"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


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domingo, 31 de agosto de 2014

A Minha Data




Nasci a 3 de Agosto de 1949
Isso não torna a data esplendorosa, a não ser para mim própria. Porém, vejam estas curiosidades que fazem com que ela se torne especial.




Em Fevereiro de 1949, o Pr. Abel Rodrigues fundou a União Bíblica em Portugal e no verão desse ano organizou o primeiro acampamento bíblico do nosso país, no Carrascal.
Em Agosto de 1955 iniciei-me como campista. Foi lá que fiz os 6 anos de idade e, nesse mesmo ano (creio que no dia 3 ou 4), aceitei Jesus como meu Salvador. Além de campista e ao longo dos anos, fui “chefe”, co-fundadora da Scub-J, conselheira e participante em diversos eventos.

Em Maio de 1949, estabeleceu-se em Portugal a Aliança Pró-Evangelização de Crianças, por mão de Violeta Lopes, uma missionária que muito bem conheci.
Entre os 16 e 18 anos, fui professora da Classe de Boas Novas, em Almada.
 
(primeiros seminaristas com a família Faircloth)

Não posso precisar a data, mas, segundo alguns documentos foi em 1949 que o missionário Samuel Faircloth, com quem vim a privar de perto, fundou em Portugal – Leiria – o Seminário Teológico Baptista, do qual foi o primeiro director.

 
A 27 de Outubro de 1949, Portugal viu ser galardoado com o Nobel da Medicina, o Pf. Egas Moniz, médico neurologista, investigador, político e escritor português.
Assim se viu reconhecido o trabalho e a inteligência de um português que muito admiro e cuja história muito contribuiu para o avanço do conhecimento e tratamento de doenças neurológicas.

 


A 3 de Agosto de 1973, quando fazia 24 anos, fui mãe pela primeira vez. Uma felicidade indescritível que me deu um estatuto para toda a vida.
Passaram 41 anos e o meu filho, junto com a minha filha e os meus netos, são o maior testemunho da confiança de Deus.


 

No dia em que fiz 50 anos, tive o prazer de embarcar para “a terra de Deus”, aquando das comemorações dos 50 anos do Estado de Israel (a Independência foi assinada no dia 14 de Maio de 1948).
Foi emocionante pisar aquele chão e conhecer melhor os locais Bíblicos e a história do povo judeu.

 
 “Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria, para que o meu coração cante louvores a ti e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te darei graças para sempre.”
Salmo 30:11-12

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Amor e Paz

Rolihlahla Madiba Mandela
 
Este foi o mais importante líder da África Negra, apelidado de “Pai da Pátria” da moderna nação sul-africana e símbolo da luta contra o regime segregacionista do Apartheid.
O nome próprio pelo qual Mandela é universalmente conhecido (Nelson) foi-lhe atribuído por um professor no primeiro dia de escola, pois, no período colonial, era hábito darem nomes ingleses às crianças negras, por considerarem os seus nomes inferiores e difíceis de pronunciar.
 
Nascimento - 18 de Julho de 1918, Mvezo, África do Sul
Desde sempre frequentou a Igreja Metodista, junto com os seus pais, onde veio a ser baptizado
Estudou na Escola Missionária da Igreja Metodista
Desde criança ouviu e sentiu a repressão relativamente à diferença racial
Ficou orfão de pai aos 9 anos
Estudou na University College de Fort Hare - 1939,  vindo a formar-se em direito na Universidade de Witwatersrand
Envolveu-se no movimento antiapartheid e inscreveu-se no Congresso Nacional Africano - 1942
Durante 20 anos liderou uma campanha não violenta contra as políticas racistas do Governo
A morte de 69 pessoas, violentadas pela polícia, durante uma manifestação, fez com que optasse pela guerrilha para defender sua causa - 1960
Levado ao tribunal, foi condenado à prisão perpétua por ofensas políticas - 1963
Durante os 27 anos que esteve preso, liderou grupos negros pela paz, a partir da prisão
Deu início a conversações com o Partido Nacional, tendo em vista a sua libertação - 1985
Libertação - 11 de Fevereiro de 1990
De imediato surgiu como líder do ANC, promovendo acordos de reconciliação com os opressores, para uma transição pacífica dos 46 anos de segregação à democracia
Prémio Nobel da Paz - 1993, pela sua luta contra o sistema opressor do Apartheid
Presidente da África do Sul - 1994 a 1999
Falecimento - 5 de Dezembro de 2013, Pretória, África do Sul
 

Como homenagem a este homem que deixou um exemplo de luta pelo amor, a igualdade e a paz, deixo aqui algumas das suas citações que tomei a liberdade de identificar com palavras bíblicas:



“Todos nós fomos feitos para brilhar, como as crianças brilham. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus dentro de nós. Isso não ocorre somente em alguns de nós, mas em todos.” – NM
“Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus.” – Mateus 18:4
 
“Nós nos perguntamos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?’ Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus!” – NM
“Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” – Mateus 5:14,16
 
“Sonho com o dia em que todos se levantarão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.” – NM
“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” – Romanos 12:10
 
“A educação é a arma mais poderosa que tu podes usar para mudar o mundo.”– NM
“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” – Mateus 11:29
 
“Devemos usar o tempo sabiamente e darmo-nos conta de que sempre é o momento oportuno para fazer as coisas bem.” – NM
“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios; remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.” – Efésios 5:15-17

Shalom!

sábado, 24 de maio de 2014

Coração sem Fronteiras

 

 
Pr. Joaquim e Isménia Machado
Quando eu era criança, penso que tinha uns 8 anos, fui com os meus pais ao Porto, onde visitámos o Lar Evangélico Português, na Rua da Boavista.
Creio que era uma cave onde os seis filhos do casal, Pr. Joaquim e Isménia Machado, se confundiam com as não sei quantas crianças abrigadas pelo papá e a mamã, como carinhosamente lhes chamavam.
 
Fiquei deslumbrada com o relacionamento tranquilo e carinhoso; havia uma desordem ordenada; crianças para cá e para lá; cheirava a chichi… Não interessa, fiquei com vontade de viver ali!
A obra iniciada em 1948, com parcos recursos e na casa do Pastor, mantém-se de pé; noutras instalações e muito melhores condições, tem, ao longo dos anos, formado homens e mulheres.
 
Depois, foram fundados muitos outros lares que abrigam, educam e veem crescer crianças a quem foi negado o direito ao lar/família de origem.
Tenho uma enorme admiração pelos homens e mulheres que dedicam uma boa parte das suas vidas a amar os filhos de ninguém e a tentar que lhes sejam reconhecidos os seus direitos.
 
Ana Rute Calaim Lamúria
Um dia desta semana, estava na internet, quando me deparei com um texto fantástico, escrito por uma jovem senhora (como esta gente cresce) que bem conheço. Fiquei emocionada e cresci um pouco mais…!
A jovem (Ana Rute Calaim Lamúria), membro da Igreja Evangélica de Sintra, é responsável por um Lar de Crianças do Exército de Salvação.
 
Deixo aqui o texto, devidamente autorizada, e mais não digo.

 
Coração sem Fronteiras
 
Convidaram-me para falar sobre o que é ser mãe numa instituição.
 
Sorrio e penso que muitas vezes o meu papel é mais o de pai do que de mãe. O papel de mãe fazem as minhas colegas, que os deitam, que tratam deles, que lhes dão banho, que estão no acordar, que os educam, e que quando algo aperta chamam por mim.
 
A casa que dirijo, é uma casa onde moram 14 crianças, meninos e meninas, dos 0 aos 12 anos. Actualmente o mais pequenino tem 3 meses e o mais velho 12 anos.
 
Todas elas foram crianças consideradas “em risco”.
 
Enquanto vivem lá, a equipa técnica deverá ajudar na definição do futuro da criança. Voltará ela para a sua família biológica? Irá ter uma nova família? Continuará numa instituição.
 
Enquanto procuramos respostas a estas perguntas surge o papel de ser mãe.
 
A adaptação à nova casa é muitas vezes difícil. Deixamos de estar com aqueles que amamos para aprender a amar novas pessoas. Novos paradigmas têm que ser aprendidos. Afinal quem cuida de mim não me magoa? Está preocupado comigo? Este caminho por vezes também é doloroso. Permitirmos que nos amem!
 
Ser mãe numa instituição é lidar com muitas crianças.
É dar proteção, amor e educação.
É ser-se responsável.
É ensinar a receber amor: é dizer “tu és muito especial para mim!”
É estar lá para ver o primeiro sorriso, o primeiro andar.
É estar presente nas vitórias e nas derrotas.
É dar um abraço quando choram pela presença da mãe.
É ir ao médico com ela.
É ir à festa da escola e perceber o sorriso triste porque a mãe não está presente, mas ver o sorriso porque afinal nós estamos presente.
É lidar com algumas birras. É lidar com ansiedades, frustrações, mau estar e sofrimento.
É rir muito. É sorrir muito.
É ter a capacidade de os ver entrar e sair e lidar com o misto de sentimentos de alegria e dor. Alegria pelo futuro que lhes reserva. Dor pela saudade que já deixaram.
É confortar quem fica (as outras crianças) pelos amigos que já foram embora.
 
Por vezes, pedem-nos para sermos sua mãe. Aí, é ensinar a confiar que irão ter uma mãe.
 
Ser-se mãe numa instituição tem muitas lutas. Momentos de muito desgaste. Mas também momentos que nos enchem o coração.
 
Enquanto profissional numa casa de acolhimento, posso dizer que mais que uma mãe biológica, as crianças querem saber e viver que pertencem a alguém.
 
Podemos ajudar a que haja menos crianças em risco?
 
Sim, podemos!
 
Podemos olhar para o nosso amigo, vizinho, familiar e perguntar e/ou perceber se precisa de ajuda para cuidar dos seus filhos.
 
A bíblia diz:
“Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.
Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?”
 
Muitas das famílias que nos chegam, são famílias desamparadas, sem suporte familiar ou social.
 
Enquanto igreja, enquanto família, os nossos braços têm que ter a capacidade de abraçar além fronteiras.
 
Não nos esqueçamos que somos filhos herdeiros de Deus, com a particulariedade de termos sido adoptados!
 
“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus.
Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.
O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.”
 
Da mesma forma que Deus nos adoptou, é importante adotarmos as pessoas à nossa volta. Não ficar à espera que venham ter até nós a pedir ajuda, mas fazermos como Deus e irmos ter com as pessoas.
 
Ser mãe numa instituição é poder dar aquilo que Deus nos dá. É obedecer Àquele que nos adoptou.
 
16.05.2014
Ana Rute Calaim Lamúria

domingo, 23 de março de 2014

“Os Grandes Portugueses”

Lembram-se?
A 25 de Março de 2007 foram declarados os resultados de uma votação (RTP) acerca dos portugueses considerados “Grandes” pelos seus feitos.
Depois de um primeiro rastreio, ficaram seleccionadas 100 personalidades. Dessas saíram os 10 melhor classificados, sendo que, cada um teve uma personalidade da cultura portuguesa, para incentivar ao voto. Por fim, os telespectadores votaram.
O primeiro lugar coube a António de Oliveira Salazar, com 41% da preferência dos portugueses.

Pois é, como acontece com tudo, nem todos estamos de acordo, mas, mais do que uma questão de escolha ou opinião, acho que temos uma memória e conhecimento histórico muito reduzidos.
Sem dúvida, para mim, jamais o 1º lugar (ou qualquer outra classificação) teria sido atribuído a alguém que fomentou o obscurantismo e o analfabetismo, que perseguiu o direito à diferença religiosa e política, que desencadeou várias frentes de guerra, que privou os cidadãos de votar, que levou a repressão ao máximo (prisão, tortura e morte) …

Bom, a vocação do meu blogue não é discutir política, estou a fazer esta chama porque, em 19º lugar desse mesmo concurso ficou alguém que, não fosse o desconhecimento e desinteresse dos portugueses pela Palavra de Deus teria figurado, pelo menos, nos 10 primeiros.
Ainda assim, reconheço que tendo a certeza que a maioria do povo não sabe de quem se trata, é um honroso lugar.

“Feliz é o homem que acha sabedoria e o homem que adquire conhecimento.” – Provérbios 3:13

Refiro-me a João Ferreira Annes D’Almeida (1628-1691), ele foi, nada mais, nada menos, que o homem que trouxe até nós a Palavra de Deus em língua portuguesa.


 
Filho de pais católicos nasceu em Torre de Tavares, no concelho de Mangualde. Tendo ficado órfão ainda criança, foi criado por um tio sacerdote de uma ordem religiosa em Lisboa.
Aos 13 anos, viajou para a Holanda e, pouco tempo depois, para a Ásia. Na viagem, entre Batávia e Malaca, teve acesso a um folheto protestante, escrito em castelhano, com o título “Diferenças da Cristandade” (que denunciava algumas doutrinas e conceitos católicos anti-bíblicos), mal sabendo que aquela leitura ia decidir o rumo da sua vida.
O impacto foi tal que, ao chegar a Malaca, procurou uma Igreja Reformada Holandesa, onde se converteu e, imediatamente, resolveu dedicar-se à tradução da Bíblia Sagrada, do castelhano para português (língua mais falada em muitas zonas da Índia e do sudeste da Ásia).
Para aumentar os seus conhecimentos bíblicos e teológicos, estudou durante três anos no Seminário da Igreja Reformada Holandesa, acumulando com os estudos, a tradução de livros, o ensino de português a pastores e o auxílio nos ministérios da igreja. Ao terminar o seminário, teve um estágio de dois anos e foi ordenado pastor. Tinha então 28 anos.
Entretanto, já casado com Lucrécia Valcoa de Lemos (de quem teve um casal de filhos), foi indicado para o Presbitério em Ceilão, onde assumiu o pastorado. Ali, foi perseguido pela igreja romana por pregar em português e contra certas tradições dos católicos.
Em 1663 regressou à Batávia, onde foi colocado como pastor e estudou grego e hebraico, retomando, então, o trabalho de tradução da Bíblia.
Em 1676, terminou o Novo Testamento e em 1681 saiu a primeira edição impressa. Traduziu ainda a maior parte do Antigo Testamento (faltando o final do livro de Ezequiel, o livro de Daniel e os livros dos Profetas Menores), até que o Senhor o chamou, tendo morrido em 1691 na Batávia.

Homenagem a J.F.Almeida, na sua terra
natal, pelos 300 anos da 1ª publicação
do Novo Testamento


Pela sua dedicação à Palavra de Deus;
por nos ter deixado a mais lida tradução da Bíblia em língua portuguesa;
porque através do seu trabalho muitos portugueses puderam chegar ao conhecimento do Evangelho;
porque ainda hoje podemos disfrutar desse seu trabalho…,
a minha imensa gratidão a João Ferreira de Almeida, um “Grande Português”!




“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade.”
II Timóteo 2:15

sábado, 8 de março de 2014

Dia da Mulher

Isto do Dia da Mulher, sim ou não?

Costuma dizer-se que “a excepção confirma a regra”. E, é verdade!
Com todo o respeito por esses seres maravilhosos que são os homens, a verdade é que as sociedades e as mentalidades ainda não mudaram o suficiente e as elogiosas excepções confirmam que, por regra, as mulheres são o alvo preferencial de ostracismo, violência física e psicológica, discriminação, escravatura, prostituição, tráfico… sei lá…

Há sociedades e núcleos familiares onde as mulheres são tão inferiorizadas que mesmo sendo mais sensíveis, mais perspicazes, mais frágeis e mais fortes, mais carinhosas, mais arrebatadas, melhores gestoras e outros “mais” e “melhores”, não têm valor de gente.


Na época de Jesus, quando o sistema político e religioso era, por definição, repressivo para as mulheres, o conceito que Ele tinha sobre as mulheres era diferente. Jesus foi completamente revolucionário.
Vejamos alguns exemplos da sua atitude:


- As mulheres estavam proibidas de falar com homens desconhecidos em público; Jesus meteu conversa com a samaritana, questionou-a e deu-lhe uma missão (João4:7-29);
- As filhas não eram valorizadas, ao ponto do sexo feminino não entrar nas estatísticas; Jesus ressuscitou a filha de Jairo (Marcos 5:41,42);
- As mulheres eram mantidas na ignorância; Jesus ensinava-as, algumas aprenderam sentadas aos seus pés (Lucas 10:39);
- As mulheres não podiam estar junto aos homens no templo; Jesus tinha seguidoras no grupo dos seus discípulos (Lucas 8:1-3);
- A palavra das mulheres não era tida como fiável; Jesus escolheu-as para primeiras testemunhas e divulgadoras da ressurreição (Mateus 28:9,10);
- A lei acerca do adultério sendo penalizadora para homens e mulheres, era especialmente aplicada às mulheres; Jesus mostrou que o pecado não escolhe género e o perdão é acessível a todos (João 8:3-7);
- As mulheres nunca serviam de exemplo positivo; Jesus ilustrou o cuidado e constante procura de Deus pela humanidade perdida, com uma parábola que distinguia a diligência, perseverança e alegria de uma mulher (Lucas 15:8-10).

Jesus abriu portas à igualdade de condições e respeitabilidade humanas, mas passados mais de 2000 anos, a situação da mulher na sociedade continua a ser discriminativa.

 
Pelas piores razões o Dia da Mulher, sim!

Que a nossa oração de hoje seja direccionada a favor das mulheres que sofrem; que este dia sirva para lembrar que as mulheres são seres humanos todos os dias e em qualquer parte do mundo.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Quando AMOR se Escreve com U e B



“Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra e luz para o meu caminho.”
Salmo 119:105



Há alguns temas que são tão intensos, tão íntimos que, por muito que se diga, fica-se com a sensação de não ter conseguido transmitir nada. É isto que eu sinto quando falo da União Bíblica.
 
Hoje comemorámos os 65 anos da U.B. em Portugal. Foi uma festa a que infelizmente faltaram muitos, mas foi de enorme alegria para tantos.
Cânticos, testemunhos, mensagem, orações, fotografias, encontro de amigos, tudo à medida dos amantes daquela grande obra de Deus.
 
Porque é que a União Bíblica se confunde com a minha vida?
- Nascemos no mesmo ano (1949), a U.B. em Fevereiro, eu em Agosto.
- Conforme testemunhei na primeira mensagem do meu blog (02.06.2010), foi num acampamento da U.B. que aceitei Cristo como meu Salvador.
- Por lá (acampamento do Carrascal) aprendi muito da Palavra de Deus e ganhei amigos para a vida.
- Além de campista, cheguei a colaborar como chefe e como conselheira.
- Fui co-fundadora da SCUBj (sub-comissão da U.B. jovens).
- Para lá mandei os meus filhos (ambos ali aceitaram Jesus) e também eles vieram a colaborar como chefes.
- Os meus netos já são campistas e, como o meu Samuel diz: “O nosso acampamento avó, o nosso sabes?” Porque não há igual!
 
Continuo a estar sempre com a União Bíblica, em oração ou de qualquer outra forma.
E, apesar da U.B. não se resumir aos acampamentos, é neles que sempre me reencontro com a paz e o amor de Deus.
Ninguém que por ali passe fica indiferente ao ar que se respira, nem ao chão que se pisa, ninguém esquece aquela experiência.
 
Eu amo a União Bíblica!
 
Indissociável da organização é a pessoa que trouxe a U.B. para Portugal e que fez dela o seu serviço ao Mestre – Pr. Abel Rodrigues, de quem já aqui falei e homenageei (19.11.2011).
Com tempo espero voltar ao tema, trazendo uma amostragem fotográfica e, talvez noutra altura, com um pouco da história da U.B.
 
Desculpem, se falei muito e não consegui dizer nada, mas eu avisei... Termino, fazendo minhas as palavras com que o Paulo Pina Leite, director norte da U.B., encerrou o seu testemunho de hoje:
 
“Se podia ter vivido sem a União Bíblica? Poder, podia, mas não era a mesma coisa!”

domingo, 26 de janeiro de 2014

Bem Está!

Para mim é uma honra ter conhecido e privado com grandes servos de Deus que, vivendo em condições sociais, políticas e religiosas bem diferentes das actuais, nunca deixaram de lutar pela divulgação do evangelho.
Hoje venho cumprir uma promessa que aqui fiz (20.10.12) e falar de Eric Barker.

Nascido num lar cristão, em Inglaterra, a 23 de Janeiro de 1899, entregou a sua vida a Cristo quando tinha 7 anos de idade.
A partir daí, apesar de ainda criança, fez da oração a sua arma. Este foi o homem que, com uma doçura incomparável, se dirigia a Deus com o seu belo sotaque inglês: “Aba, Pai, meu Paizinho querido”.

Desde a adolescência colaborou activamente na igreja, a nível da Escola Dominical e na realização de cultos ao ar livre, mas foi aos 21 anos, depois de ter servido na marinha durante a I Guerra Mundial, que decidiu dedicar a sua vida à obra do Senhor.
Entretanto, sentindo-se atraído pelo campo missionário, veio para Portugal, por influência do testemunho de seu pai que tinha estado no nosso país e conhecia as carências espirituais aqui existentes.

Uma vez em Portugal, teve contacto com outros dedicados obreiros ingleses a residir no nosso país, aprendeu português com José Ilídio Freire (Igreja das Amoreiras - Lisboa) e ao fim de três meses já pregava na nossa língua. Foi nessa altura que rumou ao norte, para a zona de Ílhavo, onde já havia alguns crentes e começou a fazer cultos nas casas e ao ar livre.
Aos 24 anos, depois de ter alargado a sua acção a outras localidades do distrito de Aveiro, fixou ali residência e deslocou-se a Inglaterra para casar.

Numa altura em que Portugal vivia no obscurantismo espiritual e havia perseguição religiosa, Eric Barker foi um dos bravos que nada temeram, mesmo perseguido, insultado e apedrejado, continuou fiel ao seu Deus. Com uma carroça puxada por uma mula (oferta de alguns crentes da zona sul), percorreu vários lugares do país para distribuir folhetos, vender Bíblias, pregar o Evangelho e cantar hinos tocando ao som do seu bandolim.
Com todos os obstáculos, o trabalho ia dando frutos, almas rendiam-se aos pés de Cristo e formavam-se  comunidades de culto.

Entretanto, teve de arranjar um trabalho secular (contabilista) para sustentar a família que estava a aumentar (chegou a ter oito filhos), mas nunca deixou o serviço para que Deus o chamara. Em 1935 fixou residência na Foz do Douro e adaptou o piso inferior da casa a salão de cultos.
Em 1941, no apogeu da II Guerra Mundial, aceitou a sugestão do consulado britânico e embarcou toda a sua família (mulher, filhos e outros parentes) com destino a Inglaterra. Porém, o barco foi torpedeado por um submarino alemão e afundou-se. Toda a família sucumbiu.
Eric Barker recebeu a notícia a um Domingo… quando chegou a hora do culto foi para a igreja, pregou e, serenamente, participou: “Todos os meus queridos já chegaram ao lar Celestial!”

Sem se deixar afundar na tristeza das perdas, sem medo da repressão político-religiosa, sem temer as dificuldades sociais provenientes da guerra, manteve-se firme, dedicando todo o seu tempo à defesa do Evangelho e à salvação de almas. Toda a zona de Coimbra, Aveiro e Porto, foi alvo preferencial da sua acção e muitas das igrejas existentes tiveram a sua influência.

Em 1946 Eric Barker casou em segundas núpcias com a jovem Beryl (18 anos mais nova) e Deus deu-lhe mais cinco filhos. Juntos prosseguiram na realização da obra, dando formação, pregando e dirigindo vários trabalhos de consolidação do ministério.

Foi, juntamente com outros crentes de todo o país, um dos grandes impulsionadores da Convenção Beira-Vouga, onde algumas vezes o ouvi pregar.
Também, até à minha juventude, o ouvi e mantive contacto, sempre que se deslocava ao sul.

Era uma inspiração!

O meio evangélico português muito deve a este servo de Deus, gratidão que se estende a vários outros missionários ingleses que trouxeram a Palavra de Deus até nós no princípio do século passado.

Erick Barker morreu a 09 de Julho de 1989.
 
“E o seu Senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.” – Mateus 25:21

domingo, 27 de outubro de 2013

A Reforma Protestante




No dia 31 de Outubro, celebra-se mais um ano sobre o dia da Reforma Protestante. A história, embora conhecida, deve ser recordada, tal como a pessoa do seu impulsionador.

 
 
 
1483 – (10 de Novembro) Nasceu Martinho Lutero;
1502 – Formou-se Bacharel em Filosofia;
1505 – Recebeu o título de Mestre em Artes;
1507 – Foi ordenado Padre, mas, apesar de ser um católico fervoroso e obediente ao papa, tinha profundas dúvidas de carácter espiritual;
1512 – Formou-se Doutor em Teologia e passou a leccionar na Universidade de Wittenberg, tendo um acesso privilegiado à leitura da Bíblia. Influenciado pela teologia Paulina, começou a questionar os erros que a Igreja Romana ensinava;
1515 – Foi nomeado como responsável por onze mosteiros. Nessa altura, despertado pela afirmação de Paulo em Romanos 1:17, envolveu-se em controvérsias relativamente à venda de indulgências.
 
 
O pensamento religioso da época atribuía a remissão dos pecados à compra de indulgências. Graça, fé, Jesus Cristo ou a Palavra de Deus, de nada valiam no processo de salvação. Através da leitura bíblica Lutero chegou a uma nova fé que enfatizava a graça de Deus, a salvação em Cristo e a justificação pela fé.

1516 – Publicou o devocionário “Theologia Deutsch” e tornou-se pároco da igreja de Wittenberg onde começou a proclamar a sua nova fé e a fazer oposição à venda de indulgências;
1517 – (31 de Outubro) Afixou à porta da igreja em Wittenberg 95 Teses que contestavam as práticas da Igreja Romana, dando lugar à maior revolução da história da Igreja Cristã, que veio a chamar-se de “Reforma Protestante”;
1518 – (7 de Agosto) Foi chamado a Roma onde foi julgado como herege;
1519 – Rejeitou a autoridade e infalibilidade do papa e abandonou a Igreja Romana;
1520 – (15 de Julho) A Igreja Romana proferiu a bula “Exsurge Domine”, ameaçando Lutero de ser excomungado;
1521 – (25 de Maio) A excomunhão de Lutero foi pronunciada durante a Dieta de Worms;
1525 – Casou com Katharina von Bora, de quem teve seis filhos;
1529 – Escreveu letra e música do hino “Castelo Forte” que se tornou um emblema do protestantismo;
1546 – (18 de Fevereiro) Morreu de ataque cardíaco.

Após a excomunhão, Lutero compôs diversos hinos (em 1524 publicou o primeiro hinário em alemão), escreveu sermões e compilou estudos (em 1528 publicou o pequeno e o grande catecismos, que se tornaram manuais doutrinários dos protestantes), traduziu a Bíblia das línguas originais para a língua alemã (em 1532 publicou o Novo Testamento e em 1534 a Bíblia completa).

Depois de Lutero, da Reforma e da divulgação da Palavra de Deus, a Igreja Romana deixou de ter domínio exclusivo sobre o entendimento da fé e da salvação.