"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


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sábado, 12 de julho de 2014

Por Isto ou por Aquilo – Por Tudo e por Nada

Preciso de desabafar!

Sabem quando vamos ouvindo queixas por isto ou por aquilo, por tudo e por nada? Quando o que fazemos nunca é suficientemente bom? Quando abrimos a nossa “casa” e na maioria das vezes nos sentimos intrusos? Mas, calamos, desvalorizamos, desculpamos…

Pois é, chega a uma altura em que apetece dar um berro e mandar embora quem inverte as posições e se vitimiza indevidamente.

 
O nosso país e, consequentemente, as nossas igrejas têm sido desde há muitos anos palco de entrada de outros povos e, consequentemente, de crentes imigrantes.
Já por características que nos são naturais, mas também porque somos crentes, recebemos com muita simpatia e tentamos proporcionar bem estar aos nossos hóspedes.
Nós gostamos de receber e de agradar!

Isso é o mínimo que posso dizer porque muitas vezes chegamos a ser subservientes; até podemos ser postos de lado para dar lugar aos outros, ou ouvir elogios ao seu saber e desempenho, quando não é superior ao que nós sabemos e fazemos, porque aceitamos.

Vá, não me vou alongar, nem falar da violência e maus costumes de que somos vítimas porque, que eu saiba, isso ainda não chegou à comunhão cristã.
Mas, entretanto, constacto que, por isto ou por aquilo, por tudo e por nada, somos acusados de xenófobos. Sim, agora estou a falar dos crentes; aqueles que recebemos de braços abertos, os que se sentam ao nosso lado na igreja; aos que tratamos sem qualquer tipo de diferença.

Num curto espaço de tempo, ouvi em testemunho na igreja e li nas redes sociais, crentes estrangeiros se queixarem de xenofobia. Por isto ou por aquilo, por tudo e por nada!
A verdade é que continuam por cá, na grande maioria com vidas estabelecidas desde há muitos anos e com direitos sociais iguais, mas perante qualquer contrariedade (igual às que todos nós sofremos) acusam-nos de xenofobia.


E que tal todos sermos agradecidos pela diversidade e nos completarmos em amor, em vez de ouvirmos disparates que, além de injustos, provocam mal estar entre os filhos de Deus?
Todos vamos ganhar com isso!

“Porque por Ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus.” – Efésios 2:18-19

sábado, 5 de outubro de 2013

Deus Escolheu os Loucos e Fracos

Giovanni di Pietro di Bernardone, nasceu em Assis (Itália), no ano de 1182 e morreu a 3 de Outubro de 1226, aos 44 anos. Ainda pequeno o pai mudou-lhe o nome para Francisco e é com esse nome que ficou conhecido.
Estou a falar de São Francisco de Assis, cujo dia se comemora a 4 de Outubro.

Trago aqui esta comemoração porque, sem dúvida, Francisco faz parte do grupo de pessoas que mais admiro e que me tem servido de exemplo.

Assis - Casa onde nasceu
e morreu São Francisco

Filho de uma família abastada dedicou os primeiros anos da juventude a uma vida mundana, até que, aos 20 anos, entrou na guerra civil entre Perúsia e Assis, tendo sido feito prisioneiro pela Perúsia.
Quando ao fim de um ano o pai conseguiu tirá-lo da prisão, Francisco estava fraco e com várias doenças que se prolongaram por cerca de dois anos.

Em 1205, já recomposto, alistou-se para a guerra da Apúlia, mas, em sonhos, recebeu um chamado de Deus para que O servisse e percebeu que, até então, somente tinha procurado a glória passageira de agradar aos homens. Assim, Francisco regressou a Assis onde, apesar do desagrado e vergonha do pai por ter desertado, iniciou um período de reflexão e entrega aos desígnios de Deus.

A partir daí, apercebeu-se do estado de degradação, pecado, poder e falta de amor em que a igreja tinha caído e, em obediência a Deus, deixou a riqueza familiar e a vida desregrada, dedicando-se à divulgação itinerante do Evangelho e protecção dos desvalidos. Foi a partir desta sua decisão que fundou uma Ordem de frades mendicantes.

Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.” - I Coríntios 1:27
 
Para mim, Francisco de Assis, faz parte da lista de pré-reformadores (entenda-se anteriores ao Movimento da Reforma de Lutero). Creio que foi chamado para denunciar os desvios da igreja e a reformar.
 
Roma - Junto à estátua de São Francisco
Em 1226, depois de vários anos a servir a Deus seguindo o exemplo dos apóstolos, Francisco, debilitado e muito doente, pediu que o levassem para Assis, onde morreu assistido pelos seus companheiros de jornada.
Conta-se que, na manhã do dia da sua morte, pediu para lhe lerem o relato da Paixão de Cristo, tendo ficado calmo e adormecido. Às cinco da tarde, com voz quase imperceptível recitou o Salmo 142 e, quando terminou, deu o último suspiro.

São Francisco de Assis deixou obra, testemunho e inúmeras mensagens, recordo uma das que considero mais importante:
 
“Prega o Evangelho em todo tempo;
se necessário, usa palavras.”

sábado, 8 de setembro de 2012

Alfabetização e Literacia


Faz hoje 45 anos que a ONU e a UNESCO declararam este dia como o “Dia Internacional da Alfabetização”, com o propósito de alertar a consciência da sociedade internacional para um compromisso mundial para o desenvolvimento e a educação.


Portugal, apesar dos progressos verificados após a Revolução, tem ainda uma parte significativa de população analfabeta (9 em cada 100 portugueses continuam sem saber ler e escrever).
Sendo que alfabetização e literacia não são sinónimas, creio que os números apurados pecam por defeito pois juntar letras e ler palavras, não é o mesmo que entender o texto.

Porque é que trago aqui este tema, para além da efeméride?
É simples, tem tudo a ver com as Sagradas Escrituras.
A educação sempre teve um papel importante no desempenho do povo de Deus. No Velho Testamento a aprendizagem da aliança de Deus com o seu povo foi recomendada para cada geração (Ex.: Deuteronómio 6:1-2); no Novo Testamento a educação teve especial destaque na igreja primitiva (Ex.: Actos 5:42; II Timóteo 2:15); nos nossos dias muitos são os pastores, teólogos e líderes que empenhadamente estudam e ensinam a Palavra.

Na verdade, não é à toa que os crentes estudiosos da Palavra de Deus, mesmo com pouca escolaridade, têm uma literacia superior à de outros cidadãos. É que o entendimento exegético e hermenêutico precisa de treino mental (discernimento).

Para isso e porque o tempo é de aperto (o preço dos artigos escolares, as matrículas e as propinas são praticamente insuportáveis), trago boas notícias:
* Matrícula – grátis para quem pedir a ajuda de Deus.
* Material escolar – a Bíblia Sagrada, caderno e caneta (há livros de apoio, mas não são obrigatórios).
* Local de aprendizagem – o nosso próprio lar e a igreja mais próxima (há Escolas Bíblicas e Seminários, mas nem todos têm que frequentar).
* Tempo de estudo – o estipulado pelos horários da comunidade religiosa e mais o que individualmente dispusermos.
* Método – Leitura atenta (pelo próprio ou outro) da Bíblia; reflexão; anotação das propostas do texto; pesquisa; anotação de dúvidas; pedido de auxílio ao pastor ou a um crente mais experimentado; estar focado nos objectivos das lições e pregações na igreja; fazer o trabalho diário (praticar).

Muitos crentes são privilegiados, tal como foi Timóteo (e eu), já que desde a infância têm a oportunidade de aprender as Sagradas Letras. Mas, em qualquer altura da nossa vida se pode dar início ao estudo, não importa a idade para formar uma comunidade de estudantes da Palavra Deus (incluindo a alfabetização, se for necessário).
O crente deve superar-se, não pode desculpar-se com a sua ignorância, nem contentar-se com a sua inferioridade porque isso equivale a dizer que está deliberadamente a perder os tesouros escondidos na Palavra de Deus.

“Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica;
pois receberam a Palavra com toda a avidez,
examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram de facto assim.” – Actos 17:11

sábado, 8 de outubro de 2011

A Comunicação da Palavra

Eu gosto de observar a actividade da igreja primitiva. Ela é uma verdadeira fonte de ensino para o ministério da igreja actual .
Em Actos 8:26-40 temos um relato fantástico e muitas dicas sobre a comunicação da Palavra de Deus.

Nesse tempo os crentes helenistas foram alvo de perseguição e, após o assassinato de Estêvão, à excepção dos apóstolos (que se mantiveram em Jerusalém), todos foram dispersos pela Judéia e Samaria, para evitar serem martirizados (8:1).
Entretanto, iam anunciando a Palavra.

Um desses crentes era Filipe, conhecido como o Evangelista, natural da Cesaréia e pai de 4 filhas (21:8-9); ele era bem conceituado na comunidade por isso tinha sido um dos escolhidos para dar apoio à obra social da igreja (6:1-6).
Ora, Filipe andava a anunciar o Evangelho e a operar maravilhas em Samaria (8:5-8), quando recebeu uma estranha ordem de Deus (v.26), para que se deslocasse a um local deserto (provavelmente uma cidade destruída e abandonada).

Eu acredito que Filipe pode ter pensado que Deus estava louco. Para quê um evangelista, um missionário, ou um pastor, ir para um lugar deserto?
Não obstante, ele obedeceu!

Ao chegar aquele lugar, onde supostamente não havia ninguém, Filipe encontrou um etíope (v.27), eunuco, instruído, que era superintendente do tesouro de Candace, rainha da Etiópia.
Esse homem vinha de Jerusalém, onde tinha ido adorar a Deus e, de regresso, lia o livro do profeta Isaías (v.28), mas não entendia o texto; ele tinha dúvidas que queria ver respondidas (v.31).

Então, vamos tentar perceber o que se passou.



Para haver Informação, é essencial a existência do Emissor (Deus/Escrituras) e do Receptor (eunuco).




Mas, quando a mensagem não é entendida, há necessidade de reforçar os níveis de Comunicação, para clarificar a intenção do emissor (é aqui que entra Filipe):

Código Linguístico – (v.28-31)
Como havia o costume de se ler em voz alta, foi fácil Filipe saber qual era a leitura que o eunuco fazia (v.32-33), ou seja, lia Isaías (53:7-8). Filipe e o eunuco falaram e entenderam-se.

Significado das Palavras – (v.34-35)
O etíope adorava a Deus, mas não conhecia o poder da salvação. E, aquela leitura, é incompreensível a quem não conhece Cristo. Filipe explicou a passagem profética e, dessa forma, apresentou Cristo ao eunuco.

Aplicação – (v.36-38)
O etíope entendeu a mensagem, aceitou a salvação e, revelando um sentido prático, quis dar prova da sua decisão e pediu para ser baptizado.

Resultado – (v.39)
O eunuco transformou-se num homem feliz. Ele tinha encontrado a vida eterna e, ao voltar à corte da rainha Candace, levava com ele as Boas Novas.

A mensagem alcançou o seu objectivo:
• Muitas vezes não entendemos os desígnios de Deus, mas quando obedecemos, produzimos fruto e recebemos bênção.
• Para Deus, todos somos importantes; logo, independentemente das diferenças ou do local, devemos proporcionar aos outros o conhecimento da Palavra de Deus.
• Após o entendimento dos propósitos de Deus, a decisão pela salvação é pessoal.

“Instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho.” – Salmos 32:8

domingo, 24 de julho de 2011

Fechado para Férias

Apesar das condições sazonais não estarem de feição e de muito se falar na crise, a verdade é que, para a maior parte dos portugueses, chegaram as férias. Afinal de contas, é um tempo merecido (ou não), retemperador e uma bênção de Deus que instituiu o descanso.

E então?

Há coisas de que só abdico se forem muito bem explicadas e convincentes; e, sim, fico profundamente triste com certos argumentos e decisões, indigno-me e não me silencio.

É que, a vida da igreja local, quando não é alimentada nos seus reais objectivos, pode tornar-se um meio de subsistência para alguém, um enaltecer do ego para alguns, ou, ainda, o saciar do cumprimento religioso de outros, mas não dignifica o nosso carácter de filhos do Altíssimo.

A presunção de líderes que fazem do ministério um emprego livre e não um sacerdócio e a displicência com que tomam decisões unilateralmente, o silencioso “consentimento” da membresia, só pode ter como resultado: falta de crescimento da igreja, crentes despojados e descrentes estimulados à dúvida e à crítica.

A igreja tem de ser um corpo vivo e actuante, não pode tirar férias. O crente pode ausentar-se por alguns dias, mas tem que programar esse período de forma a deixar alguém no seu lugar, para que as actividades não parem. Os diferentes departamentos devem planear actividades de acordo com as disponibilidades. O líder não pode descurar a missão a que foi chamado e sair sempre que há fins-de-semana prolongados, nem fazer férias de Natal, Carnaval, Páscoa e Verão, como se não tenha obrigações; não deve entregar o púlpito a qualquer um, não pode reduzir o trabalho da igreja a um culto semanal quando lhe convém.

A igreja é formada por pessoas que necessitam de comunhão e cuidados espirituais.
- Que faria aos seus utentes um hospital que fechasse para férias?
- Não será normal uma igreja estar operante para receber crentes de outras comunidades que queiram cultuar na sua zona de férias?
- Todos os membros têm poder financeiro para fazer férias fora de casa e portanto não ficarem dependentes da sua igreja para congregar?
- Mesmo que a assistência baixe um pouco, o versículo de Mat. 18:20 “Onde estiverem dois ou três, reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles” não é válido dentro da igreja?
- E, se Deus fechasse para férias?

Por este andar, quem sabe se, depois dos serviços mínimos, um dia não se cancelam mesmo todos os cultos e ao chegar à igreja nos deparemos com um dístico:
Eu por mim quero uma igreja aberta e continuo a dizer:
“Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” Salmo 122: 1

domingo, 19 de junho de 2011

Nós e os Outros

“O Triunfo dos Porcos”, excelente romance de George Orwell, conta a história de uma revolução animal. Trata-se de um velho porco que incita os outros animais da quinta contra a exploração a que estavam sujeitos pelo dono. Tendo morrido em poucos dias, foi substituído na direcção da luta por três outros porcos que, expulsam o dono da quinta, promovem a auto-gestão e fazem progredir a economia da propriedade, bem como a igualdade e o desenvolvimento social dos animais.
Foi então que esses dirigentes se tornaram corruptos pelo poder e, numa assembleia, perante o desagrado demonstrado pelos outros animais, decretaram uma nova ética: “Todos somos iguais, só que uns somos mais iguais que os outros.”

Este é o ponto a que queria chegar porque, é bonito e soa bem essa coisa da igualdade, mas na prática, o que é que cada um de nós tem feito, sem que, lá atrás na nossa mente, não exista a ideia de que “uns somos mais iguais que os outros”?

Vamos imaginar que correspondíamos ao mandado de Cristo: “Ide e pregai o Evangelho a toda a criatura.”

Toda… que toda?
É que, na verdade, não só não atingimos, como nem sequer pensamos em certos segmentos da sociedade. Ou seja, fazemos um “apartheid”, mesmo que de forma inconsciente, no que toca à evangelização.
Sei que há algumas excepções… poucas! Conheço muitos crentes sem preconceitos… talvez alguns!
Mas, no geral, somos o espelho da sociedade em matéria de diferenças e descuramos tanto o acessório (os meios), como o essencial (a salvação de almas).

Posto que o Evangelho é para todos, vejamos as condições que oferecemos nos locais de culto:
- se todos conseguimos subir uma rampa, porque é que quando não há espaço suficiente para dois acessos se opta pelos degraus?
- quando somos visitados por estrangeiros, havendo na igreja quem saiba a língua, porque não se faz a aproximação para tradução do culto?
- porque não é promovida a formação em língua gestual para facilitar a evangelização de surdos?
- com a caridade feita na distribuição de alimentos aos sem-abrigo, porque não se fala de Cristo e não se indica uma igreja próxima?
E depois, temos ido às prisões, temos visitado as instituições de deficientes, temo-nos interessado pelos bairros degradados?
Quantas pessoas “diferentes” estão regularmente nas nossas comunidades? Dessas, quantas se converteram a Cristo já portadoras da diferença e fruto do nosso trabalho?

Cegos, surdos, malcheirosos, perfumados, pobres, ricos, sem-abrigo, estrangeiros, dependentes, limitados mentais ou motores, prostitutas, presos, “normais”..., todos; Jesus lidou com todos!
Mas nós, em vez de O imitarmos, mantemos a atitude daqueles que O acompanhavam e estranhavam os seus contactos perguntando: Porquê?
Talvez sejamos mais ousados: Para quê?

Vamos imaginar uma congregação onde possa existir uma miscelânea de gente a louvar a Deus, todos com direitos iguais?!

“Pois o Senhor vosso Deus, é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem recebe recompensas.”
Deuteronómio 10: 17


(Imagine - John Lennon)

Um dia, na Pátria Celestial, o mundo de cada um será um só para todos os salvos. Acham que isto é utopia? Não faz mal, eu acredito à mesma e sei que, com os diferentes, pudemos, desde já, fazer a igualdade!

sábado, 5 de março de 2011

Crentes e Participantes

Volto ao último tema porque, enquanto escrevia, esteve muito presente em mim a ideia do corpo de Cristo.

“Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função; assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.” – Romanos 12: 4-5
Quando nos convertemos, passamos a fazer parte do corpo de Cristo e somos coagidos ao dever de praticar a fé. Porém, muitos crentes têm a ideia de que não é importante a sua participação activa na comunidade religiosa e no mundo, quer dizer, basta ir aos cultos (ou talvez não) e a prática da fé está cumprida.
Por isso, a figura do corpo é muito eficaz para explicar a Igreja. O corpo é constituído por diversas partes e órgãos responsáveis por uma ou mais funções, porque nele nada está ao acaso, nem a mais pequena célula. Da mesma forma, também o grupo de crentes é composto de muitas e diferentes vocações, capacidades, formação, dons e maturidade espiritual. Logo, devem complementar-se, tornando a Igreja viva e actuante.

Não pretendo fazer uma exposição exaustiva sobre o assunto, mas convém deixar claro que todos os crentes são importantes porque, a cabeça é Cristo, a quem pertence o comando, mas ao corpo compete obedecer e agir.

“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é que opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso.”
I Coríntios 12: 4-7

Há uns anos atrás durante um retiro da União Bíblica e no decorrer de um estudo sobre dons, uma senhora, com  perto de setenta anos, interrompeu o palestrante e disse convicta: “Eu sei qual é o meu dom. Eu faço a limpeza da minha igreja!”
Virei a cabeça na sua direcção e fiquei com as lágrimas nos olhos, não porque ache que, em si, fazer a limpeza seja um dom, mas porque servir é um dom e porque aquela mulher simples expressou uma enorme gratidão a Deus nas suas palavras.
Depois, sorri e fiquei a imaginar como aquela Casa de Oração devia cheirar a limpeza e reflectir o toque que só a sensibilidade das mulheres permite.

Trabalho que não agrada; trabalho não valorizado; trabalho que não é realizado à vista dos outros…, mas, seja qual for o serviço, mesmo o mais modesto, quando é feito com alegria e humildade, agrada a Deus.

Grande lição, nunca mais esqueci!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Crescimento da Igreja - Quantidade ou Qualidade?

Sempre que se fala sobre o crescimento da igreja, surge a pergunta sacramental: É mais importante a Quantidade ou a Qualidade?

Imediatamente, a tendência é serem dadas respostas agradáveis e espiritualizadas por isso, Qualidade, assenta como uma luva.
Mas, não será que o crescimento da igreja carece de ambos os sinais para que ela seja viva e activa?
Teria Jesus dito: “Ide e fazei discípulos”, se a Quantidade não fosse importante?
E, comparativamente connosco, os doze não seriam já a nata da Qualidade?

Não há fórmulas mágicas para o crescimento da igreja; somente a graça de Cristo o pode dar. É Ele que nos capacita de entendimento espiritual, somos nós que semeamos, mas é Ele que dá a salvação acrescentando outros à igreja.
Logo, não confundamos Quantidade com multidões desorientadas, nem Qualidade com o “tá-se bem”.

Numa tentativa de perceber melhor esta dinâmica, devemos verificar o que aconteceu com a igreja primitiva (Actos) onde nenhuma destas marcas foi inimiga da outra e ambas fizeram parte do todo:

QUALIDADE
* (1: 3) Aceitaram a mensagem do Evangelho (morte e ressurreição de Cristo)
* (1: 5 e 8) Acreditaram no poder do Espírito (auxílio divino)
* (1: 11) Perceberam a promessa da Segunda Vinda
* (1: 13-14) Permaneceram em União
* (1: 14) Perseveraram na Oração
* (1: 16) Examinaram atentamente o cumprimento da Escritura
* (2: 38) Evangelizaram

QUANTIDADE
* (1: 15) A igreja em Jerusalém tinha cerca de 120 pessoas
* (2: 41) Através da pregação de Pedro, salvaram-se quase 3.000
* (2: 47) Outros iam sendo salvos
* (4: 4) Mais 5.000 homens se converteram (faltam as mulheres)
* (4: 32) Depois, uma multidão creu
* (5: 14) E crescia a multidão de homens e mulheres crentes
* (6: 7) Aumentava o número de discípulos
* (9:31) A igreja continuava a crescer em número

Quando entendemos a vontade de Deus não de forma intelectual, mas espiritual, torna-se fácil a igreja ser igreja e o seu crescimento é natural.

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa,
povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes d'Aquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” – I Pedro 2: 9