"PORQUE EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE"


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Desafio de Ano Novo

O começo de cada ano é o momento em que geralmente se fazem os balanços e planeiam novas metas. Muitos de nós, aproveitamos esta altura para repensar o nosso deve e haver; o que correu bem e o correu mal; o que fizemos e o que podíamos ter feito.
Nesta perspectiva, podemos também apurar onde esteve e onde vai ficar Deus na nossa vida.
Para reflexão sobre o assunto, eu gosto da mensagem transmitida em Deuteronómio 6, de forma especial os versículos 4 a 9. Por favor leiam nas vossas Bíblias ou, se quiserem, no final deste texto.

Os vs. 4 e 5 dão-nos a razão para um bom relacionamento com Deus – o grande mandamento – neles é retirada a frieza do primeiro mandamento do decálogo (“Não terás outros deuses” Êxodo 20: 1) e é-lhe dada uma roupagem nova que o adoça “Amor”.
O amor é o sentimento mais avassalador, arrisco mesmo em dizer que dele dependem todos os outros; logo, tem de ser bem cuidado e bem direccionado. E, não nos enganemos, ter outros senhores não se confina à adoração de imagens. Pode ser o dinheiro, a fama, um vício qualquer, uma figura pública, sei lá, pode ser tanta coisa...

Nos vs. 6 e 7, é-nos mostrado como devemos lidar com esta realidade e ordem, ou seja, amar a Deus é algo transcendente que não deve depender só do ensino elementar ou da emoção ocasional, ele tem de permanecer no nosso coração, estar presente na nossa casa, ser parte da educação dos nossos filhos e, ainda, não ser escondido aos de fora. Quando? Sempre, do início ao fim de cada dia.

Por isso, nos vs. 8 e 9, somos advertidos a ter sempre presente a Palavra de Deus e é-nos indicado que ela deve estar na mão, entre os olhos e nos umbrais da porta.
Os judeus da altura levaram estas ideias tão à letra que começaram a utilizar pequenos textos da lei em caixinhas de couro, chamadas filactérios, que colocavam no braço esquerdo e na testa (costume ainda hoje utilizado em ocasiões especiais) e outras, chamadas mezuzas, que fixavam na ombreira da porta da casa.
Porém, estou convicta que a vontade de Deus é que a Palavra faça parte da nossa natureza e seja praticada segundo o espírito. Então, o que é que Deus queria dizer? Aprofundando o assunto, tirei as seguintes ideias:

Na MÃO (prática: amarrado com tiras de couro desde a mão esquerda, ficando o filactério no lado interno do braço, junto ao coração) – talvez lembrando que devemos ter corações disponíveis para guardar a Palavra e amar a Deus:
“Bem aventurados os que guardam as suas prescrições e O buscam de todo o coração.” – Salmo 119: 2

ENTRE OS OLHOS (prática: amarrado com tiras de couro, ficando o filactério na testa) – ora sendo na parte frontal da cabeça que é processada toda a informação e se formam os conceitos, parece-me estar presente a um apelo à cognição e à sabedoria, de modo a que a Palavra fique na nossa mente e a apliquemos com inteligência tendo como fim uma vida segundo a vontade de Deus:
“Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento.” - Provérbios 3:13

Nas UMBREIRAS DA PORTA (prática: colocado fora no lado direito de quem entra na porta e à altura do ombro) – sem dúvida, exposto à visão e opinião pública, creio que é um alerta ao cuidado a ter com as nossas atitudes e palavras para que tenhamos um testemunho que enalteça a pessoa do nosso Deus:
“Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós.” – Tito 2: 7-8

Para finalizar, gostava de lembrar que:

1- Nós sem Deus, não somos nada, mas Ele sem nós, continua a ser Deus!
“E o Senhor nos ordenou que cumpríssemos todos estes estatutos, que temêssemos ao Senhor nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como no dia de hoje.” – v. 24

2- Quando não estamos do lado certo, a nossa vida pode ter alguns êxitos, mas não temos bênçãos.
“E farás o que é recto e bom aos olhos do Senhor, para que bem te suceda, e entres, e possuas a boa terra, a qual o Senhor jurou dar a teus pais.” – v. 18

GRANDE DESAFIO PARA 2011

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TEXTO BÍBLICO:
“4 Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. 5 Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.
6 Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; 7 tu as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te.
8 Também as atarás como sinal na tua mão e te serão por frontal entre os teus olhos. 9 E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.”

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Votos de Ano Novo

No início de 2010 enviei aos meus amigos (nos quais me incluía) a seguinte mensagem de votos:

“Tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em acção, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” – Colossenses 3: 17

É meu desejo e oração que em 2010 Deus vos conceda o suficiente; que possam manter a chama da fé sempre acesa; e que sintam o amor que tenho, diferente e especial, por cada um de vós. Shalom!

Nesta passagem de ano, venho prestar contas:

Tive paz com Deus; em nada me senti envergonhada, mesmo quando ofendida; não enriqueci, não me faltou o essencial, nem devo nada a ninguém; amei e fui amada; tomei decisões que me têm dado muita satisfação; a saúde foi equilibrada; disse e fiz aquilo que o coração mandou e a razão aprovou; o que não disse ou fiz, talvez não fosse importante ou oportuno e por isso Deus controlou; retratei-me naquilo que percebi ter feito mal; não foi tudo extraordinário, mas o óptimo é inimigo do bom e Deus deu-me a capacidade de olhar para as dificuldades e retirar delas ensinamento.

Enfim, tal como desejei, tive o suficiente. Deus seja louvado!

E, como parece que os tempos são maus, mantenho para 2011 os mesmos votos:
Que em paciência, amor, paz, saúde, dinheiro, valores morais e espirituais, em tudo… Deus vos (nos) conceda o suficiente!

“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a Tua fidelidade.
A minha porção é o Senhor, diz a minha alma;
portanto esperarei n’Ele.” - Lamentações 3: 22-24

SHALOM!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Noite Santa



“Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho.
E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.
E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo. Pois, na cidade de David, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” - Lucas 2: 8-11

sábado, 18 de dezembro de 2010

O Verbo

João 1: 1-5, 9-14
Este é, para mim, o mais belo relato bíblico acerca do nascimento de Cristo


“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.
N’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.
Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O conheceu.
Veio para o que era seu, e os seus não O receberam.
Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;
Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.”

sábado, 11 de dezembro de 2010

Natal sem Palavras

Aparentemente está quase tudo dito acerca do Natal. Hoje em dia, seja para protestar acerca do custo de vida, seja para enfatizar as festas, não há editorial, programa ou entrevista onde não se comente o Natal das crianças, da família, das prendas, das férias e da culinária.
Uma ou outra vez, há quem refira que a data comemora o nascimento do Filho de Deus.
E depois, há coisas que não se dizem e que muitos querem ignorar...
“Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.” – Lucas 2: 14

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Presépio

As minhas crianças, que sabem acerca do Natal o suficiente para os seus quatro anos, passam o tempo à volta do presépio.
E, lá vão fazendo as suas perguntas: “O Jesus tinha frio?”; “A ovelhinha era do Jesus?”; “Porque é que a casa deles não tinha paredes?”; “Ó avó, a roupa do Jesus era de palha?”


Bom, o que eles ainda não podem entender é o exemplo de um homem e uma mulher extraordinários que para muita gente não são mais que meras figuras de presépio, mas sem os quais não haveria Natal – Maria e José.

Lucas 1: 26-38 – Maria sabe que vai ser mãe

O relato diz que ela ficou perturbada com a visita do anjo e a mensagem que ele trouxe.
Claro, Maria era virgem, nunca tivera relacionamento físico e, como se não bastasse, era desposada (promessa inviolável de compromisso, feita antes do casal coabitar). Tudo obstáculos para poder ser mãe…
Mas ela não recusou a ideia, com imensas dúvidas que a deixavam confusa, simplesmente questionou: como?
Depois, quando ficou a saber que era obra do poder de Deus, aceitou o arriscado privilégio sem temer as consequências que, em condições normais, a levariam a ser punida pela lei (Deuteronómio 22: 23-24).

“Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor;
cumpra-se em mim segundo a tua palavra...” – v. 38

Oh mulheres, mas que grande lição. Nós que vivemos numa sociedade de certezas e independência, que dispomos de recursos artificiais para concebermos, que temos ao dispor os mais variados métodos e meios para evitar os filhos, se fossemos confrontadas com uma situação igual à de Maria entrávamos em pânico. Talvez negássemos conhecer o Deus que nos fazia passar por tamanha vergonha e, se não houvesse uma saída minimamente credível para os outros, arranjávamos uma depressão.

Maria é um exemplo de serviço e lança-nos um desafio – que aceitemos a vontade de Deus, disponibilizando-nos para desempenhar qualquer trabalho, sem sentimentos de retracção ou de temor.

Mateus 1: 18-25 – José sabe que Maria vai ser mãe

José quando soube da gravidez de Maria ficou perplexo. Como não ficar? De certo, pensou que ela quebrara o compromisso que tinham.
Mas ele era um homem bom que, com certeza, mantinha uma boa relação com Deus e respeitava Maria. Só isso o podia levar a não querer difamá-la, nem condenar; não obstante, também não podia aceitar essa situação indigna por isso, após o impacto da notícia, pensou deixá-la sem dizer nada a ninguém.
Contudo, Deus revelou-lhe o seu propósito, incentivando-o a ultrapassar os preconceitos e as dúvidas.
E assim, José não só recebeu Maria como esposa (em sua casa), como respeitou aquela concepção tão especial e a preservou de ter relações até o bebé nascer.

“E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogénito;
e pôs-lhe por nome Jesus.” – v. 25

Homens, a conversa agora é com vocês. O que fariam nestas circunstâncias? Deixem-me imaginar a dificuldade. Tudo o que possa lesar a vossa “masculinidade” e honra é tão adverso que o caminho mais fácil seria a limpeza da imagem com a incriminação da mulher.
Talvez fizessem com que ela fosse mal falada, talvez num ataque passional a matassem e, o mais provável, negariam o amor e justiça de Deus por não ter pudor em vos fazer passar pelo enxovalho da traição.

José é um exemplo de disponibilidade e lança um apelo - que deixemos Deus nos usar, quando e nas circunstâncias que Ele quiser, independentemente das nossas próprias dúvidas ou razões.

Na verdade, este é o Natal de Cristo a acontecer no coração dos homens, a transformar mentalidades e a permitir abandonarmos a nossa vida ao controlo divino!

domingo, 28 de novembro de 2010

A Árvore de Natal



Já se deu início à época em que, tradicionalmente, se comemora o Natal de Cristo.

Ontem fizemos a decoração da árvore. As crianças estavam entusiasmadas por poderem participar neste delicado trabalho. Depois, foi a cor, as luzes, o brilho, os risos encantadores, as perguntas, enfim, magia...


Quisera Senhor, neste Natal, armar uma árvore
dentro do meu coração e nela pendurar em vez de
presentes, os nomes de todos os meus amigos.
Os amigos de longe e de perto; os antigos e
os mais recentes; os que vejo a cada dia e os
que raramente encontro; os sempre lembrados
e os que às vezes ficam esquecidos;
os constantes e os intermitentes; os
das horas difíceis e os das horas alegres;
os que sem querer eu magoei, ou,
sem querer me magoaram; aqueles a quem
conheço profundamente e aqueles que não me
são conhecidos, a não ser nas aparências; os que
pouco me devem e aqueles a quem muito devo; meus
amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes
de todos os que já passaram pela minha vida.

Uma árvore
de muitas raízes muito profundas para que seus nomes nunca
mais sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos,
para que novos nomes vindos de todas as partes, venham
juntar-se aos existentes. De sombras muito agradáveis
para que nossa amizade, seja um aumento de repouso nas lutas
da vida.

(Autor desconhecido)

Desejo a todos que esta época seja repleta de bênçãos de amor e paz!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Estou Apaixonada!


Oh, nem imaginam como isto é rigorosamente verdade.
E ainda há quem diga que a paixão é efémera ou que os velhos já não têm sentimentos arrebatadores; pois eu digo-vos, quanto mais velha mais apaixonada me sinto.
Agora está na moda fazer-se este tipo de declarações nas redes sociais; eu quero muito compartilhar este estado de graça, porque não fazê-lo aqui?

Primeiro que tudo, quero deixar claro que acho que o amor verdadeiro não subsiste sem paixão. Pode haver algum companheirismo, afecto, habituação ou qualquer outra coisa que lhe queiram chamar, mas amor?
A paixão é o lado arrebatador, louco e exaltado dum relacionamento de amor, eles complementam-se, e eu tenho muito prazer nisso!

Reparem naquela extraordinária declaração que Paulo fez em Filipenses 1: 20-24

"Segundo a minha ardente expectativa e esperança, de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.
Porquanto, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro.
Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei-de escolher. Ora, de um e outro lado estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne."

Isto é estar completamente apaixonado... e eu gosto!
Deus tem um propósito para cada um de nós e, quando estamos apaixonados, o que mais queremos é agradar ao nosso amor. Ora, Cristo conquistou Paulo (3: 12) e também me conquistou a mim, cada dia que passa me sinto mais íntima e cúmplice de Cristo, segura de querer sempre viver o Evangelho.

Ter alegria e paz é possível e faz parte da nossa realização mesmo quando a vida não corre bem, porque não estamos a falar da alegria em nós próprios, ou da alegria do mundo, mas da alegria em Alguém especial.
O que Ele pode fazer na nossa vida, é simplesmente admirável...
Eu aprendi a transformar as pedras de tropeço em experiências de vida, para minha consagração e bênção dos outros, porque a minha chave está entregue a esse homem chamado Cristo!

Eu estou apaixonada! E tu?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dai-lhes vós de Comer

Sou de opinião que todos nós, especialmente os crentes em Cristo, temos responsabilidades sobre os outros, não só de carácter espiritual, mas também sociais e morais. O zelo missionário de vertente social começou por isso mesmo; daí a igreja primitiva ter organizado um grupo de crentes que desempenhava funções de suprimento das carências dos outros (Actos 6: 1-7).

Há uns 25 anos, quando era professora de crianças dos 6 aos 9 anos na Escola Bíblica Dominical, fui confrontada com uma situação inesquecível.
Tendo em vista o compromisso futuro de cada criança, comecei a esquematizar uma lição sobre o que é necessário para sermos habitação de Deus, pensando em I Coríntios 3: 16-17 (noutra ocasião voltarei para falar acerca destes versículos).
Então, depois de imaginar a dinâmica que podia dar à lição, peguei numa enorme cartolina onde fiz colagens e desenhos alusivos ao tema e legendei com dicas sobre os cuidados a ter com o corpo.



Como modelo, coloquei um recorte do Vitinho, aquele simpático e alegre “menino” de hábitos saudáveis que todas as crianças conheciam por ser imagem duma papa infantil e desenho animado.
E, no dia dessa lição, com auxílio do dito cartaz, expliquei que Deus cuida de nós, porque nos criou e nos ama, mas que também quer que as pessoas sejam cuidadosas. Detalhadamente, falei de higiene, alimentação, habitação, tempos livres, escola, relacionamentos, educação e de como devemos amar e louvar a Deus.

Terminada a lição, uma menina que, muito recentemente, ia à classe acompanhada por dois irmãos mais novos disse-me: "Mimi, eu e os meus irmãos, não podemos tomar banho, nem beber leite, nem comer fruta porque nós somos pobres".
Foi como se tivesse levado um murro… recuperada da abordagem, conversei com a menina o suficiente para perceber que pertencia a uma família disfuncional; pai alcoólico, mãe inactiva, mais 2 irmãos bebés e outro mais velho que ela (ao todo 6 crianças).
No Domingo seguinte, levei fruta, leite, queijo, bolachas e papa e propus-me acompanhá-los a casa depois do culto.
Fiquei em estado de choque. Viviam no rés-do-chão de um prédio devoluto na zona do Saldanha, escuro, húmido, sujo, fétido, com amontoados onde não se distinguia o lixo do aproveitável. A mãe, apática, não disse muitas palavras; o pai já tinha saído e não sabiam a hora a que voltava; o mais bebé estava doente.
Durante alguns domingos, já com apoio da igreja, fui entregar alimentos e roupas tentando minimizar as carências dos meninos. O cenário foi sempre igual; nunca vi o pai; a mãe não se mostrou interessada na mensagem do Evangelho, como nunca se mostrou interessada ou agradecida nas coisas que eu levava.
Num dia em que as crianças não apareceram na classe, fui a casa e já não moravam lá. Não haviam vizinhos a quem perguntar pelo paradeiro. Nunca mais os vi…

Sobrou o mais importante. O facto de um dia aqueles meninos terem ouvido falar de Cristo e terem conhecido o Seu amor!
Quem dera que hoje lhes pudesse dizer:

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste
e de que foste inteirado,
sabendo de quem o aprendeste.” – II Timóteo 3: 14

sábado, 6 de novembro de 2010

Aquilo que o Espelho diz

Todos nós, pelo menos uma vez ao dia, olhamos para um espelho. É assim que temos consciência da nossa aparência, mas, na verdade, nem sempre gostamos muito daquilo que o espelho diz.


Na Bíblia, os salvos, são referidos como sendo espelho da glória de Deus:

“Mas todos nós, com rosto descoberto, reflectindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” – II Coríntios 3: 18

Eu gosto disso, mas é uma responsabilidade e tanto…
Vejamos qual o rigor que se pretende de um espelho e, o que é isso em nós, de forma a reflectirmos a glória de Deus:

1º - estar descoberto, sem embaciamento ou véu que se coloque entre a imagem e o espelho – é estar em comunhão com Deus;

2º - estar limpo, sem pó, ou manchas, que retirem nitidez à imagem reflectida – é ter o nosso ser interior sem mal e em paz;

3º - estar bem posicionado e fixo, para não desfocar a visão – é ser verdadeiro naquilo que mostramos aos outros.

Ora, quando recebemos Cristo, o Espírito Santo passa a morar em nós e capacita-nos com as ferramentas necessárias para reflectirmos a glória do Pai, saber usá-las é irmos progredindo no processo de transformação, de vitória em vitória, até à perfeição de Cristo.
Isso é santificação!

Não nos basta usar o rótulo de “cristão”; nós temos de experimentar a semelhança e reflectir o coração de Deus.

“Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados”
Efésios 5: 1

É caso para questionarmos: Afinal, o que é que diz o espelho que eu sou?

domingo, 31 de outubro de 2010

O Hino da Reforma

Hoje, quando decorrem 493 anos da “Reforma Protestante” e em homenagem a Martinho Lutero, lembremos, de sua autoria, aquele que é um dos melhores hinos evangélicos.

SALMO 46
"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.
Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares.
Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá.)
Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã.
Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu.
O SENHOR dos Exércitos está connosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. (Selá.)
Vinde, contemplai as obras do SENHOR; que desolações tem feito na terra!
Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo.
Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra.
O SENHOR dos Exércitos está connosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. (Selá.)"

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Alegria - Paciência - Perseverança

Eu tinha 20 anos e estava acabadinha de sair de duas enormes desilusões, quando conheci a Oma (avó em holandês). Era uma velhinha linda e doce com mais de 80 anos. Diversas vezes fiz com ela a leitura da Bíblia, cada uma na sua língua (ela não sabia português, nem eu holandês), depois orávamos silenciosamente. Durante o chá, conversávamos com o olhar, um ou outro gesto e muitos sorrisos.

Entretanto, o nosso relacionamento foi quase um “olá e adeus” porque, dois ou três meses depois de nos termos conhecido, no Lar de Crianças onde eu estava a colaborar e ela estava de visita, a querida velhinha voltou para o seu país. Foi de lá que recebi um postal muito simples, do qual, durante algum tempo, só percebi Romanos 12: 12.


“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração.”


Não sei como se chamava, aliás, até no postal assinou: Oma.
E ela, nunca soube o quanto foi importante para mim e que este se tornou num dos meus versículos favoritos.

Esperança - Tribulação - Oração

1 – Ninguém gosta de esperar, nem mesmo os que mais se atrasam e quando se fala em esperança o clima é, invariavelmente, de incerteza. No entanto, neste versículo, há um convite à alegria porque esta não é uma esperança qualquer, ela refere-se às promessas do Senhor.
Então se, tendo recebido a salvação, esperamos a vinda do Senhor Jesus Cristo e a nossa entrada na glória do Pai, como é que o nosso espírito não há-de ser conduzido à alegria?

2 – Tenho a certeza que todos nós gostaríamos de apagar as tribulações da nossa vida (tristezas, dificuldades, doenças, desilusões, aquela dor inexplicável). Mas a recomendação aqui deixada aos crentes é para serem pacientes.
É que todas e quaisquer tribulações terminam com a morte física, porém, nós continuamos. Na verdade, as adversidades são coisa menor, quando comparadas ao socorro divino ou às bênçãos trazidas pela paciência.

3 – Sucesso é algo de que todo o ser humano gosta, mesmo em relação às respostas de Deus, mas para o alcançar não podemos cruzar os braços, esmorecer ou adiar; ao contrário, devemos ser activos, confiantes e persistentes. Talvez por isso sejamos desafiados a perseverar na oração.
Então, sem calendarização e sustentados pela fé, podemos ficar perante o Senhor recebendo força e sabedoria para permanecermos firmes enquanto estivermos no mundo, isso é perseverança!

Estes três aspectos, além de importantes, interligam-se. Se temos alegria na esperança, tornamo-nos pacientes nas tribulações e isso leva-nos a perseverar na oração que por sua vez reforçará a esperança e dará poder para enfrentar as tribulações.

sábado, 16 de outubro de 2010

Esperança e Renovação


A águia é a ave que mais admiro.

Gosto particularmente do seu porte e da enorme sensação de liberdade e força que me transmite.

Hoje, deixo aqui uma pequena reflexão (retirada da internet) sobre um dos meus versículos preferidos.



"Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão." - Isaías 40: 31

sábado, 9 de outubro de 2010

Como Meninos

Na década de 80 do século passado, quase toda a gente viu e se rendeu ao filme “E.T. – O Extraterrestre”, de Spielberg. O pequeno boneco prefigurava um indivíduo de outro planeta que, muito mais do que feio, era sensível, puro e sábio.
A história pode resumir-se à amizade enternecedoramente protectora entre Elliott (um rapazinho de 10 anos) e os irmãos, com um ser adulto vindo de outro planeta que foi, involuntariamente, deixado na Terra, o E.T.


No entanto, o que mais me impressionou nessa ficção foi uma entrevista dada por Spielberg aquando do lançamento do filme, à qual respondia na pele de E.T. Foi mais ou menos assim:

À pergunta: - Porque é que você (ET), sendo já um adulto de idade avançada, mantém uma relação tão privilegiada com as crianças e não consegue o mesmo tipo de comunicação com os outros adultos?

Ele respondeu: - É que no meu planeta, nós nascemos imperfeitos e quanto mais velhos, mais puros e bons nos tornamos. Ora o vosso processo de crescimento dá-se ao contrário, nascem puros e quanto mais vivem, mais imperfeitos e maus se tornam. Por isso eu me identifico com as crianças; só elas me compreendem e tratam como um igual!

Gostei disto, porque a verdade é que, só mesmo os que dizem aquelas coisas muito inteligentes do tipo “as crianças quando querem são muito cruéis”, se esquecem que elas são imitadores dos adultos e resultado dos recursos sociais e educacionais.

Jesus disse aos discípulos:
“Em verdade vos digo que quem não receber o reino de Deus como uma criança,
de maneira nenhuma entrará nele.” - Marcos 10: 15

E Paulo disse aos crentes rebeldes:
“Irmãos, não sejais meninos no entendimento; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede adultos amadurecidos.” - I Coríntios 14: 20

Analisando estes dois versículos, fico a pensar que muitas vezes, quando somos contrariados, estamos na presença de Deus como meninos que amuam, fazem birras, refilam e teimam; não como meninos amorosos, humildes, sem preconceitos e obedientes (I Coríntios 14: 20). E que, quando recebemos o Reino de Deus com a humildade e gratidão duma criança, podemos ter a certeza que Jesus nos segura nos braços e nos abençoa (Marcos 10: 15-16).

Que o nosso Pai nos ajude a ser como meninos a cada dia que passa!

domingo, 3 de outubro de 2010

Escola Bíblica Dominical



"Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade."
- II Timóteo 2: 15



Tradicionalmente, as igrejas evangélicas faziam, no primeiro ou segundo domingo de Outubro, o Dia de Rumo à Escola Dominical.
Na verdade, no caso das igrejas baptistas, a Escola Bíblica Dominical (como a designamos) não faz férias, mas há um período em que os alunos vão e vêm devida às férias pessoais, portanto, aproveitando o retorno, a eventual mudança de curriculum, a renovação de estratégias e de programas complementares, a apresentação de professores e o incentivo à presença de novos alunos, o Dia de Rumo faz todo o sentido…, digo eu!

Mas, como é que nasceu o conceito de Escola Bíblica Dominical?

Robert Raikes - 1735-1811
Num domingo de Outubro de 1780, o jornalista e editor Robert Raikes estava a escrever o editorial do jornal de Gloucester quando, como habitualmente, foi interrompido pela gritaria e palavrões das crianças que brincavam na rua.
Por momentos, começou a pensar sobre o futuro desses meninos criados sem estudos (privilégio das classes abastadas), que trabalhavam junto com os pais em minas e fábricas de segunda a sábado, ficando ao domingo abandonados nas ruas.
A delinquência iminente levá-los-ia a cair no vício, na violência e no crime.
Foi então que tentou sensibilizar a comunidade cristã para este problema, vindo a, juntamente com o Departamento Missionário da Igreja Anglicana de que era membro, iniciar na sua paróquia, uma escola para meninos pobres. Como o domingo era o dia de folga das crianças, não havia como fazê-lo noutro dia e foi assim que começou a funcionar a Escola Dominical onde os alunos aprendiam a ler, a escrever, história e, também, lições bíblicas.
Depois, apesar da resistência dos líderes de algumas igrejas, esta acção difundiu-se por toda a Inglaterra, vindo mais tarde a espalhar-se também a outros países.

Com a evolução da sociedade e a tendência para a alfabetização em instituições do estado, a Escola de domingo passou a ser somente dedicada ao ensino bíblico. E, passado mais de metade do século XX, para que a EBD fosse um espaço de aprendizagem para todos, onde se pudessem aprofundar os conhecimentos bíblicos e se promovesse a maturidade dos crentes, deixou de ser ministrada só a crianças, havendo hoje várias classes separadas por faixas etárias.

1954 - Escola Dominical da Igreja das Torcatas
Desde pequena fui aluna da EBD (depois professora); tenho a certeza que é a melhor Escola do mundo e por isso, aqui fica a minha homenagem aos homens e mulheres de Deus que se têm dedicado ao ensino das Sagradas Escrituras.

Eu amo a Escola Bíblica Dominical!