte do mundo.

domingo, 17 de novembro de 2013

O Discípulo Amado

Pescador, filho de Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago; primo de Jesus, sobrinho de Maria; e, pela lógica, primo de Isabel e João Baptista – João – um dos discípulos mais presentes e importantes durante e após o ministério de Jesus.
Acredita-se que viveu até idade avançada, talvez 94 anos.

Escreveu:
- O Evangelho que leva o seu nome, com uma vertente teológica, destinado aos crentes;
- 3 Cartas profundamente doutrinárias que abordam aspectos práticos do exercício da fé, do amor e da obediência;
- O livro do Apocalipse, com revelações e as últimas profecias.

A identificação de “o discípulo (ou aquele) que Jesus amava” usada no Evangelho de João, sem dúvida, refere-se a ele próprio, já que, de outra forma a sua pessoa ficava ignorada  e nós sabemos dele através dos outros evangelhos e do livro de Actos.
Provavelmente João nunca falou de si na primeira pessoa por ter como objectivo anular-se e dar toda a visibilidade e importância ao Mestre.
No entanto, sem identificação formal, encontramos João em diversas passagens do seu Evangelho: 1:35-40 - 13:23-26 - 18:15-16 - 19:26-27 - 20:2-8 - 21:2, 7, 20 e 24.

Entretanto, sabemos que:
- Jesus o chamou para fazer parte dos 12 (Mateus 4:21), que pertenceu ao grupo mais íntimo de Jesus (Pedro, Tiago e João - Marcos 5:37; Mateus 17:1 e 26:37) e, também, ao grupo dos 7 (João 21);
- Tem relatos exclusivos acerca da intimidade no ministério de Jesus (ex: Bodas de Caná, Ressurreição de Lázaro, a Samaritana, etc.);
- Era um activo defensor de Jesus (Lucas 9:51-56);
- Tiago e João, junto com a mãe, sugeriram que lhes fosse permitido assentar-se à esquerda e à direita de Jesus na sua glória, numa alusão aos convidados de honra e demonstração da proximidade e descontração dos laços familiares (Marcos 10:35-41 e Mateus 20:20-28);
- Durante a última ceia ele estava ao lado de Jesus (João 13:21-26);
- Foi o único discípulo que se atreveu a permanecer ao pé da cruz, presenciando todo o sofrimento, e foi aos cuidados dele que Jesus entregou a mãe (João 19:26-27);
- Quando soube que o corpo de Jesus já não estava no túmulo, João correu na frente dos outros e chegou primeiro ao sepulcro (João 20:1-8);
- Esteve sempre presente aquando das aparições de Cristo após a ressurreição (João 20 e 21);
- Quando Jesus apareceu na margem do lago, só João o reconheceu (João 21:7);
- Junto com os outros discípulos presenciou a ascenção (Lucas 24:50-53).

Aqui está o homem que, nos momentos felizes e nos mais difíceis, esteve ao lado de Jesus, como só é premitido a quem tem uma amizade inquestionável e é muito amado.

“Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.”  João 21:24

sábado, 9 de novembro de 2013

Quem era João?

Há alguns anos atrás, questionei-me porque seria João o discípulo amado, quem era aquele homem?... Logo, resolvi estudar a questão e acabei por chegar a uma conclusão que me parece óbvia, embora, toda a minha vida, nunca a ter ouvido.
Como não considerei que isto suscitasse dúvidas, acabei por nunca partilhar o meu estudo.

No passado Domingo, numa classe de adultos da EBD, uma aluna sugeriu que João pudesse ser irmão de Jesus…
Resolvi então mostrar aqui a lógica que encontrei para, julgo que com uma margem mínima de erro, apresentar João como primo de Jesus.

No quadro que elaborei e reproduzo abaixo, pode ver-se em passagens de três Evangelhos (Lucas 23:49 limita-se a dizer “as mulheres que o tinham seguido”) o relato das mulheres mais conhecidas que presenciaram a morte de Cristo. Nas colunas figuram a identificação de cada mulher pela ordem apresentada nos diferentes Evangelhos. As cores têm a ver com a concordância entre as descrições.


 
Então, sabemos que João:
- era filho de Zebedeu (Mateus 4:21);
- Salomé era sua mãe (Mateus 27:56);
- Tiago seu irmão (Mateus 4:21);
- e Maria sua tia (João 19:25).
 
Quanto à falta de relatos bíblicos sobre o parentesco, lembremos:
- Esse não é o objectivo das Escrituras e nada altera a mensagem;
- Jesus viveu na Nazaré até aos 30 anos (Mateus 2:19-23/Marcos 1:9/Lucas 3:23), enquanto João vivia a uns 29 Km de distância, nas imediações do Mar da Galiléia (Marcos 1:16,19), crê-se que em Betsaida ou Cafarnaum. Provavelmente só se conheceram quando Jesus iniciou o ministério.
(Quantos de nós, com toda a facilidade de transportes e comunicações, não conhecemos ou não temos relacionamento com familiares?);
- Jesus trabalhava em carpintaria (Marcos 6:3), João na industria de pesca (Marcos 1:19) portanto os interesses profissionais não tinham relação;
- Para João não era importante a sua pessoa. No Evangelho nunca fala de si na primeira pessoa daí ser natural que também se refira à mãe simplesmente como irmã de Maria.
 
Ainda voltarei a falar de João.
Que Deus nos abençoe no estudo da Palavra.
 
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.” – I Coríntios 15:58